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Eleições 2026

Apenas 21% dos candidatos a governador têm planos amplos de saneamento

De acordo com o Instituto Trata Brasil, 71% dos postulantes adotaram uma postura intermediária e outros 8% limitaram-se a uma abordagem superficial

Paula Bulka Durães

Por Paula Bulka Durães

29/09/2026 | 16h07

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A universalização dos serviços de água e de esgoto é a proposta de maior proeminência - Adobe Stock
A universalização dos serviços de água e de esgoto é a proposta de maior proeminência
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A pesquisa do Instituto Trata Brasil revela que apenas 21% dos candidatos a governador apresentam propostas abrangentes para o saneamento básico, apesar da relevância do tema nas campanhas, o que pode comprometer a efetividade das políticas públicas no setor.

A universalização dos serviços de água e esgoto é a proposta mais comum, presente em 87% dos planos, mas apenas 26% dos candidatos estabelecem metas tangíveis, evidenciando a falta de planejamento a longo prazo.

Enquanto estados com piores índices de saneamento não necessariamente têm propostas mais robustas, Pernambuco se destaca com 100% de comprometimento entre seus candidatos, contrastando com o Maranhão, que apresenta o menor nível de comprometimento no país.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Embora a pauta do saneamento básico esteja presente em todas as propostas dos candidatos competitivos a governador, apenas 21% apresentam uma abordagem abrangente, que contemple todos os eixos temáticos do setor, com metas tangíveis até o final do mandato.

As informações são da pesquisa do Instituto Trata Brasil, em parceria com a GO Associados, que analisou 62 propostas a governos estaduais ao redor do País, mas sem citar os candidatos analisados. Segundo o estudo, a escolha pelo anonimato foi tomada para manter a neutralidade e a isenção.

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De acordo com o levantamento, 71% dos postulantes adotaram uma postura transversal, avaliada pelos pesquisadores como intermediária. Outros 8% limitaram-se a uma abordagem superficial do abastecimento.

Além disso, a pesquisa mostra que, para o pleito de 2026, não existe correlação entre a gravidade do déficit de saneamento do Estado e o nível de comprometimento assumido pelos candidatos em seus programas.

Propostas sem profundidade

A universalização dos serviços de água e de esgoto é a proposta de maior proeminência, figurando em 87% dos planos.

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Esse protagonismo está vinculado ao Marco Legal do Saneamento, cujas metas legais de universalização têm limite fixado para 2033 — prazo que alcança diretamente o mandato dos eleitos em 2026.

Na sequência, aparece a drenagem urbana, presente em 76% dos planos, que reflete a pressão pública após recentes tragédias climáticas. Em seguida, vêm:

  • Saneamento rural de comunidades isoladas: 66%;
  • Mobilização de investimentos estaduais: 58%;
  • Regionalização dos serviços: 45%;
  • Tarifas sociais para populações vulneráveis: 35%;
  • Fortalecimento da regulação: 32%;

A pesquisa identificou, porém, severas limitações no planejamento de longo prazo. A fixação de metas tangíveis ao final do mandato apareceu em apenas 26% dos planos.

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O índice mais baixo foi o da governança de dados e de informações, 24%, cuja ausência compromete o diagnóstico das carências estaduais e a fiscalização pública, segundo os analistas.

O pior cenário não atrai a melhor proposta

A avaliação demonstrou que Estados com os índices sanitários mais precários não possuem, necessariamente, candidaturas com planos mais estruturados.

É o caso da Região Norte, que apresenta o cenário sanitário mais crítico do País — com apenas 62,8% de abastecimento de água e 24,6% de coleta de esgoto —, e que fixou-se na penúltima posição, com 2,71 pontos de média de comprometimento eleitoral.

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Por outro lado, o Nordeste registrou a maior média de comprometimento — 2,95 pontos de um máximo de 4 —, com 30% das candidaturas abrangentes do Brasil. Isso ocorre apesar de a região possuir os segundos piores indicadores do País: 73,7% de cobertura de água e 35,9% de rede coletora.

Disparidades locais

Pernambuco foi o único Estado a atingir a nota máxima (4), com 100% dos candidatos avaliados com planos abrangentes, mesmo com apenas 29,3% da população coberta por rede de esgoto. Contudo, o Maranhão registrou o menor nível de comprometimento do País: 1,5 ponto.

O estudo também identificou um claro efeito atrelado à reeleição. Entre os nove governadores que disputam a reeleição, quatro apresentaram planos abrangentes. Já entre os outros 53 candidatos de oposição ou novatos, apenas oito alcançaram a classificação máxima.

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Especialistas do estudo apontam que governadores em exercício possuem equipes técnicas mais estruturadas e acesso direto aos diagnósticos das secretarias, o que favorece planos mais detalhados.

Metodologia

A amostra do estudo baseou-se nos 62 candidatos mais competitivos, definidos por meio de uma adaptação estatística das intenções de voto das primeiras pesquisas Quaest e Datafolha, divulgadas entre agosto e setembro de 2026.

Os documentos foram extraídos do TSE e avaliados em quatro eixos:

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  1. Planejamento;
  2. Investimentos;
  3. Governança;
  4. Metas.

Os achados reforçam a tese de que o saneamento básico permanece tratado no ambiente político como uma indústria invisível, caracterizada por obras subterrâneas de menor apelo eleitoral do que viadutos ou hospitais.

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