Lula defende fim da escala 6x1: trabalhador precisa de mais 'comodidade'
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Brasília e São Paulo, 04/03/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira, 3, uma mudança na jornada de trabalho para garantir mais “comodidade” e “prazer” aos trabalhadores.
Ao mesmo tempo, disse ser preciso entender que “há especificidades” entre as diferentes categorias e que um entregador pode querer uma escala diferente da de um sindicalista, acrescentou o presidente durante a abertura da 2ª Conferência Nacional do Trabalho (CNT), em São Paulo.
Foi um discurso mais pacificador e menos voltado ao que a militância petista normalmente defende e aplaude. A fala do presidente foi mais voltada às diferentes demandas da sociedade (dos trabalhadores e dos empresários) do que o de autoridades que o antecederam, como o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.
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“O que nós estamos tentando é construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e a trabalhadores, que interessa ao País para dar mais comodidade nesse mundo nervoso para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, tenham mais tempo de ficar com a família, tenham mais tempo de descansar”, disse o presidente.
“Possivelmente a jornada que os entregadores de pizza querem é uma diferente daquela que os trabalhadores querem na Volkswagen ou a na Mercedes-Benz. Então, não é preciso a gente carimbar todo mundo na mesma coisa. O que é preciso é a gente garantir que todos sejam premiados em função da sua realidade. Porque senão, a gente vai ficar no mesmo”, afirmou.
A modulação no discurso de Lula é uma forma de atingir também outra parcela do eleitorado: aqueles que se veem mais como microempreendedores do que trabalhadores. É a mesma lógica que o presidente passou a seguir ao defender a regulação da atividade dos trabalhadores de aplicativo, por exemplo.
Qual é a jornada ideal? Para muitas categorias, há jornadas diferenciadas, e nós temos que encontrar o que é bom para cada um.”
O petista disse que a mudança na jornada de trabalho vai ser discutida na Câmara e no Senado e “vai sair alguma coisa”. Afirmou que será uma mudança boa se for “resultado de um acordo entre empresários, trabalhadores e governo”.
Há 20 anos, os empresários se utilizavam muito da força do Estado para prejudicar os trabalhadores. Nós não iremos contribuir para prejudicar os trabalhadores. Também não queremos contribuir com o prejuízo da economia brasileira.”
Lula completou: “Nós queremos contribuir para que de forma bem pensada, bem harmonizada, a gente possa encontrar uma solução”.
Ao mesmo tempo, o presidente criticou a desigualdade existente nas plataformas de entregas de refeições e outros produtos e de transporte. Disse que há “empresários hoje das plataformas que têm mais dinheiro do que o PIB de muitos países pobres, e isso não é justo”. Afirmou, também, que há pessoas que “recebem dividendos, esses também não pagam imposto de renda”.
Os empresários sempre vêem um jeito de escapar. Quem não consegue escapar é a pessoa que recebe o holerite no final do mês.”
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