Guerra no Irã pode elevar preços dos alimentos no mundo inteiro, diz FAO
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São Paulo - A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou nesta quarta-feira que o prolongamento do embargo no Estreito de Ormuz pode dar início a um choque sistêmico no setor agroalimentar global, com potencial para uma severa crise nos preços dos alimentos em uma janela de 6 a 12 meses.
Segundo o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, a janela para ações preventivas por parte de governos, organismos internacionais e do setor privado está se estreitando rapidamente. O Índice de Preços de Alimentos da FAO já registrou alta pelo terceiro mês consecutivo em abril, pressionado pelos custos de energia e pelas turbulências no Oriente Médio.
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O órgão destaca que o desabastecimento se propaga de forma sequencial, iniciando na alta do petróleo e dos fertilizantes, passando pela redução de produtividade no campo até culminar na inflação direta ao consumidor, um cenário agravado pela iminência de um evento El Niño forte.
Para mitigar os efeitos desse desafio logístico, o diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, David Laborde, recomendou a busca imediata por rotas marítimas e terrestres alternativas que contornem Ormuz, utilizando corredores pela Península Arábica, Arábia Saudita e Mar Vermelho.
O plano de ação emergencial da entidade orienta os países a evitarem barreiras econômicas e restrições às exportações de insumos e combustíveis, além de sugerir o cultivo consorciado de cereais e leguminosas para diminuir a dependência de adubos nitrogenados.
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No campo da proteção social e financeira, a FAO propõe a ativação de programas de transferência de renda com foco nas populações rurais por meio de cadastros digitais e defende a reativação da Janela de Choque Alimentar para subsidiar a importação de fertilizantes.
Além disso, a entidade sugere a expansão de linhas de crédito emergenciais de baixo custo para pequenas e médias empresas do agronegócio, com carência de seis a nove meses e cronogramas de pagamento atrelados aos períodos de colheita.
Em uma perspectiva de longo prazo, a organização defende a diversificação global de portos, rotas e sistemas de armazenamento para reduzir a dependência de pontos geográficos críticos do comércio internacional.
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As diretrizes sugerem a transição energética no campo por meio da substituição do diesel por sistemas elétricos e solares na irrigação de lavouras, além da modernização das fazendas com o uso de maquinário eletrificado, drones e ferramentas de agricultura de precisão.
O monitoramento e o mapeamento digital do solo em coordenação com as indústrias de fertilizantes são apontados como fundamentais para aumentar a eficiência dos nutrientes e evitar desperdícios.
A FAO recomenda, ainda, o fomento a fundos de inovação voltados ao desenvolvimento de amônia verde e bioestimulantes para recompor a resiliência macroeconômica das nações vulneráveis diante de futuras adversidades climáticas e geopolíticas.
(Por Guilherme Nannini)
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