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Cidadania e Direitos / Política

Tarcísio e Haddad fazem críticas recíprocas sobre segurança e cracolândia

Estadão Conteúdo

O governador de SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) se cumprimentam no início do debate da Band TV - Estadão Conteúdo
O governador de SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) se cumprimentam no início do debate da Band TV
Por Broadcast

10/08/2026 | 08h28

São Paulo e Brasília - O governador do Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, confrontou o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato do PT, sobre Segurança Pública, no debate promovido pela Rede Bandeirantes. 

O gancho para a mudança foi a cracolândia. Tarcísio mencionou que seu governo obteve uma vitória contra a cracolândia e criticou Haddad pelo programa "De braços abertos", lançado em 2014, quando era prefeito da capital paulista. Em seguida, questionou Haddad se ele seguirá o combate ao crime no centro de São Paulo caso seja eleito.

O petista rebateu que o atual governador tem "dificuldade de admitir o mérito dos outros". Afirmou que a operação na cracolândia tem mérito de Tarcísio, mas compartilhado com outras instituições. "Sem o Ministério Público, que é desrespeitado por falta de menção, nada disso teria acontecido", disse Haddad. 

Sobre o "De Braços Abertos", Haddad afirmou que o programa tinha foco na Saúde e argumentou que ele não tinha capacidade de enfrentar o tráfico de drogas, que disse ser um assunto de polícia e não da prefeitura. 

Combate ao PCC

Fernando Haddad prometeu que, se eleito, criará um gabinete amplo para a segurança pública do Estado. Tarcísio de Freitas rebateu o oponente e também falou sobre o assunto. A plateia - formada basicamente por assessores e aliados de cada lado - se manifestou com palmas e gritos, num clima de agitação.

Haddad foi o primeiro a responder, dizendo que o assunto é sério e não deve ser terceirizado ou devolvido - já alfinetando seu concorrente. E prometeu: “Eu vou montar um gabinete institucional de segurança pública presidido por mim, governador do Estado, onde terão assento as polícias paulistas, civis e militares, o Ministério Público Estadual e Federal, a Polícia Federal, a Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras)”. Ele reforçou que essa equipe tem que ser gerenciada por alguém com mandato e poder de intervenção. 

A presença desses órgãos, de acordo com o petista, precisa ser organizada para ter respostas como a da Operação Carbono Oculto. A Carbono Oculto foi uma investigação integrada da Receita e do Ministério Público de São Paulo (MPSP), iniciada em agosto de 2025 para desarticular um esquema bilionário de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis e mercado financeiro. “A Carbono Oculto só foi o exemplo que foi porque é uma cooperação. É uma coisa absurda um governador que não quer a cooperação, acusando o governo federal de querer tirar a autonomia, de querer ajuda”, criticou.  

Haddad acrescentou que o gabinete institucional contará com inteligência e divulgação de dados trimestralmente pela internet. “Nós vamos saber onde os crimes estão sendo cometidos.”

Tarcísio por sua vez, afirmou que a área foi a primeira a receber sua atenção no início do mandato. “Além de ter aumentado o efetivo, além de ter investido em operações de inteligência, justiça financeira, além de a gente ter topado enfrentar o crime no setor de combustíveis, no setor de motéis, nas revendas de carros importados, no setor de transportes, operações que nunca ninguém teve coragem de fazer”, enumerou. 

O governador citou ainda que há operações na Baixada Santista e outras mais serão feitas. Ele aproveitou para citar uma operação realizada na Favela do Moinho, que contou, inclusive, com a prisão de traficantes. “Por sinal, nós temos uma cena ruim, que é a cena do doutor Fernando Haddad, no palco, com a traficante que comandava o tráfico na favela do Moinho, depois da operação”, disse, sendo aplaudido pelo público. 

Imediatamente Haddad rebateu, afirmando que a acusação se tratava de uma “deselegância”. “Como é que eu vou saber quem é? Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece?”, questionou, sendo fortemente aplaudido pelos seus aliados. 

“Se você sabia que era uma pessoa do tráfico, por que você não foi lá para prender? Eu não sabia! Se eu soubesse, eu teria dado voz de prisão para ela”, continuou Haddad, com risos da plateia. “Eu não tenho esse tipo de proximidade com nada... Para  você falar. Então você respeita, baixa essa bola. Eu não acho que não estamos bem na segurança pública porque está faltando comando”, prosseguiu o petista.

Dentro do tema de segurança pública, Haddad acusou Tarcísio de "não ter sequer um discurso" para combater os casos de feminicídio e racismo registrados no Estado.

O atual governador, por sua vez, disse que o índice de crimes contra mulheres em São Paulo é menor do que em outros Estados e que a rede de proteção foi ampliada sob sua gestão. Também defendeu que os indicadores de roubo e latrocínio em São Paulo estão nas mínimas históricas.

O sistema de monitoramento Smart Sampa entrou em pauta. Haddad afirmou que Tarcísio está no tempo do telefone fixo em termos de inteligência artificial para combater o crime. “Metade das pessoas identificadas pelo Smart Sampa são devedores de pensão alimentícia”, criticou o ex-ministro.

Negacionismo e corrupção

A reta final do primeiro debate entre candidatos ao governo de São Paulo foi marcada por provocações, de negacionismo a corrupção. Em mais uma referência à relação do Estado com a União, o ex-ministro da Fazenda afirmou que o governador de São Paulo “tem vergonha” de dizer publicamente que fez um acordo com o Governo Federal para reduzir a dívida de São Paulo.

Haddad também acusou o grupo político ligado a Tarcísio de ser negacionista. “Tem um problema com vocês, que é o negacionismo. Vocês negam a mudança climática. Vocês negam a vacina. Você agora está vivendo um surto de sarampo em São Paulo. O teu grupo político está fazendo propaganda antivacina agora na internet. O sarampo está voltando. Daqui a pouco, Tarcísio, se continuar essa loucura dos seus correligionários e apoiadores, nós vamos ter volta de outras doenças erradicadas”, disse.

Já Tarcísio afirmou que Haddad estava incomodado toda vez que ele falava em números. “Eu queria saber por que os números te incomodam tanto. Toda vez que eu falo em números, você fica incomodado. Deve ser uma dificuldade aí com a matemática, né? Eu compreendo”, disse. Também questionou o ex-ministro se o PT já havia feito mea-culpa sobre os casos de corrupção na Lava Jato.

Saúde e educação

Os candidatos trocaram farpas em relação ao desempenho da saúde no Estado. Se Fernando Haddad (PT) afirmou que a diminuição da fila para procedimentos de saúde paulista ficou aquém do que se viu no Brasil, Tarcísio de Freitas (Republicanos) argumentou que ampliou a quantidade de leitos hospitalares e cirurgias no Estado.

Haddad começou dizendo que São Paulo recebeu recursos do governo federal para o Sistema Único de Saúde (SUS) porque não houve distinção por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista afirmou que o Estado fez a tabela SUS paulista e conseguiu incrementar, segundo dados apurados no Tribunal de Contas da União (TCU), 32% com atendimento de cirurgias eletivas - mais de 10 pontos porcentuais abaixo da média nacional, que foi de 48%.

Tarcísio, porém, argumentou que as contas de São Paulo foram equilibradas e, com isso, foi possível criar “muita quantidade de leitos”. “São 8.400 leitos abertos desde o início do mandato”, disse, citando 14 hospitais inaugurados. O governador mencionou, na sequência, uma série de números que foram considerados “mentirosos” pelo adversário.

Haddad afirmou que o candidato à reeleição devolveu o dinheiro da educação para colocar os aposentados na conta e que 62% da tabela do SUS é constituída de dinheiro federal. “Você nega a participação do governo federal”, disse, citando o túnel Santos Guarujá, linha 6 do metrô. “Você tem vergonha de agradecer publicamente e de confessar que fez acordo com (o ministério da) a Fazenda.”

Ao ser questionado sobre o desempenho de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, o governador afirmou que o Estado tem avançado na alfabetização e que pretende lançar um programa de educação com Inteligência Artificial (IA). "A gente também tem que trabalhar muito a formação continuada de professores e o avanço das escolas de tempo integral", acrescentou o governador, que foi o primeiro a responder a questão.

Na sequência, em sua vez, Haddad afirmou que o governador herdou o Estado com a terceira colocação no Ideb em termos de qualidade do Ensino Médio e está entregando na 10ª posição. "Você pega os Estados do País que ultrapassaram São Paulo, Estados com muito menos recursos para investir por aluno do que São Paulo: Piauí, Ceará e Pernambuco, para citar três exemplos que estão fazendo um bom trabalho na educação e estão colhendo os resultados da dedicação que estão fazendo", disse o ex-ministro.

Haddad também argumentou que a alfabetização é outro problema grave na capital paulista e afirmou que a escola integral quase não teve avanço na gestão do atual governador.

(Por Marianna Gualter e Daniel Tozzi Mendes)

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