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Eleições 2026

O que é esquerda e direita no Brasil? Entenda o significado e o que defendem

Em meio à polarização Lula x Flávio Bolsonaro, veja como esquerda e direita se definem, mudam no Brasil e influenciam economia, costumes e Estado

Bárbara Ferreira

Por Bárbara Ferreira

10/10/2026 | 15h06

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Brasileiros têm visões dicotômicas quanto a economia e costumes, diz especialista - Adobe Stock
Brasileiros têm visões dicotômicas quanto a economia e costumes, diz especialista
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O segundo turno das eleições de 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro destaca um confronto ideológico entre esquerda e direita.

A divisão política, originada na Revolução Francesa, se manifesta no Brasil de maneira complexa, onde as ideologias se entrelaçam, refletindo uma visão dicotômica da economia e dos costumes entre os eleitores.

Especialistas sugerem que os eleitores devem considerar como os políticos se autodenominam para entender suas posições, já que a distinção entre esquerda e direita se tornou mais porosa e influenciada por fatores emocionais e imagéticos.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Com o segundo turno das Eleições 2026 polarizado entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o eleitor mais uma vez se vê diante de um confronto ideológico. Mas, afinal, o que é esquerda e direita? Como essa ideologia afeta um governo?

As diferenças entre esquerda e direita são as formas de pensar sobre o estado, sociedade, liberdade e a ordem, resumem os especialistas ouvidos pelo VIVA.

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Essa divisão foi historicamente configurada na França, no século 18, explica Guilherme Carvalho, cientista político e diretor-executivo da Métrica Viabilidade, "com a direita preferindo a liberdade e a esquerda preferindo a igualdade".

Na dinâmica brasileira, segundo ele, essa dicotomia tem contornos diferentes, na medida em que os valores se misturam e atravessam os dois lados.

Há arcos em comum entre os dois campos, mas a intensidade disso é diferente e a demarcação desse posicionamento, esquerda e direita, acaba sendo uma espécie de atalho de informação para o eleitor.
Guilherme Carvalho, cientista político

Como surgiu a divisão entre esquerda e direita na política?

A divisão política entre esquerda e direita se fundou na Revolução Francesa, entre 1789 e 1799, quando a monarquia absolutista na França acabou e foi criada a Assembleia Nacional. Dentro dela, formaram-se dois grandes grupos políticos: os jacobinos e girondinos.

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Os jacobinos eram grupos da baixa burguesia (artesãos e pequenos proprietários de terra) e defendiam a formação da República. Os girondinos eram compostos por membros da alta burguesia (comerciantes e banqueiros), que acreditavam que o fim da monarquia e formação da Assembleia Nacional Constituinte eram suficientes.

Nas reuniões, quem se identificava com os jacobinos sentava-se à esquerda e os que se identificavam com as ideias dos girondinos, à direita.

Como é esta divisão no Brasil hoje?

No atual momento, a distinção entre esquerda e direita ficou diluída nos debates das redes sociais e na opinião pública. Os moldes antigos ainda são válidos, de certa forma, mas não suficientes diante da "elasticidade" da política atual, aponta Gustavo Souza, antropólogo e professor da Universidade Estadual de Montes Claros.

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As duas facetas são construídas por representações e imaginários do que é considerado "de esquerda" ou "de direita". No Brasil, ainda há o "Centrão", que passeia pelos dois lados em um projeto próprio. O antropólogo explica:

Esquerda: ficou restrita aos debates identitários, embora se conceba como defensora dos direitos sociais, da distribuição de renda e da resolução de problemas por meio de políticas públicas com um Estado mais amplo.

Direita: ainda concentra tensão sobre a liberdade individual e a propriedade privada com maior interlocução do mercado e o crescimento econômico como forma de mitigação de problemas sociais.

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Essas representações funcionam, mas não dão conta da complexidade das trajetórias de candidatos e políticos eleitos. O ritmo político e suas negociações turvam essa divisão e a deixam mais porosa.
Gustavo Souza, antropólogo

A percepção do que é ser de esquerda ou direita, explica o professor, saiu do "fazer político" para o imagético e o emocional. 

Como identificar esquerda e direita no Brasil?

Carvalho explica que, de forma geral, os brasileiros têm visões dicotômicas quanto a economia e costumes: acreditam que a direita tem posições liberais em economia e conservadora em costumes e que a esquerda tem posicionamentos conservadores em economia e liberais em costumes. 

Como as definições de esquerda e direita se misturam no Brasil, Carvalho defende que os eleitores usem como guia a forma como cada político se autodenomina. "Este é um demarcador do tipo de eleitorado que ele está buscando. Vale muito mais do que uma discussão rasa sobre o que é direita e esquerda".

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