Anvisa vai discutir normas para manipulação de canetas emagrecedoras
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São Paulo - A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve analisar no próximo dia 29 uma proposta de norma voltada à manipulação de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras. O foco são os chamados agonistas do receptor GLP-1, cada vez mais populares entre quem busca perda de peso.
A iniciativa faz parte de um pacote de ações anunciado no início do mês, que reúne medidas de regulação e fiscalização para esse tipo de produto. A ideia é estabelecer regras mais claras para etapas como importação, escolha de fornecedores, testes de qualidade, armazenamento e transporte dos insumos farmacêuticos ativos (IFAs).
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Com o aumento da procura por substâncias como semaglutida, tirzepatida e liraglutida, também cresceu o comércio irregular desses medicamentos — que, vale lembrar, só podem ser vendidos com retenção de receita médica. Diante dos riscos à saúde, a Anvisa tem intensificado o controle, especialmente sobre versões manipuladas sem autorização.
A minuta da norma está disponível para consulta no site da agência.
Grupos de apoio técnico
Ainda nesta semana, a Anvisa publicou duas portarias criando grupos de trabalho para fortalecer o controle sanitário e ampliar a segurança dos pacientes. Um deles reúne representantes do Conselho Federal de Farmácia (CFF), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Conselho Federal de Odontologia (CFO), conforme a Portaria 488/2026.
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Já o segundo grupo, instituído pela Portaria 489/2026, terá a missão de acompanhar a execução do plano de ação da agência e sugerir melhorias para embasar decisões da diretoria.
Parceria para uso seguro
A Anvisa também firmou uma carta de intenção com os conselhos federais de Medicina, Odontologia e Farmácia. O objetivo é incentivar o uso responsável das canetas emagrecedoras e reduzir riscos associados a práticas irregulares.
Segundo a agência, a cooperação prevê troca de informações, alinhamento técnico e ações educativas voltadas à população e aos profissionais de saúde.
Produtos proibidos
Na última quarta-feira (15), a Anvisa determinou a apreensão dos medicamentos Gluconex e Tirzedral, fabricados por uma empresa não identificada. A decisão inclui a proibição de venda, distribuição, importação e uso.
Os produtos vinham sendo divulgados online como injetáveis à base de GLP-1, mas não possuem registro ou qualquer tipo de autorização. De acordo com a agência, não há garantia sobre composição ou qualidade, o que torna o uso arriscado em qualquer circunstância.
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