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Onda de calor na Europa gera alertas vermelhos de risco à vida e novos recordes

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Museu do Louvre, em Paris, teve seus horários de visitação restringidos - Adobe Stock
Museu do Louvre, em Paris, teve seus horários de visitação restringidos
Por Estadão Conteúdo

24/06/2026 | 13h23 ● Atualizado | 14h02

São Paulo - Grandes partes da Europa Ocidental enfrentavam um calor intenso nesta quarta-feira, 24, com uma "cúpula de calor" trazendo condições extremas que, segundo muitos meteorologistas, poderiam representar um risco à vida.

Um dia depois de a França ter registrado o seu dia mais quente da história, o Reino Unido estava prestes a registrar a sua temperatura mais alta de junho, o que levou o serviço meteorológico nacional a emitir um alerta vermelho de saúde devido ao calor para grande parte do centro e sul de Inglaterra, bem como para o País de Gales.

Na Espanha, os últimos dois dias foram os mais quentes já registrados em um mês de junho desde o início da série histórica, em 1950.

O calor extremo já matou ao menos 52 pessoas no continente, segundo a agência Reuters, em decorrência das altas temperaturas. Na França, 48 vítimas se afogaram ao tentar se refrescar em rios, lagos e áreas costeiras. O país também registrou a morte de duas crianças por insolação. Na Espanha, dois idosos morreram após serem expostos ao calor intenso.

Reino Unido se prepara para ultrapassar 40ºC

Este é apenas o segundo alerta desse tipo emitido pelas autoridades do Reino Unido desde julho de 2022, quando as temperaturas ultrapassaram os 40ºC pela primeira vez na história. A previsão é de que a temperatura fique abaixo dos 40ºC nesta quarta-feira, mas poderá ultrapassar esse nível - considerado inimaginável até pouco tempo atrás - na quinta-feira 25.

"Os alertas vermelhos são reservados para os eventos mais severos e estamos prevendo impactos severos e significativos desta onda de calor, com prováveis consequências para a saúde de muitas pessoas, mesmo além daquelas que normalmente são mais vulneráveis ao calor", disse Mark Sidaway, vice-chefe de previsão do tempo do Met Office do Reino Unido.

Na Espanha, termômêtros chegam a 43ºC

A Espanha registrou uma temperatura média nacional de 28,17°C na terça-feira, 23, superando o recorde anterior para o mês de junho, segundo a Agência Estatal de Meteorologia (Aemet). A agência informou ainda que três dos dez dias mais quentes já observados para junho ocorreram desde o início da atual onda de calor.

Os recordes também foram observados em regiões pouco habituadas a temperaturas extremas. Na Cantábria, no norte espanhol, os termômetros atingiram 43,7°C, a maior temperatura já registrada no território.

Autoridades buscam conter os riscos

As autoridades da França, Itália e Espanha também emitiram alertas sobre os riscos do calor extremo para dezenas de milhões de pessoas.

Recordes estão sendo quebrados em toda a Europa, aparentemente todos os anos, e as autoridades lutam para adaptar suas sociedades à realidade do novo ambiente de calor.

Muitos edifícios, locais de trabalho e redes de transporte simplesmente não são adequados, já que as mudanças climáticas causadas pelo homem levam a eventos climáticos cada vez mais extremos. As projeções da agência climática da ONU indicam que os próximos cinco anos provavelmente quebrarão ainda mais recordes de calor.

"As ondas de calor estão se tornando mais frequentes, mais longas e mais intensas com as mudanças climáticas, como resultado direto dos combustíveis fósseis que estamos liberando como sociedade", disse Hayley Fowler, professora do Centro de Resiliência Climática e Ambiental da Universidade de Newcastle, no nordeste da Inglaterra.

Podemos esperar ter que lidar com cada vez mais eventos desse tipo nos próximos anos."

A França foi a mais afetada pela atual onda de calor. Na terça-feira, a média das temperaturas medidas em 30 estações meteorológicas foi de 29,8 °C, a mais recente de uma série de máximas nunca antes registradas no maior país da Europa.

Como era de se esperar, muitas das principais atrações do país, incluindo a Torre Eiffel e o Museu do Louvre em Paris, tiveram seus horários de visitação restringidos, enquanto as escolas e os horários de transporte foram alterados.

Algumas escolas na Inglaterra também fecharam devido ao calor e muitos serviços ferroviários foram cancelados, com os passageiros sendo aconselhados a evitar viagens não essenciais em áreas cobertas pelo alerta vermelho.

A Network Rail, empresa que opera a rede ferroviária britânica, alertou para "perturbações significativas" na Inglaterra e no País de Gales, devido à imposição de restrições de velocidade para minimizar os riscos de problemas relacionados ao calor, como trilhos deformados e fios elétricos aéreos caídos.

A Eurostar, que liga o Reino Unido à Europa continental através do Canal da Mancha, informou que cancelou quatro trens programados entre Londres e Paris na quarta e quinta-feira "devido à previsão de condições climáticas adversas".

O Ministério da Saúde da Itália emitiu alertas vermelhos para 16 cidades na quarta-feira, incluindo grandes centros como Roma, Milão, Florença e Turim. O alerta vermelho, denominado "bollino rosso", sinaliza uma situação de emergência que pode afetar não apenas pessoas vulneráveis, mas também adultos saudáveis.

As temperaturas podem atingir máximas de 41°C em Florença e 38°C em Milão, enquanto Roma e Nápoles devem permanecer abaixo de 36°C.

Fashionistas de Milão tentam contornar o calor

A Itália tem enfrentado altas temperaturas há dias. Jornalistas suaram durante os desfiles na capital da moda, Milão, no início desta semana. Muitos fashionistas que estavam presentes para conferir as coleções masculinas da primavera-verão de 2027 compraram ventiladores a bateria com borrifadores em quiosques do metrô.

Um dos estilistas, Philipp Plein, teve que mudar o local do desfile apenas quatro horas antes do início devido a uma falha no ar-condicionado, enquanto outros disponibilizaram ventiladores portáteis, borrifadores e até mesmo grandes guarda-chuvas como proteção contra o sol e o calor para os desfiles ao ar livre.

Os estilistas concordaram, em geral, que um homem bem-vestido ainda usa terno. O desafio era como sobreviver ao calor. A resposta foi a ventilação, com camisas sociais deixadas desabotoadas ou, em alguns casos, simplesmente dispensadas.

Prédio do Parlamento Britânico
Jornalistas que cobrem o Parlamento britânico poderão tirar seus paletós - Adobe Stock

Até os britânicos acharam que estava quente demais para usar camadas desnecessárias de roupa. Jornalistas homens que cobrem o Parlamento britânico, conhecido por suas regras rígidas, poderão tirar seus paletós na galeria de imprensa da Câmara dos Comuns nesta quarta-feira.

O alerta de calor permanece em vigor no Reino Unido até quinta-feira, com temperaturas noturnas bem acima da média.

"Se você acha que já está quente, bem, ainda não vimos nada", disse o meteorologista Alex Burkill, do Met Office, na manhã de quarta-feira.

Pausas para refrescar 

Uma das soluções propostas vem da Copa do Mundo de futebol, que está acontecendo atualmente nos Estados Unidos, Canadá e México. A Confederação Europeia de Sindicatos afirmou que os empregadores deveriam se inspirar nas pausas para resfriamento adotadas na Copa do Mundo para conceder a todos os trabalhadores intervalos remunerados e ajudá-los a se manterem seguros durante as ondas de calor.

"Os trabalhadores da construção civil, os apanhadores de frutas ou os motoristas de ônibus precisam de muito mais do que três minutos para se recuperar, mas este é um bom exemplo de como o trabalho pode ser adaptado às mudanças climáticas", disse Esther Lynch, Secretária-Geral da ETUC.

"Fazer uma pausa em altas temperaturas é uma precaução de bom senso, mas muitos empregadores se recusam a implementar essas e outras medidas necessárias, ou mesmo a discuti-las com os sindicatos, o que leva a um número crescente de mortes evitáveis em locais de trabalho europeus", acrescentou ela.

Empresas tentam se adaptar ao novo ambiente

Num grande projeto de construção que abrange o movimentado anel viário de Paris, os operários passaram a trabalhar mais cedo. Os gerentes da obra implementaram horários escalonados, com a maioria dos trabalhadores agora começando às 6h e terminando por volta das 13h.

"Assim que o sol aparecer, os trabalhadores vão aproveitar para fazer pausas a cada hora e se refrescar", disse o gerente adjunto do local, Travis Demarque.

(Com informações da Associated Press)

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