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Força Nacional inicia trabalhos para conter epidemia de chikungunya em MS

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Força Nacional do SUS é mobilizada para o combate a  epidemia de Chikungunya em aldeias indígenas - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Força Nacional do SUS é mobilizada para o combate a epidemia de Chikungunya em aldeias indígenas
Por Marcel Naves

19/03/2026 | 08h45 ● Atualizado | 08h46

Campo Grande - A Força Nacional do Sistema Único de Saúde - FN-SUS iniciou nesta quinta-feira  (19) os esforços conjuntos para combater a epidemia de chikungunya que atinge aldeias em Dourados, cidade situada a cerca de 200 km da capital Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. A doença  já provocou quatro mortes e soma centenas de casos confirmados e sob investigação na mesma região.

O quarto falecimento  de acordo com a secretaria municipal de saúde de Dourados, é de uma mulher de 60 anos com comorbidades, que faleceu na quinta-feira (12).Uma semana antes, um bebê de apenas três meses tambem morreu. As outras vitimas são pessoas idosas de 69 e 73 anos.

Segundo a prefeitura de Dourados  das quatro mortes confirmadas três foram na aldeia Jaguapiru e uma na aldeia Bororó. Ao todo são mais de 400 casos notificados nas reservas dos quais mais de 200 foram confirmados. A área é considerada a maior reserva urbana do Brasil, com cerca de 3,5 mil  hectares e mais de 15 mil habitantes.

Desde o início de março o Ministério da Saúde acompanha a situação  epidemiológia em Dourados e municipios próximos. Cerca de 100 agentes de saúde e de endemias já visitaram mas de 2,2 mil residências em aldeias das localidades onde foram realizados multirões de limpeza para coleta de resíduos e eliminação de possíveis criadouros do mosquito transmissor aedes aegypti. 

O Distrito Sanitário Especial Indigena Mato Grosso do Sul promove a instalação de ovitrampas (armadilhas para captura de ovos de Aedes Aegypti) na região e realiza estratégias de educação  em saúde por meio dos agentes indigenas de saneamento, informa o ministério em nota.

Leia também: São Paulo começa projeto-piloto de vacinação contra chikungunya no interior

A doença se alastra na região

Dados do governo de Mato Grosso do Sul mostram que entre 7 e 17 de março, o número de casos prováveis subiu 7,89 no Estado. Eram 2.446 registros, que saltaram para 2.639. Mato Grosso do Sul segue liderando a incidência nacional de chikungunya, com 90,2 casos prováveis  a cada 100 mil habitantes. No Brasil a incidêcnia é de apenas 7,8.

O Estado fechou 2025 com 14.096 casos prováveis  da doença, seis vezes mais que em 2024 e o dobro da soma dos últimos dez anos.

Escola vira hospital 

A Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, localizada dentro da aldeia Jaguapiru, passou a funcionar como um hospital de campanha para o enfrentamento da doença. A estrutura foi montada na quadra da unidade e os atendimentos tiveram  início na última terça-feira (17). 

As instações foram implantadas  pela  Secretaria Especial de Saúde Indígena - Sesai em parceria com a Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD. Para reforçar o atendimento, profissionais das cidades de Campo Grande e Caarapó também foram mobilizados.

A estrutura conta com equipe multiprofissional, incluindo médico, enfermeiro, técnicos de enfermagem, farmacêutico, fisioterapeuta e psicólogo. Os atendimentos ocorrem das 7h às 19h, mas podem se estender enquanto houver pacientes. Casos mais graves estão sendo encaminhados para o Hospital da Missão Evangélica Caiuá, enquanto gestantes e crianças seguem para o HU-UFGD.

Leia também: Ministério da Saúde pede incorporação da primeira vacina contra chikungunya ao SUS

O que é FN-SUS

É um programa que atua para responder rapidamente a situações emergenciais que afetam a saúde da população. Criada em 2011 pelo decreto que dispõe sobre a declaração de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional - ESPIN, a Força pode ser convocada pelo ministro da Saúde, estados, municípios, para integrar ações humanitárias e em resposta internacional coordenada.

Desde a sua criação, a Força realizou diversas missões, entre elas: Incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS); Rompimento de barragens em Mariana e Brumadinho; Pandemia de Covid-19; Surtos de dengue e síndromes gripais; Enchentes e deslizamentos em Pernambuco (2022) e na Bahia (2021 e 2022); Fluxo migratório de venezuelanos (Operação Acolhida); Crise de desassistência no território Yanomami; Enchentes como no Rio Grande do Sul (2023 e 2024); Apoio a eventos de massa — Círio de Nazaré, Rio+20, Copa do Mundo, Olimpíadas 2016 e Jogos Mundiais Indígenas; Atendimento  aos Estados e municípios afetados pelas queimadas e secas (2024).

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