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Congresso em Belém debate envelhecimento e crise climática no País

Paula Bulka Durães/VIVA

O evento ocorre poucos meses após Belém sediar a COP30 - Paula Bulka Durães/VIVA
O evento ocorre poucos meses após Belém sediar a COP30
Por Paula Bulka Durães

04/06/2026 | 14h41

Belém -  Em um cenário de acelerado envelhecimento populacional e urgência climática, a capital paraense sedia o Congresso Norte/Nordeste de Geriatria e Gerontologia (CoNNeGG 2026), com o tema “Envelhecimento humano e sustentabilidade”, organizado pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – Seção Pará (SBGG-PA).

O local escolhido para o congresso é o moderno Hangar Convenções & Feiras da Amazônia, antigo hangar da Aeronáutica Brasileira, que abrigou, em 2020, um hospital de campanha para pacientes da Covid-19. Nesse lugar esteve internado o cantor e instrumentista paraense Nilson Chaves, 74, que volta, na abertura da CoNNeGG, para celebrar as honrarias da velhice.

O evento ocorre poucos meses após Belém sediar a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), com o recebimento de autoridades mundiais na nova capital simbólica do Brasil, marcada por intercorrências graves de organização.

No entanto, a conferência representou uma porta para a visibilidade amazônica, das populações e tradições locais, que permitiu a equipe organizadora da CoNNeGG ampliar o discurso para o envelhecimento populacional

O plano é buscar aproximar a ciência das políticas públicas e da realidade vivida pelas populações idosas do Norte e Nordeste brasileiro, marcadas pela conexão profunda com os rios e a floresta, que mobilizam a economia local e nacional, e por uma relação única com a mobilidade e o envelhecer.

A programação propõe um novo olhar para a longevidade, unindo o desenvolvimento sustentável e a escuta ativa das necessidades territoriais, com o objetivo de ofertar conhecimentos capazes de transformar o cuidado direcionado às pessoas idosas nessas regiões.

No dia anterior ao início do congresso, o VIVA participou do “Encontro de Lideranças Norte-Nordeste: Envelhecimento, Clima e Saúde”, no Espaço Aruna, na Ilha do Combu.

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A imersão na natureza amazônica reuniu referências nacionais da geriatria e gerontologia para alinhar o cuidado com a velhice às emergências climáticas e à estruturação do Sistema Único de Saúde (SUS).

A vivência foi encerrada com a formulação da Carta do Combu, um manifesto construído coletivamente que reconhece as vulnerabilidades das pessoas idosas. "Não haverá futuro sustentável sem que o envelhecimento esteja no centro da agenda climática, sanitária e social do País", destaca o documento, elaborado no intuíto de conscientização da classe médica e de saúde.

Não haverá política de saúde da pessoa idosa verdadeiramente efetiva sem escuta dos territórios, sem valorização das diversidades regionais." 

Acesso à saúde pública é desafio

Uma das conferências mais aguardadas da abertura foi a da pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), Leides Barroso Azevedo Moura, coordenadora do grupo de pesquisa Envelhecer Cotidiano.

Na fala, a gerontóloga defendeu a atualização urgente da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa a partir de uma construção "de baixo para cima". Ela enfatizou a importância de escutar ativamente as pessoas idosas, transformando vivências locais em diretrizes governamentais.

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A especialista também dissecou as mazelas do idadismo estrutural, explicando como o preconceito se sustenta financeiramente. Segundo Azevedo, o modelo é fruto de uma lógica que rejeita o corpo envelhecido por não possuir a "mercadoria da juventude" para gerar lucro, fazendo com que o mercado passe a enxergar a pessoa idosa apenas como um novo nicho de consumo.

Nós somos habitados por estereótipos. Estereótipos são sistemas de opressão. Eles habitam o nosso corpo, eles vazam, extrapolam, e se derramam a partir dos nossos gestos e do nosso olhar."

Para ilustrar o desejo primário por dignidade e suficiência na velhice, a médica emocionou o público ao relembrar uma reflexão feita por seu pai, de 96 anos: "Ele sempre disse que o que esperava ao longo da vida não era só rampas nos edifícios. Ele queria rampa nas pessoas, para entenderem que ele era uma pessoa suficiente dentro das suas potencialidades."

Programação com raízes locais

Com o objetivo de unir a solidez das evidências científicas a uma sociedade mais empática, a programação do CoNNeGG 2026 foi dividida em salas temáticas que homenageiam a flora local — Sumaúma (Grandes Temas), Açaizeiro (Interfaces) e Castanheira da Amazônia (Longevidade e Sustentabilidade).

A programação é composta por imersões, mesas-redondas e conferências sobre temas fundamentais, como comportamento e movimento, atualizações no diagnóstico e tratamento de demências e distúrbios do sono, além de debates sobre oncogeriatria, cuidados paliativos, idadismo estrutural e os direitos da pessoa idosa — todas as discussões em diálogo com a temática ambiental.

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