Toffoli nega ter recebido dinheiro de Vorcaro ou de Fabiano Zettel
Rosinei Coutinho/STF
Brasília, 12/02/2026 - O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli divulgou nota nesta quinta-feira em que ele nega ter recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.
"Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro", disse.
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Na nota, Toffoli também argumentou que a Maridt, empresa com suposto envolvimento com o caso do Banco Master, é familiar e que a lei não proíbe magistrados de serem sócios e receberem dividendos de pessoas físicas.
Segundo ele, a participação da empresa no resort Tayayá foi encerrada em 21 de fevereiro de 2025 e a ação referente ao banco Master sendo comprado pelo Banco de Brasília (BRB) só foi distribuída ao ministro em 28 de novembro do ano passado.
Suspeição
A Polícia Federal (PF) pediu suspeição do ministro Dias Toffoli, relator do caso da liquidação do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), após encontrar menções ao ministro em um celular do dono da instituição, o banqueiro Daniel Vorcaro.
O relatório com as descobertas foi entregue pela PF ao presidente da Corte, Edson Fachin, que pediu para Toffoli se manifestar. Em nota, o gabinete de Dias Toffoli confirmou que a PF fez o pedido, mas tratou o relatório como "ilações".
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Além de citações ao nome de Toffoli em mensagens no celular do banqueiro, o site UOL noticiou que há conversas entre o próprio Vorcaro e o ministro. A informação foi confirmada ao Estadão/Broadcast.
O gabinete acrescentou que "juridicamente a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil". A nota também diz que a resposta de Toffoli será enviada a Fachin.
Banco Master
O banco foi liquidado pelo Banco Central (BC) em novembro do ano passado. A PF apura uma fraude de R$ 12 bilhões envolvendo papéis podres do Master.
O meio jurídico já vinha defendendo que Toffoli deixasse de ser relator do caso Master por conta do envolvimento de seus parentes em negócios com fundos ligados a Vorcaro. Toffoli tem resistido a abrir mão da relatoria.
Os irmãos do ministro - o engenheiro José Eugênio Dias Toffoli e o padre José Carlos Dias Toffoli - cederam uma fatia milionária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no Paraná, ao fundo Arleen, da Reag Investimentos, investigada por abrigar teias de fundos ligados ao Master e suspeitos de sonegação bilionária no mercado de combustíveis. O ministro é frequentador do resort.
Como mostrou o Estadão/Broadcast, uma das empresas beneficiadas por investimentos do fundo Arleen é a Tayayá Administração e Participações, que foi aberta em 2011 por Mario Umberto Degani, primo do ministro.
A outra era a DGEP, também de Degani. Documentos da Junta Comercial do Paraná mostram que a fatia dos irmãos chegou a ser de R$ 1,37 milhão na Tayayá Administração e de outros R$ 5,4 milhões na DGEP Empreendimentos.
(Por Mateus Maia e Lavínia Kaucz)
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