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EUA oficializam classificação de CV e PCC como organizações terroristas

Molly Riley/The White House

Em resposta, Palácio do Planalto declarou que combate ao crime deve respeitar as soberanias dos Estados - Molly Riley/The White House
Em resposta, Palácio do Planalto declarou que combate ao crime deve respeitar as soberanias dos Estados
Por Broadcast

05/06/2026 | 11h46

São Paulo - A decisão dos Estados Unidos de classificar o Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas, anunciada no último dia 28, passou a vigorar nesta sexta-feira (5). O documento é assinado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Na visão de integrantes do governo brasileiro e especialistas, a medida pode ter impactos econômicos em atividades da economia brasileira como turismo, investimentos, comércio exterior e sobre o sistema financeiro.

Ao discordar da medida, o Palácio do Planalto declarou que o combate ao crime deve ocorrer por meio da cooperação internacional respeitando as soberanias dos Estados sob os territórios. Na visão das autoridades brasileiras, a decisão abre margem para que Washington interfira em assuntos brasileiros com a desculpa do combate ao terrorismo. 

O mesmo tipo de movimento foi adotado recentemente pelo governo dos EUA para cartéis e organizações criminosas no México, Venezuela, Equador e Colômbia. Outra ação tomada nesse sentido foi a criação do Escudo das Américas, que tem por objetivo combater o narcotráfico e minar a influência econômica de adversários como China e Rússia. 

Novas tarifas

Poucos dias depois de classificar as facções do país como terroristas, o Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) recomendou a taxação de importações do Brasil em 25%. Em suas justificativas, a autoridade aponta supostas práticas comerciais desleais.

Com motivações vagas, no documento o representante ainda criticou o Pix, que estaria prejudicando as empresas de pagamento do país, como Visa, Mastercard e Whatsapp Pay. 

Na sequência, os norte-americanos anunciaram plano de taxar as importações de 60 países, dentre eles o Brasil, em tarifas adicionais de 10% ou 12,5%. O motivo: falhas no combate ao comércio de produtos fabricados com trabalho forçado.

Ao rebater as acusações, o governo brasileiro afirmou que as medidas visam apenas encobrir ações de protecionismo unilateral dos EUA e que o país poderá recorrer via Lei de Reciprocidade.

Reação da base do governo

E a resposta já está em curso. Deputados federais da base do governo Lula viajaram aos EUA para se contrapor à articulação da família Bolsonaro junto à Casa Branca e pedir ajuda da oposição ao governo Trump contra o tarifaço imposto ao Brasil.

A viagem acontece cerca de dez dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, se reunir com o presidente Donald Trump em Washington - encontro que antecedeu o anúncio da Casa Branca de novas tarifas comerciais sobre o Brasil.

Depois de ter capitalizado em cima de outra decisão do governo americano, que passou a classificar as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações narcoterroristas, Flávio agora tenta se livrar do desgaste de ser associado a mais um tarifaço com digitais da família Bolsonaro.

A comitiva que desembarcou em Washington é composta por Pedro Uczai (SC), líder do PT na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), André Janones (Rede-MG) e Pedro Campos (PSB-PE). Apesar de prever encontros com parlamentares democratas para discutir aspectos técnicos como combate ao crime organizado e relações comerciais, a agenda tem um simbolismo eleitoral.

Os brasileiros dizem ter levado informações públicas, reportagens, documentos e bases de dados para pedir aos democratas ajuda com a investigação de uma suposta rede criminosa nos Estados Unidos, vinculada a Daniel Vorcaro (dono do extinto Banco Master), a estruturas financeiras relacionadas à Reag, a fundos sob suspeita de conexção com lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) e a “agentes políticos associados à família Bolsonaro”.

Além do foco em Flávio, a viagem mira outros dois pontos de desgaste ao Palácio do Planalto, o crime organizado e as tarifas. "Nós vamos pedir várias coisas. Estamos trazendo insumos, documentos, dados sobre o Brasil. Precisamos intensificar a cooperação, não a intervenção. Queremos pedir o cancelamento das tarifas contra o Brasil", afirmou Jandira Feghali no mesmo vídeo.

A ideia, segundo eles, é ter ajuda dos congressistas americanos para apurar a possível contaminação de recursos que circularam entre Vorcaro, Master e fundos vinculados à Reag Investimentos com estruturas mencionadas em investigações sobre lavagem de dinheiro atribuída ao PCC.

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