Lula fala sobre inflação, emprego e regularização das Big Techs
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva argumentou que apesar dos números positivos ligados ao mercado de trabalho e à inflação, a pauta não é bem avaliada pela população. Para o chefe do Executivo, isso se dá porque, apesar de serem favoráveis, ainda são vistos como pouco para o povo depois de dois mandatos do petista que trouxeram essas benesses para os brasileiros. Esta avaliação foi feita durante entrevista concedida ao podcast brasileiro Calma Urgente! ainda em Barcelona, em viagem para Europa.
Quem governa, tem de levar em conta a existência de um Poder Judiciário, a correlação de forças do Congresso Nacional, a capacidade de organização da sociedade para você construir as coisas.”
Para o presidente, do ponto de vista de conquistas alcançadas, os atuais três anos e quatro meses da atual administração apresentaram um resultado muito maior do que os primeiro e segundo mandato. “A diferença é que naquele tempo era a primeira vez, tá? Então você não tinha nada. Agora, nós tivemos que reconquistar para fazer a mesma coisa, porque eles tinham destruído o que nós fizemos”, apontou.
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Após citar várias áreas que, segundo o presidente, tiveram de ser reconstruídas, e ganhos para a população, como massa salarial recorde e inflação acumulada em quatro anos no menor nível, Lula concluiu: “Tudo isso, a gente percebe, não é sentido porque isso é pouco diante da necessidade do povo. Eu sei que o povo precisa mais. Eu sei que ele precisa ganhar mais.”
Big Techs
O presidente mostrou otimismo em relação ao processo de regulação das Big Techs “da melhor forma possível”, ainda que o debate esteja travado no Congresso Nacional. Para ele, o assunto não pode estar relacionado ao debate de que haveria limites para a liberdade de expressão e nem à promiscuidade.
Durante a entrevista o chefe do Executivo comemorou também a aprovação do ECA Digital.
A regulação, necessariamente, não está proibindo as pessoas de falarem. Não tem nada a ver com liberdade de expressão”, disse. Em outro momento da entrevista, complementou: “A gente tem que ter a regulação, claro. A sociedade civil tem que estar satisfeita com o funcionamento das redes digitais.”
Esquerda precisa lidar com mudanças
O presidente avaliou que a esquerda brasileira também precisa aprender a lidar com os novos anseios do trabalhador, após as mudanças nas relações do trabalho.
“Não podemos pegar um conjunto de brasileiros e brasileiras que querem trabalhar de um outro jeito e brigar com eles, ou se eles quiserem trabalhar daquele jeito. A opção é tentar mostrar a ele que o que queremos é garantir um sistema de segurança. Nós queremos segurar uma jornada mínima de trabalho. Eles têm que ter uma jornada que não seja escravocrata.”
Lula citou como exemplo o caso de entregadores, que não têm a intenção de pagar o INSS, mas que correm o risco de se machucarem durante o trabalho.
Quando a gente é muito jovem, a gente acha que o mundo não vai ter problema nenhum. A gente nem pensa em aposentadoria. Daqui a pouco a gente chega aos 50, começa a pensar.”
(Por Célia Froufe)
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