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Eleições 2026

Segundo turno: especialistas apontam vácuos em propostas para envelhecimento

Considerando o envelhecimento do País e o voto 70+, especialistas avaliam falhas das campanhas e listam prioridades urgentes para o próximo governo

Gabriela Pereira/Enquadrar e Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Lula e Flávio seguem para o segundo sem detalhamento de propostas para idosos - Gabriela Pereira/Enquadrar e Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Lula e Flávio seguem para o segundo sem detalhamento de propostas para idosos
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Os candidatos à presidência, Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, se preparam para o segundo turno, onde o eleitorado acima de 50 anos busca propostas claras sobre políticas públicas para a população idosa.

Especialistas apontam que temas cruciais, como crescimento econômico, questões fiscais, políticas de emprego e renda, e o envelhecimento da população, precisam ser mais bem abordados pelos candidatos, que devem apresentar propostas objetivas e detalhadas para os próximos quatro anos.

Organizações e representantes da sociedade civil exigem que o próximo governo, independentemente do vencedor, mantenha um compromisso firme com os direitos dos idosos, garantindo a continuidade das políticas já estabelecidas e a inclusão de propostas concretas que atendam às necessidades dessa população.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Com a definição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) para disputarem o segundo turno das eleições à Presidência, ganha relevância agora a estratégia que adotarão nesta nova etapa. O que deve mudar em seus discursos? O que não foi dito ainda? Para o público 50+, a lista de temas considerados prioritários é longa e deveria estar no foco dos candidatos, levando em conta o peso desse eleitorado atual e a tendência de crescimento, dado a velocidade do envelhecimento da população.

Para a economista e professora da PUC-SP, Cristina Helena Pinto de Melo, as campanhas devem mudar sua natureza. Segundo ela, no primeiro turno prevaleceu a mobilização de bases e a diferenciação entre os candidatos, porém o momento é de priorizar alternativas. 

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Por isso, a professora afirma que, a partir de agora, as propostas precisam ser mais objetivas. “O ideal é que os candidatos apresentem propostas claras dizendo o que gostariam de fazer nos próximos quatro anos e especificar como fazer. Estabelecendo relações de causa e efeito entre fenômenos e entregas de política."

Na avaliação da economista, temas importantes que não foram devidamente tratados até agora, precisam ser mais bem explicitados pelos dois lados, como:

  • Qual será a estratégia para o crescimento econômico?
  • Como será enfrentada a questão fiscal sem comprometer políticas sociais? 
  • Qual será a política para juros, emprego e renda?
  • Como o País pretende lidar com a transformação tecnológica e com a IA?
  • Como cada governo pretende enfrentar o envelhecimento da população brasileira?

Com relação à população idosa, a professora afirma ser fundamental que ela não seja tratada  apenas como alguém que recebe aposentadoria ou utiliza o sistema de saúde, e destaca cinco pontos aos quais se deve ficar atento nas falas dos candidatos:

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  • Poder de compra das aposentadorias e pensões
  • Acesso e qualidade da saúde, especialmente medicamentos, consultas e atendimento
  • Segurança contra violência e golpes financeiros e digitais
  • Mobilidade e condições de moradia
  • Políticas de cuidado e autonomia para uma população que vai viver cada vez mais

A especialista acrescenta que neste segundo turno espera que os candidatos sejam menos genéricos sobre prioridades, fontes de financiamento, capacidade de execução e impactos concretos das propostas na vida das pessoas.

Envelhecimento como pauta política

Nas mobilizações do primeiro turno, um dos apelos recorrentes foi para que eleitores com 70 anos ou mais comparecessem às urnas. Para a diretora da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SP), Marília Berzins, o engajamento desse grupo — que fez questão de votar para proteger direitos já conquistados — deve servir de recado ao próximo governo, qualquer que seja o vencedor. “É preciso compromisso com o envelhecimento”, afirma.

Para Berzins, políticas e garantias destinadas à população idosa não podem andar para trás.

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O marco legal da garantia de direitos, que começa na Constituição Federal, na Política Nacional do Idoso e no Estatuto do Idoso, já nos garante essa continuidade. Espero, efetivamente, que os direitos humanos em relação às pessoas mais velhas se fortaleçam"
Marília Berzins, diretora da SBGG-SP

Os cuidados com a pessoa idosa

Para o gerontólogo e especialista em saúde pública e colunista do VIVA, Alexandre Kalache, até agora tanto Lula como Flávio Bolsonaro deixaram muito a desejar com relação a propostas para o publico 60+. 

No caso da campanha de Lula, diz ele, faltou "pedir perdão, se desculpar junto à população idosa por não ter desenvolvido políticas públicas mais claras, abrangentes, mais inclusivas, mais voltadas às pessoas negras, às pessoas da periferia, a mulheres pobres, a pessoas idosas, LGBT, as que vivem com incapacidades. Eu acho que há um saldo e uma dívida do governo Lula em relação a todos esses requisitos."

Já na campanha de Flávio Bolsonaro, aponta que "não há um compromisso, não há um programa de governo, não há nem mesmo um pedido de desculpa do que ocorreu no governo do PL, do pai dele."

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Quando a gente fala população idosa, eu não estou falando de nós já idosos, estou falando do jovem de hoje, que será o idoso de amanhã e ele chegará à velhice com uma perspectiva de curso de vida.”
Alexandre Kalache, gerontólogo

Medidas para os aposentados

Na opinião de Andrea Gato, secretária-geral do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), faltou colocar no centro das campanhas propostas concretas para quem vive de aposentadoria ou pensão.

Segundo a sindicalista, não basta homenagear a população idosa, é preciso apresentar medidas para preservar sua renda, ampliar o acesso à saúde e garantir um envelhecimento com dignidade.

Gato aponta que a população idosa cobra valorização das aposentadorias, benefícios acima do salário mínimo, o fortalecimento da Previdência Social, acesso à saúde e proteção contra fraudes e violência. Segundo ela, é necessário explicar como essas propostas serão executadas.

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Nossas necessidades precisam ser ouvidas, e as propostas dos candidatos para a questão social e os direitos dos aposentados devem ser apresentadas com clareza, permitindo uma avaliação clara."
Andrea Gato, secretária-geral do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos

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