Flávio chega a convenção sem vice e com indefinições de aliados
Bruno Peres/Agência Brasil
São Paulo - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chega à convenção nacional do PL, que o anunciará como candidato à Presidência, com uma coleção de reveses e pendências. A dois meses e meio da eleição, Flávio continua sem vice anunciado, sem apoios partidários e sem definição em alguns dos palanques eleitorais mais relevantes. De quebra, ele segue envolto em dúvidas sobre o escândalo do banco Master e em fogo amigo de aliados.
O evento será realizado às 10h em São Paulo, na Arena Pacaembu, com capacidade para até sete mil pessoas. Também serão comunicadas as candidaturas paulistas do PL ao Senado, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.
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O encontro deve contar com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de integrantes do PL, além da expectativa de um discurso do presidente da Argentina, Javier Milei. A lista de ausentes inclui presidentes dos principais siglas de centro e de vários integrantes da família de Flávio, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que decidiu não ir; o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar; e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora nos Estados Unidos desde o ano passado.
PL ainda busca vice e apoios
As convenções partidárias servem para a escolha dos candidatos - em lista que será posteriormente registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É comum que os partidos aproveitem os eventos para mostrar força e exibir alianças partidárias. Flávio tenta desde dezembro atrair o apoio de PP, União Brasil, Republicanos e Podemos, mas as negociações empacaram e, até o momento, nenhum endosso foi oficializado. Principal aposta do senador, a federação PP-União Brasil já indicou que tende a manter neutralidade. A decisão frustraria Flávio, que esperava contar com a estrutura partidária dessas legendas, como tempo de televisão e palanques.
A convenção também tem o objetivo de determinar o vice de chapa. Na prática, porém, os partidos podem homologar apenas o candidato titular e delegar a decisão para a Executiva Nacional. A escolha deve ser oficializada até 15 de agosto, prazo para registro das candidaturas. Isso dará mais tempo para o PL negociar o posto. Entre as opções, estão a administradora Daniella Marques (Republicanos) e as deputadas federais Bia Kicis (PL-DF), Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Tércio (PP-PE). A decisão, no entanto, passa por uma série de exigências dos partidos, como a de apoio nos pleitos estaduais.
Palanques indefinidos
Outra pendência é a definição de palanques estaduais. No Rio de Janeiro, reduto político de Flávio Bolsonaro, o PL definiu Douglas Ruas (PL) como pré-candidato ao governo do Estado e Carlos Portinho (PL-RJ) para reeleição ao Senado. O partido, no entanto, sofreu três reveses: as desistências de Cláudio Castro (PL) em concorrer ao Senado e de Rogério Lisboa (PP) de ser vice de Douglas Ruas, além da investigação sobre Márcio Canella (União) na Operação Unha e Carne. Canella segue como segundo nome ao Senado, mas o PL avalia trocá-lo por considerar que sua prisão - e posterior soltura - o inviabilizou na disputa.
O partido de Flávio também conta com indefinição no palanque de Minas Gerais, com dúvidas sobre apoiar Cleitinho (Republicanos), Flávio Roscoe (PL) ou Mateus Simões (PSD) ao governo do Estado.
Atritos do bolsonarismo e Master
As revelações de que Flávio buscou financiamento do dono do Master, Daniel Vorcaro, para a cinebiografia de Jair Bolsonaro aumentaram os questionamentos de alas do PL sobre a viabilidade de sua candidatura. O mesmo foi observado em outros partidos, como o Solidariedade.
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