União e SP assinam empréstimo de R$ 2,57 bi para custear túnel Santos-Guarujá
Reprodução / Agenda SP
Sao Paulo - O governo federal assinou hoje a operação de crédito que vai viabilizar a contrapartida do Estado de São Paulo na Parceria Público-Privada (PPP) do túnel Imerso Santos-Guarujá. A operação, no valor de R$ 2,57 bilhões, foi estruturada pelo Banco do Brasil e conta com garantia da União.
Participaram da solenidade o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Com a ausência do governador do Estado São Paulo, Tarcísio de Freitas, o único representante do alto escalão paulista a discursar foi o secretário de Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, Samuel Kinoshita.
Leia também: Empresa portuguesa prevê investir R$ 2,2 bilhões no túnel Santos-Guarujá
Alckmin destacou as condições de financiamento do empréstimo com garantia da União ao governo paulista. Segundo Alckmin, o financiamento estruturado pelo Banco do Brasil tem taxa de CDI + 1,59% e 23 anos para pagar.
Início das obras previsto para 2027
Leiloado em setembro de 2025, o projeto do túnel Santos-Guarujá prevê R$ 7 bilhões em investimentos. Por se tratar de uma PPP, R$ 5,1 bilhões do montante virão de aportes públicos divididos igualmente entre a União e o Estado de São Paulo. O investimento federal será realizado via Autoridade Portuária, enquanto o estadual virá da operação de crédito anunciada hoje.
O secretário Kinoshita afirmou que a parceria com a União foi muito importante para tirar do papel o projeto, que vinha sendo discutido há cerca de um século. O evento contou ainda com a presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, e o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, entre outras autoridades estaduais e federais.
"O túnel imersível é mais do que um grande obra; simboliza eficiência, logística, mobilidade urbana e emprego de toda a Baixada Santista", disse Tarciana, acrescentando que o BB atua como "elo" entre planejamento público e realização dos projetos.
Projeto
Em janeiro de 2026, o governo do Estado de São Paulo e a concessionária assinaram o contrato da PPP. O cronograma prevê o início das obras em 2027 e o início da operação do primeiro túnel submerso do País em 2031.
A Mota-Engil será a responsável pela construção, operação e manutenção do túnel pelo período de 30 anos. A construção será feita por meio de módulos de concreto pré-moldados instalados no leito do canal portuário, como já feito antes na Europa e na Ásia. Só depois os módulos serão afundados, encaixados e cobertos por uma camada de pedras.
A expectativa é que o tempo de travessia entre Santos e Guarujá caia para até cinco minutos após a construção do túnel. Atualmente, a ligação rodoviária entre as duas cidades tem 40 quilômetros de extensão, com tempo de viagem em torno de uma hora.
A previsão é de que a obra também melhore os gargalos logísticos no Porto de Santos, considerados um problema histórico. "O Porto de Santos é o maior da América Latina, com um terço das exportações do Brasil", destacou Alckmin.
(Por Elisa Calmon, André Marinho e Francisco Carlos de Assis)
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
