Casal transforma academia 60+ em franquia e já fatura mais de R$ 2 milhões
Arquivo pessoal
São Paulo - Quando o fisioterapeuta Marcos Jader e a administradora Marília Portugal perceberam, ainda em 2017, que a pirâmide etária brasileira estava mudando, decidiram apostar tudo em um negócio até então inexistente em Itabuna, na Bahia: uma academia pensada exclusivamente para pessoas com mais de 60 anos.
O projeto, que começou com uma única unidade, se expandiu e deu origem à Reativare. Com mais de mil alunos, a empresa faturou mais de R$ 2 milhões em 2025 e projeta alcançar 50 unidades no Brasil até 2027. Atende principalmente mulheres aposentadas com mais de 60 anos, e tem até centenários matriculados.
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Ao VIVA, o casal contou que a experiência acumulada ao longo de anos atendendo pessoas idosas foi a base para criar um método especializado em exercícios físicos adaptados às necessidades desse público.
"Há 10 anos, as pessoas já percebiam que o número de idosos estava crescendo. A gente queria montar algo diferenciado para esse público, com características que gerassem um diferencial em relação ao mercado", conta Marcos Jader, que é fisioterapeuta especializado em ortopedia e traumatologia.
Antes de empreender, nos 25 anos em que atendeu pacientes idosos com dores crônicas e problemas articulares, ele percebeu um padrão que se repetia: os pacientes melhoravam durante o tratamento, mas voltavam a apresentar as mesmas queixas meses depois.
A causa, segundo ele identificou, não estava na fisioterapia em si, mas na ausência de um acompanhamento voltado ao fortalecimento muscular após o fim do tratamento.
A partir dos 40 anos, a gente começa a perder massa muscular, e essa perda é muito mais significativa nos idosos. Na fisioterapia, a gente não via um foco tão direcionado para o ganho de massa e força muscular. Foi quando pensamos em montar a academia".
O casal notou que as academias convencionais de Itabuna não ofereciam estrutura adequada para receber esse público. Os equipamentos exigiam esforços físicos incompatíveis com as limitações de pessoas mais velhas, e a ausência de acompanhamento especializado aumentava o risco de lesões. Assim, os idosos frequentavam pouco tempo esses espaços.
Economia até no casamento
A Reativare foi fundada com um investimento inicial de cerca de R$ 200 mil, valor que incluiu a reforma do imóvel onde a primeira unidade funcionaria. O dinheiro veio de uma indenização recebida por Marcos Jader após deixar um cargo de professor em uma faculdade.
Para viabilizar o negócio, o casal abriu mão de gastos considerados convencionais. A festa de casamento foi substituída por uma cerimônia civil simples, reunindo 15 convidados em um restaurante. A mobília do primeiro apartamento também ficou reduzida ao essencial.
"Fomos morar de aluguel e também vendemos nosso carro. Não compramos mais nada para a casa, além da cama, literalmente. O resto foi presente. Começamos a vida praticamente só com isso", relata Marília.
Depois de um início de crescimento consistente entre 2018 e 2019, a Reativare enfrentou a paralisação forçada pela pandemia de Covid-19. Com as portas fechadas por meses, a base de clientes despencou de mais de cem alunos para apenas 17 quando a reabertura foi possível, em meio a despesas fixas como aluguel e salários de funcionários.
A recuperação começou em 2021 e nos dois anos seguintes a empresa ampliou o espaço físico da unidade original em Itabuna. A etapa seguinte do negócio foi a transformação em rede de franquias.
A decisão de franquear a marca não partiu de um plano estratégico inicial, mas de uma demanda recorrente identificada junto aos próprios alunos, relata o casal. Clientes que viajavam para visitar filhos em outras cidades perguntavam com frequência se a Reativare já tinha unidades fora de Itabuna, presumindo que se tratava de uma rede nacional.
O casal formalizou o processo de franquia em 2024, com apoio do Sebrae e de uma consultoria privada especializada em franchising (sistema de franquias). A estruturação envolveu a criação de manuais operacionais, processos padronizados e toda a documentação jurídica exigida pela legislação de franquias no Brasil.
A transição de administrar uma única unidade para dar suporte a franqueados em diferentes cidades representou, segundo os fundadores, um dos maiores desafios do negócio, exigindo adaptação a realidades locais distintas e a formatação de processos replicáveis.
"Uma coisa é ter o processo de uma unidade, outra é estruturar tudo para um modelo de franquias. A própria transição e a formatação do negócio foram totalmente novas para a gente. Foi um processo desafiador, mas muito enriquecedor, porque aprendemos bastante sobre esse universo", diz Marília.
Exercícios com acompanhamento
O modelo de negócio da Reativare se baseia em três pilares principais: o primeiro é o uso de equipamentos ergonômicos, adaptados para reduzir o esforço físico necessário para sentar, levantar e operar os aparelhos, ao contrário dos equipamentos tradicionais de academia.
O segundo pilar é o monitoramento de saúde. Antes e depois de cada sessão de exercícios, pressão arterial e frequência cardíaca dos alunos são verificadas, com protocolo de assistência para casos de isquemia, quando necessário.
O terceiro pilar é a proporção entre profissionais e alunos: cada instrutor atende, no máximo, três clientes por hora, o que permite treinos individualizados dentro do ambiente coletivo da academia.
Além dos desafios financeiros, Marcos e Marília afirmam que aprenderam a separar, ao longo do tempo, a rotina da empresa e da vida pessoal. Nos primeiros anos, ambos acumulavam todas as funções, desde a limpeza da unidade até o atendimento aos clientes.
No início, era muito mais difícil, mas com o tempo fomos adquirindo maturidade, discernimento e sabedoria para lidar . Claro que existem momentos de tensão, porque somos muito diferentes", conta Marília.
Atualmente, a unidade matriz em Itabuna conta com cerca de 15 colaboradores, o que permitiu ao casal direcionar o tempo para a gestão da expansão da marca.
A divisão de papéis entre os dois segue perfis complementares: Marcos concentra a função de idealizar novas frentes do negócio, enquanto Marília atua na organização e na gestão administrativa.
Planos de franquia
Com a perspecitiva de novas unidades, a franqueadora espera elevar o faturamento de R$ 2 milhões em 2025 para cerca de R$ 3,5 milhões no encerramento de 2026.
A meta da rede é fechar o ano com pelo menos dez unidades em operação, partindo das quatro atuais - Itabuna (BA), Uberlândia (MG), Itumbiara (GO) e, a partir de outubro, Feira de Santana (BA) - além de negociações para Salvador e Vitória da Conquista, ambas na Bahia, e conversas em outros Estados. Para o final de 2027, a expectativa dos fundadores é alcançar 50 unidades distribuídas pelo País.
A rede oferece atualmente duas modalidades de franquia. O modelo "Estúdio" é voltado para cidades a partir de 50 mil habitantes, com investimento menor e espaço mais compacto. Já o modelo "Gym", de maior porte, é indicado para cidades a partir de 100 mil habitantes, com estrutura ampliada e Com mais equipamentos.
A escolha entre os dois modelos não segue rigidamente o critério populacional. Uberlândia, cidade com mais de 700 mil habitantes, optou pelo modelo "Estúdio", enquanto Itumbiara, com pouco mais de 100 mil habitantes, escolheu o modelo "Gym". A decisão final cabe ao franqueado, considerando também o perfil de investimento disponível. Segundo os fundadores, o tempo médio de retorno do investimento para os franqueados varia entre 18 e 24 meses.
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