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Ideb: Educação básica no Brasil atinge melhor resultado da série histórica

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

País avançou no ensino básico, mas desafios estruturais e de aprendizagem persistem - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
País avançou no ensino básico, mas desafios estruturais e de aprendizagem persistem
Por Bianca Bibiano

05/08/2026 | 17h30 ● Atualizado | 17h55

São Paulo - Dados divulgados hoje pelo Ministério da Educação (MEC) mostram que em 2025 o desenvolvimento da educação básica no Brasil avançou em todas as etapas de ensino em comparação com análises anteriores. 

De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), entre 2023 e 2025 o ensino fundamental brasileiro passou de 6 para 6,3 nos anos iniciais e de 5 para 5,3 nos anos finais. Já o Ideb do ensino médio passou de 4,3 para 4,5. A análise considera uma escala de 0 a 10 pontos.

As notas partem de dados do fluxo escolar mostrados no último Censo Escolar e da proficiência dos estudantes em língua portuguesa e matemática na última avaliação do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Segundo o MEC, foram considerados resultados de aproximadamente 33 milhões de estudantes e 192 mil escolas.

Em nota à imprensa, o ministério afirmou que os resultados atingiram os maiores valores da série histórica iniciada em 2005 e a maior evolução acumulada em 20 anos.

Aprendizagem 

Ainda segundo o MEC, a aprendizagem de língua portuguesa e matemática também melhorou nas etapas de ensino analisadas. Em uma escala que vai de 0 a 500, no 5º ano do ensino fundamental, em português, a avaliação passou de 207,6 em 2023, para 215,1 pontos, em 2025; e em matemática, de 218,3 para 227,4.

No caso do 9º ano do ensino fundamental, em língua portuguesa a média passou de 252,9 para 256,6; e em matemática, de 249,9 para 255,3. Já no 3º ano do ensino médio, em língua portuguesa, o resultado passou de 269,1 para 272,3; e em matemática, de 263,9 para 268,0.

Especialistas analisam dados do Ideb 2025

Para especialistas ouvidos pelo VIVA, os resultados são positivos, mas não o suficiente para suprir as lacunas da educação básica. Segundo a gerente de dados, avaliação e monitoramento do Instituto Ayrton Senna, Daiane Zanon, os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio continuam concentrando os menores níveis de aprendizagem, evidenciando a necessidade de políticas específicas para essas etapas.

"Os resultados mostram que o País avançou, mas também deixam claro que ainda há desafios estruturais importantes."

Outro desafio é reduzir as desigualdades, observa a especialista, já que existem diferenças expressivas entre Estados, municípios e escolas.

O CEP onde o estudante nasce, sua condição socioeconômica ou sua cor/raça ainda influenciam fortemente suas oportunidades de aprendizagem, o que é incompatível com o princípio do direito à educação."

Nesse sentido, ela observa que "o próximo ciclo deve estar orientado para a consolidação de políticas capazes de garantir aprendizagem para todos".

Isso significa dar continuidade às estratégias que já demonstraram bons resultados, fortalecer a capacidade de implementação das redes de ensino e ampliar o acompanhamento da aprendizagem dos estudantes ao longo de toda a trajetória escolar", finaliza.

O titular da Cátedra Sérgio Henrique Ferreira, do Instituto de Estudos Avançados Polo Ribeirão Preto da USP, Mozart Ramos Neves, observa que para os anos iniciais, em particular, o País ultrapassou a meta prevista do Plano Nacional de Educação, que se encerrou em 2024. Já para as duas últimas etapas da educação básica, os crescimentos verificados não foram suficientes para alcançar as metas previstas. 

"É preciso agora entender as desigualdades verificadas entre as diferentes unidades da federação e suas redes escolares no que se refere aos crescimentos verificados e os fatores associados", defende. 

Ele completa salientando que "o Ideb foi e continua sendo um instrumento importante, mas hoje precisamos de análises mais refinadas para compreender por que, por exemplo, municípios com perfis semelhantes apresentam resultados tão diferentes. É esse diagnóstico que deve orientar políticas públicas mais eficazes para garantir aprendizagem com equidade".

No caso da matemática, a professora e diretora executiva do Instituto Reúna, Katia Smole, diz que os resultados mostram uma "melhora real na educação". Ela afirma que nos anos iniciais, a rede pública cresceu 9,1 pontos entre 2023 e 2025 e nos anos finais, 5,4 pontos no mesmo período, voltando ao nível pré-pandemia: 

"Esses avanços podem refletir as ações de recomposição, o maior uso de avaliações diagnósticas e intervenções mais focadas nas aprendizagens essenciais. O desafio agora é fazer com que o avanço alcance mais redes no país e menos crianças e adolescentes acumulem dificuldades."

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