O que dizem os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro sobre idosos
O rápido envelhecimento populacional do Brasil é mencionado nos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
Por Bárbara Ferreira
17/10/2026 | 14h30Felipe Marques (Zimel Press) e Yuri Murakami (F/2.8 News) - Estadão Conteúdo
O envelhecimento populacional do Brasil é um tema central nas propostas de governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, candidatos à presidência nas eleições de 2026, refletindo a necessidade de políticas voltadas para a população idosa.
Lula dedica parte significativa de seu plano à Política Nacional de Cuidados, enquanto Flávio Bolsonaro critica a gestão atual e propõe medidas que incluem assistência social e saúde para idosos, destacando a importância de combater fraudes no INSS e melhorar a infraestrutura para essa faixa etária.
São Paulo - O rápido envelhecimento populacional do Brasil é mencionado nos planos de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência que disputam o segundo turno das Eleições 2026. Mas quais são as propostas dos candidatos voltadas especificamente à pessoa idosa?
"Brasil: um país soberano, democrático, desenvolvido, sustentável e criativo" é o plano apresentado pelo atual presidente e candidato à reeleição, Lula. Enquanto “Para o Brasil Vencer o Atraso” é o programa de governo apresentado pelo senador Flávio Bolsonaro.
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
No plano de governo de Lula, duas das 84 páginas foram dedicadas às propostas direcionadas à população idosa. O foco da gestão parece estar concentrado no eixo econômico e de desenvolvimento sustentável, que ganhou quatro capítulos dentro do plano.
Lula destaca a Política Nacional de Cuidados, instituída por ele em 2024, que reconhece o cuidado como um direito universal, a ser garantido pelo Estado, mas sem mencionar os idosos diretamente.
O envelhecimento é tratado pelo plano como uma conquista da sociedade brasileira, não como um problema a ser resolvido - apesar da necessidade de políticas públicas direcionadas. Lula apresentou um projeto de continuidade ao governo que já exercia, por exemplo, ao mencionar as tentativas de redução de fila e espera por benefícios do INSS.
No projeto, as políticas para idosos são um subconjunto dentro das questões de proteção social. Lula dividiu as ações para os idosos em dois eixos de atendimento:
- serviços de promoção de autonomia (saúde, lazer, esporte, convivência) para idosos com baixa dependência;
- e atendimento domiciliar ("porta em porta") para aqueles com alta dependência ou limitação de locomoção.
Confira as propostas de Lula para as pessoas idosas:
- Ampliação do apoio aos municípios para expandir Centros-Dia, praças, academias públicas e espaços de leitura.
- Ampliação de vagas públicas em ILPIs (Instituições de Longa Permanência) e rigor no monitoramento contra violações de direitos humanos e maus-tratos.
- Parcerias com o setor privado para qualificação, contratação e valorização dos saberes de pessoas com mais de 60 anos.
- Capacitação para acesso aos serviços públicos digitais e proteção contra fraudes/crimes cibernéticos.
- Fortalecimento das políticas de proteção social para reduzir desigualdades relacionadas à idade e ampliar o acesso a direitos.
- Expansão dos cuidados para idosos que necessitam de acompanhamento permanente, com o Programa de Atenção Domiciliar ao Idoso no SUS.
- Prevenção de doenças e ampliação da vacinação como parte das políticas de saúde.
- Combate à violência, ao abandono e às situações de vulnerabilidade enfrentadas pela população idosa.
- Manutenção e ampliação das políticas de transferência de renda, associadas à valorização do salário mínimo.
- Valorização do envelhecimento, como uma conquista da sociedade.
Flávio Bolsonaro (PL)
Os idosos são apontados logo no primeiro parágrafo da apresentação do plano. A palavra "idoso" aparece 16 vezes ao longo de todo o texto, normalmente associada a uma política de cuidados.
Mesmo assim, ele não menciona a Política Nacional de Cuidados em nenhum momento do texto. Escreve: "O Estado brasileiro tem falhado [...] e faltou apoio às famílias que cuidam de um idoso".
No plano, Flávio é crítico ao governo atual e saudoso ao governo do pai, Jair Bolsonaro (PL), preso por tentativa de golpe e organização criminosa.
A segurança pública é seu setor com maior encadeamento de propostas, colocando o combate ao crime como pré-requisito para o funcionamento da economia e bem-estar social. O plano de Flávio coloca o idoso como um dos eixos temáticos.
As medidas focadas na população idosa abrangem os capítulos de assistência, habitação, saúde e Previdência.
Na prática, o documento apresenta em torno de oito propostas diretas voltadas às pessoas com mais de 60 anos e aos aposentados. Elas estão divididas entre:
- Infraestrutura doméstica,
- Assistência social,
- Saúde,
- Mercado de trabalho,
- Segurança digital,
- Previdência.
Confira as propostas de Flávio para as pessoas idosas:
- Combate às fraudes no INSS, com reforço dos mecanismos de fiscalização e controle.
- Redução das filas do INSS via digitalização do atendimento para acelerar a concessão de benefícios.
- Mudanças nos descontos e empréstimos consignados sobre aposentadorias e pensões, buscando aumentar a proteção dos beneficiários.
- Saúde específica para idosos, com ampliação do atendimento e da assistência.
- Estruturação de Centros-Dia e atendimento domiciliar para idosos dependentes por meio de parcerias público-privadas e organizações sociais.
- Instituições de Longa Permanência: Ampliação de vagas e apoio às instituições de longa permanência para idosos.
- Programa "Casa Segura para Envelhecer": Subsídio para adaptações de acessibilidade em residências de famílias de menor renda com idosos.
- Estímulo à contratação de trabalhadores com 50 anos ou mais, focado em desempregados há mais de 12 meses.
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