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Cidadania e Direitos / Política

Haddad será lançado em SP com acenos ao eleitor de centro, dizem aliados

Lula Marques/Agência Brasil

Meta é fazer com que Haddad supere o desempenho das eleições de 2022 - Lula Marques/Agência Brasil
Meta é fazer com que Haddad supere o desempenho das eleições de 2022
Por Broadcast

24/07/2026 | 12h10

São Paulo - O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, terá o nome homologado neste sábado, 25, durante convenção da federação formada por PT, PCdoB e PV, em Campinas.

O evento formalizará as articulações conduzidas até agora e manterá o tom da pré-campanha de apresentar uma aliança ampla, com acenos ao eleitor de centro e ao interior paulista. Em novo gesto aos partidos aliados, também serão anunciados os suplentes das candidaturas ao Senado.

“É torcer para que o eleitor não se comporte como torcida de futebol”, afirmou o coordenador da campanha de Haddad, Kiko Celeguim (PT-SP), ao Broadcast Político, ao comentar suas expectativas para a disputa.

Após a ratificação dos candidatos da federação aos cargos de governador, senador, deputado federal e deputado estadual, a ata será encaminhada posteriormente à Justiça Eleitoral, antes do pedido de registro das candidaturas majoritárias. As diretrizes do programa de governo serão apresentadas nessa etapa, e a versão completa do documento deverá ser divulgada na primeira quinzena de agosto.

Diante da escassez de candidaturas competitivas, a pré-campanha já considera a possibilidade de a disputa estadual terminar no primeiro turno. Ainda assim, a meta é fazer com que Haddad supere o desempenho de 2022, ajude o PT a ampliar sua bancada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e ofereça um palanque consistente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no maior colégio eleitoral do País.

Na leitura dos petistas ouvidos pela reportagem, o Estado de São Paulo ocupa uma posição ainda mais estratégica neste ano diante da concentração das forças de centro-esquerda em torno do ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) na disputa fluminense e de um cenário menos favorável em Minas Gerais.

Em São Paulo, a avaliação é que a aliança formada em torno de nomes de perfil mais amplo chega à campanha mais coesa do que em eleições anteriores. 

A equipe do ex-ministro avalia que São Paulo terá na eleição presidencial importância semelhante à de 2022. Naquele ano, Haddad obteve 44,73% dos votos válidos no segundo turno da disputa estadual, porcentual praticamente igual aos 44,76% alcançados por Lula entre os paulistas.

Para a campanha, esse desempenho foi decisivo para a vitória apertada do presidente, uma vez que sua votação no Nordeste permaneceu próxima à registrada pelo PT em pleitos anteriores. Neste ano, a nacionalização da disputa também deve aparecer sobretudo na defesa de que o governo federal destinou a São Paulo mais recursos do que a própria gestão estadual.

A rejeição de 47% a Haddad registrada pelo Datafolha é interpretada pelos aliados como expressão da resistência histórica de parte do eleitorado paulista à esquerda e ao PT, e não necessariamente ao ex-ministro. Como contraponto, a campanha destaca que ele venceu Tarcísio de Freitas (Republicanos) na capital e na Grande São Paulo em 2022.

Com a presença de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na convenção, os discursos devem se concentrar em buscar tanto eleitores pragmáticos e moderados, especialmente antigos eleitores do PSDB, quanto moradores do interior, região tradicionalmente mais resistente ao PT e favorável a candidatos conservadores.

Temas da campanha

O discurso deve se concentrar em três eixos: o primeiro será  o tarifaço, a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e seus impactos sobre o agronegócio e a indústria paulistas, setores com forte presença no interior. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a medida adotada pelo governo de Donald Trump deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões, com base nos embarques de 2024.

A estratégia será associar as tarifas à atuação do pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, e a manifestações anteriores do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Flávio participou de audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e enviou ao órgão um documento no qual sugeriu o adiamento das tarifas em razão das eleições brasileiras deste ano.

Os discursos também devem relembrar o apoio de Tarcísio a Trump e o vídeo em que o governador aparece com o boné vermelho do movimento Make America Great Again (Maga) no dia da posse do republicano.

O segundo eixo será a intensificação das críticas à privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Em meio aos problemas de relacionamento entre o Palácio dos Bandeirantes e prefeitos, a campanha pretende acusar a gestão Tarcísio de pressionar municípios com serviços próprios de saneamento a aderir, em um eventual segundo mandato, ao modelo de concessões defendido pelo governo estadual.

O terceiro eixo será a segurança pública, com críticas à gestão do ex-secretário estadual e pré-candidato ao Senado Guilherme Derrite (PP). A estratégia será levar o debate ao plano nacional e explorar a atuação do deputado como relator do projeto de lei antifacção. A campanha deve recuperar as críticas feitas às versões iniciais do parecer pelo promotor de Justiça Lincoln Gakiya, um dos principais especialistas no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC). À época, Gakiya alertou para o risco de o texto limitar a atuação da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) nas investigações contra o crime organizado.

(Por Geovani Bucci)

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