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Eleições 2026
Cidadania e Direitos / Política

Como acompanhar o debate político sobre Previdência? Especialistas explicam

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Candidatos não tratam com clareza os problemas atuais do sistema previdenciário, segundo especialistas - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Candidatos não tratam com clareza os problemas atuais do sistema previdenciário, segundo especialistas
Por Marcel Naves

03/09/2026 | 08h52

São Paulo – A Previdência Social chega às eleições de 2026 pressionada por problemas que podem atingir diretamente aposentados, pensionistas e trabalhadores próximos de deixar o mercado de trabalho. Entre os desafios estão a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que segundo o próprio instituto reunia 1,28 milhão de requerimentos em agosto, apesar de uma redução de 59% em relação a janeiro, além dos descontos indevidos que atingiram milhares de beneficiários.

Mas o principal, segundo especialistas, é saber de que maneira será possível garantir o pagamento das aposentadorias e pensões em um País que envelhece rapidamente. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que até 2070 mais de um terço da população brasileira terá 60 anos ou mais.

De olho no Congresso

Para a professora de economia da PUC-SP e especialista em Previdência, Cristina Helena Pinto de Mello, o tema previdência não tem ocupado um papel de destaque nos discursos eleitorais, e isto não é causal. "Na disputa política, os candidatos tendem a apostar mais na polarização do que em propostas claras", afirma.

Ela defende que os candidatos expliquem ao eleitor não apenas aquilo que pretendem fazer, mas também quais são os limites da sua atuação. Afinal, o presidente não resolve tudo sozinho - os candidatos simplificam a discussão quando atribuem ao presidente da República a capacidade de decisão que, na prática, é limitada.

Parte significativa das decisões sobre despesas públicas depende do Congresso, o que torna as eleições legislativas igualmente importantes. Por isso ao olhar para o eleitor, especialmente o público 70+, a professora faz uma recomendação:

O principal conselho que eu daria é: preocupe-se mais com o Congresso. Eles são mais relevantes na decisão econômica, no dia a dia, do que exatamente o presidente da República". 

Inclusive, questões relativas à Previdência não podem ser tratadas apenas pela ótica de uma nova reforma, questiona. Em sua opinião, o ideal é que seja dada maior clareza sobre a destinação dos recursos públicos antes de propor mudanças.

A economista cita alguns pontos que não podem permanecer fora do discurso eleitoral, entre os quais a 'uberização', ou seja, como vai ficar a arrecadação previdenciária dos profissionais na economia informal dos aplicativos de transporte e serviços, uma vez que grande parte desses trabalhadores não contribui para o sistema.  

Já a cientista política e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Larissa Hannah Gregório reforça que para ir além da retórica dos políticos, vale ficar atento não só a programas  mas também ao desempenho de mandatos passados, seja no executivo ou no legislativo. 

Isso porque as propostas dos candidatos estão situadas no âmbito do discurso de campanha. Porém, as soluções políticas requerem articulações de diferentes atores, processos decisórios e legislativos. "Partidos e candidatos têm ciência disso. Detalhar, nesse caso, é também se comprometer com etapas futuras de implementação ou continuação de políticas".

O que os candidatos defendem para a Previdência

Para uma análise das propostas e seguindo o que determina a lei 13.488/2017 tomamos como base os programas dos seis candidatos mais bem colocados nas últimas pesquisas de intenção de voto desta semana.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - Propõe fortalecer o sistema, ampliar o acesso e diversificar as fontes de financiamento, além de criar mecanismos de contribuição para trabalhadores com trajetórias profissionais descontínuas. O programa também relaciona a regulação do trabalho por plataformas ao financiamento previdenciário. Nas entrevistas, têm focado na redução das filas e melhoria no atendimento.

Flávio Bolsonaro (PL) - Defende a retomada de medidas adotadas em 2019 para combater irregularidades e a reformulação dos empréstimos consignados. Também prevê a digitalização dos processos e a redução das filas. Em declarações recentes, afirmou que não pretende retirar direitos dos aposentados e defendeu a manutenção da política de valorização do salário mínimo.

Ronaldo Caiado (PSD) - Dá atenção à orientação previdenciária para trabalhadores de setores como economia criativa e atividades culturais, mas não apresenta uma nova reforma detalhada. Em debates, tem dito que não pretende mexer no direito adquirido, e que uma eventual discussão sobre reforma previdenciária deverá ocorrer somente após a reorganização das contas públicas.

Romeu Zema (Novo) - Defende uma nova reforma da Previdência e propõe um mecanismo automático para ajustar a idade mínima ou o tempo de contribuição conforme o aumento da expectativa de vida. Tem dito que sua intenção é fazer com que as regras acompanhem a evolução demográfica sem a necessidade de novas reformas.

Renan Santos  (Missão) - Propõe uma “PEC de Transição” dentro de um programa de ajuste fiscal e defende a desindexação dos benefícios previdenciários ao salário mínimo. Tem dito em entrevistas que sua proposta é de corrigir os benefícios pela inflação.

Augusto Cury (Avante) - Não apresenta proposta de uma nova reforma previdenciária. A jornalistas têm afirmado que não fará uma nova reforma se eleito e que para enfrentar o déficit defendu o aumento da produtividade por meio de inteligência artificial, robótica e modernização das empresas.

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