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Tenente-coronel preso por feminicídio é acusado de assédio a subordinada

Reprodução/TV Globo

Geraldo Neto foi preso um mês depois da morte da mulher e sempre sustentou que sua mulher teria cometido suicídio. - Reprodução/TV Globo
Geraldo Neto foi preso um mês depois da morte da mulher e sempre sustentou que sua mulher teria cometido suicídio.
Por Estadão Conteúdo

07/05/2026 | 18h44 ● Atualizado | 18h59

São Paulo - O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi denunciado à Corregedoria da corporação pelos crimes de descumprimento de missão, assédio sexual e moral, ameaça e fraude processual.

A notícia-crime pedindo a abertura da investigação foi protocolada pela defesa de uma soldado que era subordinada de Geraldo Neto no 49º Batalhão da PM, em Pirituba, zona norte de São Paulo. A reportagem entrou em contato com a defesa de Geraldo Neto e aguarda retorno.

O oficial também é réu pelo feminicídio da mulher dele, a também policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O crime aconteceu em 18 de fevereiro deste ano, dentro do apartamento do casal, no Brás, região central da capital paulista.

Segundo a investigação, ele matou a policial com um tiro na cabeça. Geraldo Neto foi preso um mês depois. Ele sempre negou o crime e sustenta que Gisele teria cometido suicídio após saber que o marido queria a separação. A versão é contestada por investigadores.

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A notícia-crime, à qual o Estadão teve acesso, baseia-se no relato e em uma série de mensagens que teriam sido enviadas pelo tenente-coronel à soldado, de forma insistente, no decorrer de meses.

Perícia em mensagens

As mensagens anexadas ao documento passaram por uma perícia particular, segundo o advogado Thiago Lacerda, que atua na defesa da soldado neste caso.

Em nota, a PM informou que "os fatos narrados foram registrados na Corregedoria e se encontram em apuração".

A denúncia aponta que os assédios começaram logo nas primeiras semanas do tenente-coronel no comando do batalhão onde a soldada já atuava.

Em um determinado dia, o oficial ofereceu à soldado, em uma conversa em particular na cozinha do batalhão, o cargo de secretária dele. Segundo o documento, na conversa, ele também começou a questionar sobre a vida privada da soldado.

Após algumas investidas, em 26 de junho de 2025, o tenente-coronel ficou insistindo para que a praça fosse tomar um café com ele. Em reposta, ela disse que a aproximação dele não era e nem seria correspondida.

A negativa não impediu que o oficial seguisse insistindo. Em dado momento, ela teria sido ameaçada de transferência caso não aceitasse ser a secretária dele. Por conta disso, a soldado pediu para deixar o efetivo administrativo e retornar ao patrulhamento de rua.

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"No início quando o Ten Cel PM Neto começou a mandar mensagens, ele tentou uma aproximação mostrando interesse em sua vida, acompanhado de elogios sobre a postura, fardamento, educação, etc", diz trecho do documento.

'Segundas intenções'

"Ele ainda se aproximou de pessoas que eram próximas a ela e sempre que tinha alguma reunião no batalhão, ele a chamava para conhecer a sala dele", continua. Sabendo das "segundas intenções", a soldado afirma que sempre foi na companhia de outra pessoa.

Ainda segundo a notícia-crime, o oficial continuou sendo insistente em fazer convites para a soldado. "Ela evitava qualquer tipo de contato com ele, mas ele, de forma astuta, mantinha contato com uma cabo e dois soldados que eram mais próximas a ela, para assim continuar mandando seus recados e se abrindo com elas. E essas mesmas policiais, não se sabe por qual motivo, tentavam convencê-la que o tenente-coronel gostava dela e que ele estava separado da mulher dele", aponta.

Em agosto de 2025, as mensagens passaram a ser mais explícitas, de acordo com o documento. O oficial teria começado a mandar mensagens dizendo "que a queria para ele", "que ninguém precisava ficar sabendo", que era para ser "algo em off" e disse ainda que "queria beijar a sua boca". As mensagens eram seguidas de convites para sair.

"Apesar de todas as negativas declaradas pela Soldado da PM, o Ten Cel PM Neto era insistente e tentava lhe ligar o tempo todo. Como ela não atendia e nem lhe respondia, ele insistia ainda mais, pedia para atender e conversar com ele. Mandava mensagens o tempo todo, quase todos os dias, mesmo sem ter uma resposta dela", diz outro trecho.

Flores

Em ao menos duas oportunidades, com base no documento, o tenente-coronel foi até o endereço da soldado - em uma delas com um buquê de flores. Em setembro de 2025, após insistentes ligações, mensagens e recados por terceiros, a soldado disse ao tenente-coronel que eles "nunca teriam nenhum tipo de relacionamento amoroso e afetivo, mesmo que ele viesse a se separar" e que ela só "queria respeito". Ela também pediu para que ele focasse em seu casamento.

O documento mostra também que a soldado Gisele, vítima de feminicídio, chegou a mandar mensagem para a soldado assediada sobre "uma denúncia" de que ela estava tendo um caso com o seu marido. Em março deste ano, já depois da morte de Gisele, o tenente-coronel teria tentado contato com a soldado assediada para explicar sobre o caso.

"Ela pediu para ele deixá-la em paz, pois devido às atitudes dele, o nome dela estava sendo associado como amante dele por causa de seu comportamento, agindo como um "maluco", indica o texto. O documento destaca ainda que a soldado só teve coragem de realizar a denúncia, por meio de seu advogado, após a prisão do oficial.

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