Nasa: missão Artemis II leva a partir de hoje 4 astronautas em expedição lunar
Kim Shiflett / Nasa
São Paulo - Em uma reminiscência dos tempos do programa Apollo, a missão Artemis II da Nasa envia hoje quatro astronautas em uma expedição lunar. Eles irão percorrer milhares de quilômetros além da Lua, farão uma curva em U e retornarão em linha reta.
Nada de orbitar a Lua, nada de caminhada lunar - apenas uma rápida ida e volta com duração inferior a dez dias.
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A Nasa promete mais pegadas na poeira lunar cinzenta, mas não antes de algumas missões de treinamento. O próximo voo de teste dos astronautas do programa Artemis, Reid Wiseman, Victor Glover Christina Koch e Jeremy Hansen, é o primeiro passo para, desta vez, colonizar a Lua.
Tripulação diversificada e lançamento
Os astronautas do programa Artemis formam uma tripulação diversificada e internacional. A Lua está prestes a receber sua primeira mulher, sua primeira pessoa não branca e sua primeira pessoa não americana, o canadense Hansen. Ele têm entre 47 anos e 50 anos de idade.
O novo foguete Space Launch System (SLS) da Nasa tem 98 metros (322 pés) de comprimento, sendo mais curto que o foguete Saturno V do programa Apollo, mas mais potente na decolagem graças a um par de propulsores laterais. No topo do foguete está a cápsula Orion que transporta os astronautas.
Construído com motores e outras peças reaproveitadas de ônibus espaciais, o SLS utiliza o mesmo combustível - hidrogênio líquido - que os ônibus espaciais usavam. Vazamentos de hidrogênio repetidamente impediram os voos dos ônibus espaciais, bem como o primeiro teste do foguete SLS sem astronautas a bordo em 2022. Uma repetição dos problemas com o fluxo de hélio adiou a missão Artemis para abril.
Ponto mais distante da Terra
Após a decolagem, os astronautas passarão as primeiras 25 horas orbitando a Terra em uma órbita alta e assimétrica. E se tudo correr conforme o planejado, o motor principal da Orion impulsionará a tripulação até a Lua, a cerca de 393.000 quilômetros de distância.
No sexto dia de voo, a Orion atingirá seu ponto mais distante da Terra, navegando 8.000 quilômetros além da Lua. Isso superará o recorde de distância da Apollo 13, tornando os astronautas do programa Artemis os viajantes mais remotos.
Após emergir de trás da Lua, a tripulação retornará diretamente para casa com um pouso na água no décimo dia de voo - nove dias, uma hora e 46 minutos após o lançamento.
O que esperar
A tripulação da Artemis II poderá contemplar regiões nunca antes vistas do lado oculto da Lua. Eles têm estudado mapas e imagens de satélite do lado oculto da Lua e antecipam uma verdadeira maratona de fotos.
Embora a Nasa e empresas privadas tenham se concentrado ao longo dos anos em alcançar o lado visível da Lua - o lado que está constantemente voltado para a Terra -, somente a China conseguiu pousar módulos de pouso no lado oculto.
Isso torna as observações dos astronautas sobre o lado oculto da Lua ainda mais valiosas para a Nasa.
Assim como o programa Apollo, a missão Artemis termina com um pouso na água, no Oceano Pacífico.
Avanço tecnológico
Em entrevista à Rádio Eldorado direto do complexo da Nasa na Flórida, Pedro Pallotta, especialista em Astronáutica do Canal Space Orbit, destacou a importância dos objetivos científicos da missão, com custo de cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões).
"A corrida espacial durante a Guerra Fria foi fundamental, apesar de todas as tensões geopolíticas, para o desenvolvimento de tecnologias que nós utilizamos hoje a todo momento, como até o GPS, entre outras coisas. Então, toda vez que há disputa para chegar a algum lugar novo, principalmente no universo, que é a fronteira final, vamos ter a tecnologia avançando muito rápido e trazendo melhorias para as pessoas no nosso planeta", afirmou.
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