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Guerra no Irã paralisa produção de hélio e ameaça cadeia de suprimento global

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A indústria espacial usa hélio para purgar tanques de combustível de foguetes, - Adobe Stock
A indústria espacial usa hélio para purgar tanques de combustível de foguetes,
Por Broadcast

21/03/2026 | 17h22

Londres, Dubai e São Paulo - O ataque do Irã nesta semana à instalação de exportação de gás natural do Catar ameaça não apenas os mercados mundiais de energia, mas também as cadeias de suprimento tecnológico global, pois o hélio que produz é crucial para uma variedade de indústrias avançadas. O hélio é um insumo-chave na fabricação de chips, foguetes espaciais e imagens médicas.

 O Catar fornece um terço do hélio mundial, de acordo com o Serviço Geológico dos EUA, mas o país teve que interromper a produção logo após a eclosão da guerra há três semanas.

Leia também: Trump rejeita cessar-fogo com Irã e minimiza fechamento de Ormuz

Os últimos ataques iranianos contra a infraestrutura de produção de energia da região aumentaram as preocupações com o fornecimento, com a empresa estatal de gás do Catar dizendo que reduziria as exportações de hélio em 14%.

Preços aumentam 

Nesse cenário, os preços à vista do hélio dobraram desde que a crise eclodiu e a previsão é que, provavelmente,  subirão ainda mais. A escassez ainda não atingiu o mercado, porque contêineres de hélio que teriam sido preenchidos quando o conflito eclodiu no início de março ainda levariam várias semanas para chegar à Ásia.

O hélio é essencial para a fabricação de semicondutores, incluindo os chips de ponta usados para modelos de inteligência artificial produzidos em fábricas de fabricação asiáticas.

A indústria médica usa hélio para resfriar ímãs supercondutores que alimentam máquinas de ressonância magnética.

E a indústria espacial usa hélio para purgar tanques de combustível de foguetes, uma demanda que deve crescer devido a lançamentos mais frequentes por empresas como SpaceX e Blue Origin.

Ataque a instalações nucleares

O Irã informou que sua instalação de enriquecimento nuclear de Natanz foi atingida em um ataque aéreo no sábado, conforme relatado pela agência de notícias oficial iraniana Mizan. Não houve vazamento de radiação, segundo a agência.  A guerra no Oriente Médio entra em sua quarta semana.

Natanz, o principal local de enriquecimento do Irã, foi atingido na primeira semana da guerra e vários edifícios pareceram danificados, de acordo com imagens de satélite. O órgão de vigilância nuclear das Nações Unidas havia dito que "nenhuma consequência radiológica" era esperada daquele ataque anterior.

A instalação nuclear, localizada a cerca de 220 quilômetros a sudeste de Teerã, também já havia sido alvo de ataques aéreos israelenses na guerra de 12 dias entre Irã e Israel em junho de 2025, e pelos Estados Unidos.

O ataque ocorre um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que estava considerando "reduzir" as operações militares no Oriente Médio, mesmo enquanto os Estados Unidos enviam três navios de assalto anfíbios adicionais e cerca de 2.500 fuzileiros navais para a região.

A postagem de Trump na sexta-feira nas redes sociais seguiu uma ameaça iraniana de atacar locais recreativos e turísticos em todo o mundo e mais um dia de ataques aéreos, drones e mísseis que engolfaram a região.

Declaração conjunta

O governo dos Emirados Árabes Unidos publicou, em sua conta no X, uma declaração conjunta com, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Japão, Canadá, República da Coreia, Nova Zelândia, Dinamarca, Letônia, Eslovênia, Estônia, Noruega, Suécia, Finlândia, República Tcheca, Romênia, Bahrein, Lituânia e Austrália sobre o Estreito de Ormuz, por onde passa mais de 20% da produção mundial de petróleo.

"Condenamos veementemente os recentes ataques do Irã contra embarcações comerciais desarmadas no Golfo, os ataques contra infraestrutura civil, incluindo instalações de petróleo e gás, e o fechamento de fato do Estreito de Ormuz pelas forças iranianas", disse o comunicado.

Segundo o documento, os países pedem que se cumpra a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que condena os ataques realizados pelo Irã contra estados do Golfo e a Jordânia, e exige que o país persa pare com as ameaças à segurança marítima, particularmente no Estreito de Ormuz.

Base área do Reino Unido

A Grã-Bretanha condenou "os ataques imprudentes do Irã" depois que seu exército disparou mísseis contra a base aérea do Reino Unido-EUA na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico.

 As autoridades britânicas não deram detalhes sobre a tentativa de ataque, que foi mal-sucedida. E não se sabe o quão perto os mísseis chegaram da base, que fica a cerca de 2.500 milhas (4.000 quilômetros) do Irã.

(Com Ana Paula Machado)

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