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Projetos para idosos crescem no Brasil, mas têm impacto limitado

Mapeamento realizado pela Ashoka e Lab Nova Longevidade analisou 296 organizações que atuam para transformar as condições de envelhecer no Brasil

Marcel Naves

Por Marcel Naves

24/09/2026 | 08h25

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Estudo detalha atuação de ONGs no envelhecimento dos Brasileiros - Adobe Stock
Estudo detalha atuação de ONGs no envelhecimento dos Brasileiros
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Um estudo revela que, apesar da existência de milhares de projetos voltados para a população acima de 60 anos no Brasil, a maioria opera de forma isolada, limitando seu impacto social. O levantamento, realizado pela Ashoka, analisou 296 organizações focadas no envelhecimento e destacou a necessidade de maior articulação entre elas.

A pesquisa identificou que 76% das organizações têm pessoas com 60 anos ou mais ativamente envolvidas, seja como funcionárias ou voluntárias, e mais de 60% priorizam a convivência comunitária para combater a solidão. Além disso, 80% dos projetos buscam mudar a percepção social sobre o envelhecimento e combater o preconceito etário.

Embora as iniciativas sejam amplas, quase 50% das organizações enfrentam dificuldades financeiras que limitam sua expansão. O desafio atual é transformar a troca de informações entre entidades em parcerias efetivas com empresas, universidades e governos para promover um envelhecimento mais integrado e acolhedor na sociedade.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O Brasil conta com milhares de projetos voltados à população com mais de 60 anos, porém a grande maioria trabalha de forma isolada, perdendo a chance de ampliar seu impacto. Esta é a principal conclusão do Mapeamento do Ecossistema de Inovação Social em Longevidade 2026.

O portal VIVA teve acesso com exclusividade ao levantamento realizado pela organização global Ashoka, por intermédio do Lab Nova Longevidade, seu centro de articulação e inteligência. O estudo analisou detalhadamente o trabalho de 296 organizações brasileiras focadas no envelhecimento em todo o país.

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O levantamento não apenas contabilizou os projetos, mas também leu de forma cuidadosa as práticas de cada ONG para entender como elas atuam na saúde, educação e inclusão das pessoas idosas em diferentes regiões do país.

Segundo a pesquisa, os projetos mais presentes entre as organizações estão comunidades de pessoas idosas (56,42%), conteúdo (55,74%), qualificação de pessoas (54,39%), cursos e formação (53,72%), pedagogias e metodologias (51,01%), redes (49,32%), pesquisa (34,80%) e tecnologia (33,45%).

O uso da inteligência artificial

A grande inovação desta pesquisa foi o uso da inteligência artificial. A tecnologia foi treinada pelo Lab Nova Longevidade usando regras mundiais da Ashoka. Com isso, a IA conseguiu ler os dados de cada participante e obter um "diagnóstico" com os pontos fortes de cada iniciativa.

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O mapeamento é uma inovação em si. É a primeira vez que treinamos uma IA para fornecer um diagnóstico personalizado para todas as organizações participantes com base nos critérios adotados globalmente pela Ashoka para reconhecer empreendedores sociais contribuindo para o campo da longevidade.
Marília Duque, liderança Lab Nova Longevidade/Ashoka

Destaques da pesquisa

  • Participação ativa no trabalho e no voluntariado: Em 76% das organizações pesquisadas, as pessoas com 60 anos ou mais atuam diretamente como funcionárias, voluntárias, colaboradoras ou líderes dos projetos.
  • Saúde emocional e combate à solidão: Mais de 60% das iniciativas priorizam a convivência comunitária, a criação de laços de amizade e a troca de experiências entre diferentes gerações.
  • Combate ao preconceito de idade: Mudar a forma como a sociedade enxerga o envelhecimento e combater o idadismo (preconceito por causa da idade) é prioridade para mais de 80% dos projetos.
  • Ações de norte a sul do País: O mapeamento registrou atividades em 235 municípios, abrangendo capitais, periferias, áreas rurais e comunidades ribeirinhas na Amazônia.
  • Tecnologia como ponte: A pesquisa usou IA para analisar cada projeto e sugerir parcerias entre instituições que realizam trabalhos complementares

Desafios para o futuro

Embora as pessoas 60+ sejam público de 90,88% das organizações, elas não aparecem apenas como destinatárias. O mapa mostra ainda que 76,01% das iniciativas contam com pessoas 60+ sendo colaboradores, funcionários e voluntários. 89,86% promovem interação entre diferentes gerações. Os dados mostram que a contribuição das pessoas mais velhas já faz parte das organizações mapeadas.

O estudo também aponta gargalos importantes onde quase metade das instituições (49%, relata que a falta de recursos financeiros é a maior barreira para manter e expandir suas atividades.

Embora muitas entidades troquem informações em grupos e redes de contatos, o grande desafio atual é transformar esse diálogo em parcerias concretas com empresas, universidades e governos.

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O levantamento reforça que o envelhecimento da população é uma conquista coletiva. Garantir que as pessoas idosas continuem aprendendo, convivendo e compartilhando sua sabedoria é essencial para construir uma sociedade mais integrada e acolhedora em todas as idades.

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