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Inflação fica em 0,58% em maio, pressionada por alimentos e conta de luz

Valter Campanato/Agência Brasil

Alimentação e bebidas teve a maior alta do mês, com avanço de 1,33% - Valter Campanato/Agência Brasil
Alimentação e bebidas teve a maior alta do mês, com avanço de 1,33%
Por Pedro Marques

12/06/2026 | 10h01

São Paulo - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, avançou 0,58% em maio. O resultado ficou 0,09 ponto percentual abaixo da taxa de 0,67% registrada em abril, segundo dados divulgados pelo IBGE.

Com o resultado, o IPCA acumula alta de 3,20% no ano. Já nos últimos 12 meses, a inflação chegou a 4,72%, variação acima do teto da meta de inflaçao e superior aos 4,39% registrados no período imediatamente anterior. Em maio de 2025, a variação havia sido de 0,26%.

Entre os grupos pesquisados, Alimentação e bebidas teve a maior alta do mês, com avanço de 1,33% e impacto de 0,29 ponto percentual, respondendo sozinho por metade do índice de maio. Na sequência aparecem Habitação, com alta de 1,22% e impacto de 0,18 ponto percentual, e Saúde e cuidados pessoais, que subiu 0,90% e contribuiu com 0,12 ponto percentual.

A inflação dos alimentos foi impulsionada principalmente pelos preços da alimentação no domicílio, que avançaram 1,65%. Entre os produtos com maiores aumentos estão a batata-inglesa (44,69%), o tomate (20,62%), a cebola (16,80%) e as carnes (1,39%). Em contrapartida, houve redução nos preços do café moído (-2,38%) e das frutas (-0,70%).

Já a alimentação fora de casa registrou alta de 0,49%. O preço dos lanches desacelerou de 0,71% em abril para 0,49% em maio, enquanto as refeições passaram de 0,54% para 0,51% no mesmo período.

Outros grupos

Os demais grupos apresentaram variações entre a queda de 0,46% em Transportes — único resultado negativo do mês — e a alta de 0,62% em Vestuário.

No grupo Habitação, o destaque foi a energia elétrica residencial, que subiu 3,67% e teve o maior impacto individual no resultado do mês, com contribuição de 0,15 ponto percentual. O avanço reflete reajustes tarifários aplicados em diversas cidades do país, como Aracaju, Fortaleza, Salvador, Campo Grande, Recife e Belo Horizonte.

Além dos reajustes, em maio esteve em vigor a bandeira tarifária amarela, que acrescentou R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos nas contas de luz.

Em Saúde e cuidados pessoais, a alta de 0,90% foi puxada pelos artigos de higiene pessoal, que subiram 1,95%, com destaque para os perfumes, que ficaram 4,42% mais caros. Os planos de saúde também registraram aumento de 0,50%.

O grupo Transportes ajudou a conter a inflação do mês ao recuar 0,46%, influenciado principalmente pela queda de 1,95% nos combustíveis. O etanol passou de alta de 0,62% em abril para queda de 6,20% em maio. O óleo diesel saiu de 4,46% para retração de 2,34%, enquanto a gasolina, item com maior impacto negativo no índice do mês (-0,08 ponto percentual), caiu 1,46% após ter avançado 1,86% em abril.

O gás veicular seguiu na direção oposta e registrou alta de 5,81%, revertendo a queda de 1,24% observada no mês anterior.

Ainda no grupo Transportes, as passagens aéreas subiram 3,20% em maio, após recuo de 14,45% em abril. O ônibus urbano avançou 0,43%, refletindo mudanças relacionadas a gratuidades e descontos tarifários aos domingos e feriados em cidades como São Paulo, Salvador, Belém, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Vitória e Fortaleza.

O metrô teve alta de 0,19%, influenciado pela incorporação das gratuidades em Brasília. Já o ônibus intermunicipal avançou 0,16%, impactado por reajustes tarifários em Rio Branco e Campo Grande.

Entre as regiões pesquisadas, Aracaju e Campo Grande registraram as maiores variações do IPCA em maio, ambas com alta de 1,31%. O resultado foi influenciado principalmente pelos aumentos da energia elétrica residencial e do tomate. Curitiba apresentou a menor inflação do período, com avanço de 0,29%, favorecida pelas quedas nos preços da gasolina e das taxas de emplacamento e licenciamento.

Calculado pelo IBGE desde 1980, o IPCA mede a variação de preços para famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. O indicador abrange dez regiões metropolitanas do país, além dos municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.

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