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4 em cada 10 idosos têm medo de cair nas calçadas do País, diz pesquisa

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Dados mostram que o medo não é infundado: 20,9% dos idosos relataram ter sofrido uma ou mais quedas nos últimos 12 meses - Adobe Stock
Dados mostram que o medo não é infundado: 20,9% dos idosos relataram ter sofrido uma ou mais quedas nos últimos 12 meses
Por Emanuele Almeida

26/05/2026 | 11h10

São Paulo - Caminhar pelas calçadas das cidades brasileiras tem se tornado um verdadeiro desafio para a população idosa. Dados recentes do estudo Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), do período de 2023 e 2024, revelam que quatro a cada 10 dos idosos residentes em áreas urbanas relatam ter medo de cair por causa de defeitos nos passeios públicos (42,7%). 

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O estudo coordenado pela Fiocruz Minas e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra também que essa insegurança não afeta a todos os idosos de maneira igual. O medo cresce drasticamente com o avanço da idade: enquanto 35,2% das pessoas entre 60 e 69 anos relatam esse receio, o índice salta para 63,1% entre aqueles com 80 anos ou mais.

Os dados segmentados por gênero também revelam outra vulnerabilidade, principalmente entre o público feminino. No quadro geral, mais da metade das mulheres (50,5%) teme acidentes nas calçadas, em forte contraste com os homens (31,9%). O cenário mais crítico encontra-se entre as mulheres com 80 anos ou mais, onde esse medo atinge expressivos 70%. 

No geral, o levantamento evidencia que a combinação entre o declínio físico natural, manifestado pela marcha lenta e ocorrência de quedas, e a má qualidade da infraestrutura urbana cria um ambiente hostil e limitante, que restringe a autonomia e a segurança dos idosos brasileiros.

Números de acidentes

O receio de caminhar nas ruas encontra respaldo na realidade dos acidentes sofridos por essa população. Os dados mostram que o medo não é infundado, tendo em vista que 20,9% dos idosos relataram ter sofrido uma ou mais quedas nos últimos 12 meses.

Acompanhando a tendência de maior insegurança, as mulheres também são as maiores vítimas das quedas reais, com uma prevalência de 24,9%, contra 15,7% entre os homens. Entre os idosos que caíram pelo menos uma vez no último ano, 39% sofreram quedas recorrentes, ou seja, caíram duas ou mais vezes.

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Na faixa etária mais avançada, de 80 anos ou mais, essa recorrência atinge quase metade dos acidentados (46,6%). Curiosamente, embora as mulheres temam e caiam mais no geral, são os homens de 80 anos ou mais que apresentam a maior taxa de quedas recorrentes (48,4%). 

Mobilidade física

O medo das calçadas defeituosas e o alto índice de quedas estão conectados a um fator biológico revelado pela pesquisa: a perda da capacidade de locomoção. O estudo aponta que 72,2% da população idosa já apresenta baixa velocidade da marcha, sendo igual ou inferior a 0,8 metros por segundo. 

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A lentidão ao caminhar dificulta a capacidade de desviar de obstáculos e buracos, o que explica a correlação com o medo. Novamente, a faixa dos 80 anos ou mais é a mais impactada, com 88,2% desses idosos apresentando marcha lenta ao caminhar.

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