União Europeia fecha acordo comercial com Mercosul, dizem diplomatas
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Por Broadcast
09/01/2026 | 09h57
Brasília, 09/01/2025 - Apesar de informações circularem a respeito do fechamento do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, diplomatas estrangeiros que estão em Bruxelas afirmaram à Broadcast que o procedimento oficial do Conselho Europeu ainda não terminou. A expectativa é a de que seja finalizado nas próximas horas.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, disse torcer por uma solução positiva no acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE).
Ontem, o presidente da França, Emmanuel Macron, informou pessoalmente à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que a França votará contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul na reunião decisiva do Conselho da UE.
“É difícil você ter unanimidade. Nós torcemos para que ocorra, porque isso é importante para os 27 países da União Europeia, é importante para o Mercosul, de quatro passamos para cinco países, com a entrada da Bolívia, e isso é importante para o mundo. Em um momento de instabilidade, de guerras, de conflitos, você mostra que é possível fortalecer o multilateralismo e o nível de comércio”, disse Alckmin na tarde de quinta-feira, 8.
“Torço para que a gente possa ter uma solução positiva, no que depender do Brasil, o Brasil fez todo o trabalho para que isso ocorra”, completou.
Negociações em andamento
Ao que tudo indica, as negociações das últimas horas correm bem, apesar de França, Irlanda e Hungria ontem terem se manifestado publicamente contrárias ao pacto que vem sendo costurado há mais de 20 anos. A Polônia não se posicionou recentemente, mas desde sempre esteve em oposição ao tratado.
Se for realmente fechado, a expectativa é de que a assinatura ocorra no próximo dia 12, no Paraguai. O país tem a presidência rotativa do Mercosul desde o início do ano.
O acordo comercial do Mercosul com a União Europeia está mais uma vez nas mãos do governo italiano. Levando-se em conta números aproximados da população, mesmo que esses países façam obstáculo ao acordo, não há possibilidade de barrarem o fechamento do pacto.
Para que o tratado tenha andamento é preciso que seja aprovado por pelo menos 15 dos 27 países da UE e que representem 65% da população.
A população da França é de pouco mais de 68 milhões de pessoas; a da Polônia, de 36,5 milhões; Hungria conta com aproximadamente 9,5 milhões de habitantes e Irlanda, 5.5 milhões. Somando-se esses países, a representatividade é de cerca de 27% do total da população da UE, de pouco mais de 450 milhões de pessoas. Por isso, a posição da Itália, em torno de 59 milhões de pessoas, é fundamental para que o acordo saia do papel.
O governo de Giorgia Meloni foi quem conseguiu adiar a votação sobre o tema, esperada para o final do ano passado. As expectativas eram de que o Conselho Europeu aprovasse o acordo no dia 18 de dezembro e que a assinatura fosse feita em Foz do Iguaçu, já que o Brasil era o presidente rotativo do Mercosul na ocasião.
(Por Célia Froufe e Flávia Said)
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