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Inflação sobe mais para famílias pobres e perde força entre ricos, diz Ipea

Joédson Alves/Agência Brasil

Inflação das famílias de renda muito baixa foi de 0,92% em abril - Joédson Alves/Agência Brasil
Inflação das famílias de renda muito baixa foi de 0,92% em abril
Por Pedro Marques

21/05/2026 | 10h49

São Paulo - A inflação perdeu força em abril para quase todas as faixas de renda no País, mas continuou avançando entre as famílias mais pobres. É o que mostra o Indicador de Inflação por Faixa de Renda, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Segundo o levantamento, a inflação das famílias de renda muito baixa — com rendimento mensal inferior a R$ 2.299,82 — passou de 0,85% em março para 0,92% em abril. Já entre os brasileiros de renda mais alta, com ganhos acima de R$ 22.998,22 por mês, houve desaceleração expressiva: a taxa caiu de 0,85% para 0,24%.

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Mesmo com uma pressão menor da alimentação dentro de casa, o aumento da conta de luz e dos produtos farmacêuticos acabou elevando o custo de vida para a população de menor renda.

Nas demais faixas, o alívio veio principalmente do grupo de transportes. A desaceleração dos combustíveis, além da queda nas tarifas de ônibus urbano, dos serviços de transporte por aplicativo e das passagens aéreas, ajudou a reduzir a inflação em abril.

Com os números atualizados até abril, o acumulado de 2026 mostra que as famílias de baixa renda registram a maior inflação do ano, com taxa de 2,66%. No outro extremo, a população de renda alta apresenta a menor variação no período, de 2,44%.

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No recorte dos últimos 12 meses, o cenário muda: As famílias de renda muito baixa acumulam inflação de 3,83%, a menor entre as categorias analisadas. Entre os domicílios de renda alta, a taxa chega a 4,95%, a maior do levantamento.

Os maiores impactos inflacionários de abril vieram dos grupos Alimentos e bebidas e Saúde e cuidados pessoais. Entre os alimentos, subiram itens importantes da cesta básica, como arroz (2,5%), feijão carioca (3,5%), batata (6,6%), carnes (1,6%), ovos (1,7%) e leite (13,7%).

No segmento de saúde, pesaram os reajustes dos medicamentos (1,8%), produtos de higiene pessoal (1,6%) e serviços médicos (1,0%).

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Para as famílias de renda mais alta, a queda de 14,5% nas passagens aéreas e de 2,2% nas tarifas de transporte por aplicativo ajudou a aliviar o orçamento no mês.

Na comparação com abril de 2025, todas as faixas de renda registraram aceleração da inflação em 2026. Ainda assim, o impacto foi mais intenso sobre a população com menor poder de compra.

De acordo com o Ipea, além dos alimentos consumidos no domicílio, que passaram de alta de 0,83% em 2025 para 1,6% neste ano, o avanço da tarifa de energia elétrica (0,72%) e dos combustíveis (1,8%) também contribuiu para aumentar a pressão inflacionária. No ano passado, esses itens haviam registrado deflação de 0,08% e 0,45%, respectivamente.

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