Trump diz que o único limite a seu poder como presidente é sua própria moralidade
Reprodução/Youtube The White House
08/01/2026 | 19h31
São Paulo, 08/01/2026 - O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o único limite para o seu poder como comandante da maior economia do mundo é sua "própria moralidade", em entrevista ao The New York Times na noite de quarta-feira, divulgada hoje. Segundo o jornal, o republicano descartou preocupações com a lei internacional e outros empecilhos para suas estratégias de atacar, invadir ou coagir outros países ao redor do mundo.
"Não preciso da lei internacional", disse ele, conforme o NYT. "Não quero machucar as pessoas."
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Ao ser questionado se seu governo precisa responder à lei, Trump respondeu que sim, mas deixou claro que ele é o árbitro sobre os limites impostos aos EUA. "Tudo depende da sua definição sobre o que é a lei internacional", acrescentou.
Moralidade e mente
"Há apenas um limite. Minha própria moralidade. Minha própria mente. É a única coisa que pode me parar", frisou ele ao NYT, consolidando sua visão de que possui liberdade para utilizar qualquer instrumento militar, econômico ou político para sedimentar a supremacia americana e a força nacional.
Segundo o jornal, Trump soou mais confiante do que nunca ao citar o sucesso dos ataques contra o programa nuclear do Irã, a rapidez da deposição de Nicolás Maduro na Venezuela e seus planos para a Groenlândia. Perguntado se prioriza mais a obtenção da ilha autônoma ou preservar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o republicano evitou responder diretamente e admitiu que é uma "escolha" que pode ter que fazer, mas reiterou que a aliança militar seria fraca sem os EUA.
Durante a entrevista, Trump atendeu a ligação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, por um longo período de tempo, descreveu o NYT. "Bem, estamos em perigo", disse Petro ao jornal americano antes da ligação. "A ameaça é real e foi feita por Trump."
Armas nucleares
O presidente americano também sinalizou estar despreocupado com a expiração do acordo de controle de armas nucleares com a Rússia, que termina em quatro semanas e deixará as duas maiores potência nucleares do mundo livres para expandir seus arsenais, apontou o NYT. "Se expirar, expirou", disse Trump. "Faremos um acordo melhor", acrescentou, destacando que a China deveria ser incluída em quaisquer novos entendimentos.
Trump ainda descartou qualquer possibilidade de que a China ataque Taiwan durante seu mandato, conforme o jornal.
Limites domésticos
Como limites domésticos, o presidente citou na entrevista a iminente decisão da Suprema Corte sobre tarifas e possível bloqueio do envio de tropas nacionais a cidades americanas, mas disse já trabalhar em alternativas para contornar desdobramentos desfavoráveis. Trump admitiu que estar disposto a declarar Ato de Insurreição e despachar militares pelo território do país para federalizar algumas unidades da Guarda Nacional. "Mas ainda não senti necessidade de fazê-lo", disse.
Sobre a Venezuela, Trump afirmou que o monitoramento americano sobre o país pode perdurar por anos, mas reiterou apoio ao governo interino. "Eles estão nos dando tudo o que achamos necessário", comentou, acrescentando que pretende reconstruir a economia venezuelana de maneira lucrativa e reduzir os preços do petróleo - que, de acordo com ele, já está em uso pelos EUA. O presidente americano se recusou a responder quaisquer perguntas do NYT sobre envio de tropas em solo para a Venezuela ou tomada de controle direto americano.
(Por Laís Adriana)
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