Ricardo Stuckert / PR
Por Gabriel de Sousa e Gabriel Hirabahasi, da Broadcast
redacao@viva.com.brBrasília, 29/08/2025 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira, 29, que decidiu autorizar o início de consultas, investigações e medidas com vistas à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos para “fazer andar” a formulação da resposta brasileira ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
“Esse é um processo que é um pouco demorado. Eu não tenho pressa de fazer qualquer reciprocidade com os Estados Unidos. Tomei a medida porque nós temos que fazer andar o processo. (...) Nós temos que dizer aos Estados Unidos que nós temos coisas para fazer contra os Estados Unidos”, disse Lula em entrevista à Rádio Itatiaia nesta sexta-feira, 29.
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Segundo Lula, ele não tem pressa para impor a reciprocidade, mas que os Estados Unidos não quer negociar. O presidente voltou a se queixar de ter escalado os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) e não ter conseguido uma interlocução com o governo americano.
“Não tentei ligar, porque ele tem que dar um sinal de que quer negociar. As pessoas falam que é para ligar para o Trump, mas olha, se o secretário de Tesouro não falou com o Haddad, se o Alckmin não conseguiu falar com o cidadão do Comércio, porque que um telefone meu iria resolver?”, afirmou o presidente que voltou a dizer que, caso os Estados Unidos se ofereçam ao diálogo, o “Lulinha paz e amor” estará de volta.
Lula disse também que dependerá do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma conversa durante a reunião da Assembleia Geral da ONU, no mês que vem. “Eu não tenho problema com o Trump, ele é problema do povo americano que o elegeu. (...) O Brasil não recusa conversar, o que Brasil faz é não adotar a complexidade de vira-lata. Nós somos iguais e não queremos conversar com ninguém de forma subalterna”, disse o presidente.
O chefe do Executivo também adiantou que o discurso dele na ONU terá como temas as defesas da democracia, do multilateralismo e da governança mundial. Ele também opinou sobre a guerra entre Israel e Hamas, voltando a citar o conflito como um genocídio e afirmando que Israel está matando crianças e mulheres.
O presidente disse também que não irá assistir ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que terá início na próxima terça-feira, 2. “Tenho coisa melhor para fazer”, disse.
“Ele não pode exercer o mandato dele. Eu já falei com o presidente Hugo Motta e vários deputados de que é extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro porque ele vai passar à história como o maior traidor do País”
Lula disse ainda que irá regular as big techs porque todas as empresas que atuam no Brasil precisam se submeter à legislação brasileira.
As declarações de Lula foram feitas em entrevista para a Rádio Itatiaia, em Belo Horizonte. Nesta sexta, o presidente vai cumprir agendas nos municípios mineiros de Contagem e Montes Claros.
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