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Eleições 2026
Cidadania e Direitos / Política

Alta real do salário mínimo tem mais impacto eleitoral que Bolsa Família

Lyon Santos/MDS

Aumento real do salário mínimo é importante para 49% dos eleitores - Lyon Santos/MDS
Aumento real do salário mínimo é importante para 49% dos eleitores
Por Broadcast

27/08/2026 | 11h08

São Paulo - Prometer reajustar o salário mínimo acima da inflação aumentaria a disposição de 49% dos eleitores em votar no candidato responsável pela proposta, mostra levantamento da Indexa Pesquisas encomendado pela Broadcast. O impacto é maior do que o de eventuais mudanças no Bolsa Família e em outros benefícios sociais, que, segundo a pesquisa, tendem a ter influência mais limitada na escolha do eleitor.

Para 40%, a iniciativa de conceder ganho real ao salário mínimo não faria diferença na escolha, enquanto 4% ficariam menos propensos a apoiar o presidenciável.

Na avaliação do CEO da Indexa Pesquisas, Arilton Freres, o salário mínimo tem impacto mais amplo sobre o eleitorado do que os benefícios sociais, como o Bolsa Família. Isso ocorre porque o reajuste alcança diretamente não apenas quem recebe o piso nacional, mas também trabalhadores com remunerações vinculadas a ele, além de aposentados e pensionistas.

“Qualquer aumento real impacta diretamente o trabalhador que recebe o mínimo ou tem o salário atrelado a ele. Mesmo quando não há essa vinculação, o reajuste cria uma pressão pelo aumento da remuneração dos trabalhadores com carteira assinada em geral”, afirmou.

Freres também relacionou o resultado à perda de poder de compra identificada pela população perante o encarecimento dos alimentos e do custo de vida. Segundo ele, pesquisas qualitativas e quantitativas realizadas pela Indexa têm identificado com frequência a percepção de que, embora estejam empregadas, muitas pessoas recebem uma renda insuficiente para cobrir as despesas cotidianas.

“As pessoas têm emprego, mas uma renda que não é compatível com os custos do dia a dia”, disse.

Renda familiar

Quando os resultados são separados pela renda familiar, a proposta teria maior influência entre os entrevistados que vivem em domicílios com renda de um a dois salários mínimos: 54% ficariam mais dispostos a votar no candidato que defendesse o aumento real, enquanto 36% não seriam influenciados.

Entre os que recebem de dois a cinco salários mínimos, há equilíbrio: 44% ficariam mais dispostos a apoiar o candidato e 45% não mudariam sua disposição de voto. Já entre aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos, 51% se sentiriam mais inclinados a votar no candidato, e 38% permaneceriam indiferentes à proposta.

O efeito eleitoral diminui gradualmente conforme a idade avança. Na faixa de 16 a 24 anos, 56% afirmam que ficariam mais propensos a votar no candidato. O porcentual é de 54% entre os eleitores de 25 a 34 anos, recua para 49% no grupo de 35 a 44 anos e para 47% entre aqueles de 45 a 59 anos. Entre os entrevistados com 60 anos ou mais, 44% dizem que a proposta aumentaria sua disposição de voto, mesmo porcentual dos que não seriam influenciados.

O resultado também acompanha o voto no segundo turno da eleição de 2022. Entre os que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 53% ficariam mais dispostos a apoiar um candidato que propusesse ganho real para o salário mínimo, e 36% não mudariam sua disposição. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), os porcentuais são de 44% e 45%, respectivamente.

A proposta também aumentaria a disposição de voto de 52% dos entrevistados que não compareceram, votaram em branco ou anularam o voto no segundo turno de 2022. Para 39% desse grupo, a medida seria indiferente.

Bolsa Família

Já uma eventual redução do valor pago no programa Bolsa Família não alteraria a disposição de 58% dos eleitores em votar em um candidato à Presidência que apresentasse a proposta. Para 25%, o corte diminuiria a disposição de apoiar o candidato, enquanto 13% se sentiriam mais inclinados a votar nele.

A manutenção do programa nos valores e regras atuais ou a elevação do benefício teria impacto ainda menor: 70% afirmam que a medida não faria diferença em sua disposição de voto. Outros 13% dizem que ficariam mais propensos a apoiar o candidato responsável pela proposta, e 12%, menos dispostos.

Na avaliação de Freres, a influência limitada dessas medidas ocorre porque a política de benefícios sociais já estaria “precificada” pelo eleitorado. Segundo ele, mesmo parte dos beneficiários que demonstra receio de cortes não acredita que os programas serão efetivamente desmontados.

“As pessoas não acreditam que haverá cortes de programas sociais no nível do medo que existia em 2018, na eleição de Jair Bolsonaro. Passou-se o tempo e não se cortou”, afirmou Freres em entrevista à Broadcast. “Quem é beneficiário hoje tem um pouco de medo, mas não acredita de verdade que vai cortar, porque a história mostrou que não corta.”

Outro fator, de acordo com o pesquisador, é que uma parcela significativa do eleitorado não recebe os benefícios e, por isso, não considera o tema determinante para sua escolha. “Para quem não é beneficiário desses programas, não há por que isso influenciar de fato o voto. Acaba se tornando uma questão secundária”, disse.

A percepção sobre o tamanho atual da rede de proteção social aparece dividida na pesquisa. Para 38%, os valores pagos pelo governo federal são adequados em programas como Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Pé-de-Meia. Outros 25% consideram os valores dos benefícios maiores do que deveriam ser, enquanto 24% avaliam que são menores do que o necessário.

Corte de benefícios

O levantamento também mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL) é o candidato à Presidência mais associado pelos eleitores à possibilidade de redução ou corte de benefícios sociais. De acordo com a pesquisa, 45% dos entrevistados afirmam que ele poderia adotar a medida caso fosse eleito.

Depois de Flávio, o influenciador Pablo Marçal (PRTB) aparece como o segundo candidato mais associado ao corte de benefícios, com 22%. Em seguida, estão o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), com 18%, o influenciador Renan Santos (Missão), com 16%, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 13%, e Lula, com 10%.

No sentido oposto, Lula lidera entre os nomes que poderiam ampliar os programas, citado por 48% dos eleitores consultados pelo levantamento. Flávio é citado por 15% dos entrevistados, enquanto Caiado aparece com 5%.

As duas perguntas admitiam respostas múltiplas, ou seja, cada entrevistado poderia indicar mais de um candidato. Por isso, os porcentuais não são excludentes nem somam necessariamente 100%. Os resultados também mostram percepções cruzadas: parte dos eleitores acredita que Flávio poderia ampliar os programas, enquanto Lula também é citado entre os nomes que poderiam reduzi-los.

Na avaliação de Freres, a associação de Flávio ao corte de benefícios decorre mais da polarização entre lulismo e bolsonarismo do que de uma análise das propostas do candidato do PL.

“Eu acho que a razão está mais no eleitor consolidado de Lula do que em uma análise crítica sobre quem é Flávio na disputa”, afirmou Freres em entrevista à Broadcast. Segundo ele, como a rejeição ao candidato do PL é elevada entre os apoiadores do petista, a resposta mais natural desse grupo seria apontá-lo como o presidenciável com maior possibilidade de reduzir os programas.

Apesar do discurso de Flávio tentar dar enfoque a cortes de gastos na máquina pública, Freres avalia que a associação feita pelo eleitor a eventuais cortes funciona principalmente como uma marca ideológica.

“Não há uma razão prática para essa conclusão. Ela é muito mais ideológica, na contraposição entre Lula e Bolsonaro”, afirmou.

Para o pesquisador, não há no histórico recente do bolsonarismo uma experiência que sustente de forma direta essa percepção. Freres lembrou que, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o Bolsa Família foi substituído pelo Auxílio Brasil, com aumento dos valores nominais e ampliação do alcance do programa.

“Na véspera da eleição de 2022, o que não faltou foi ampliação de programas sociais em uma tentativa de vencer a disputa", disse em entrevista à Broadcast.

Pesquisa

Esse é o primeiro levantamento fruto da parceria firmada entre a Broadcast e a Indexa Pesquisas para a divulgação de sondagens eleitorais qualitativas e quantitativas exclusivas sobre a corrida à Presidência da República.

A pesquisa Indexa/Broadcast foi realizada entre 20 e 23 de agosto, na modalidade quantitativa e amostral. Foram 2.000 entrevistas individuais, por telefone e questionário estruturado. O índice de confiança é de 95%, com margem de erro de 2,2 pp. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-06366/2026.

(Por Geovani Bucci)

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