Doença renal é silenciosa e diagnóstico tardio preocupa especialistas
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São Paulo - A doença renal crônica é uma condição progressiva, que pode causar a perda da função dos rins. Segundo dados do Ministério da Saúde, ela atinge 10% da população e é considerada um problema silencioso.
O médico nefrologista Filipe Miranda Bernardes, do Grupo São Lucas Ribeirão Preto, explica que a maioria dos casos não apresenta sintomas iniciais, fazendo com que muitos pacientes descubram o problema apenas em estágios avançados, quando já há perda significativa da função dos rins.
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"A doença renal crônica não costuma causar dor ou sinais específicos no começo. O rim vai perdendo função lentamente e o organismo compensa por muito tempo. Quando surgem sintomas como inchaço, anemia ou pressão descontrolada, muitas vezes a função já está bastante comprometida", explica o especialista.
O diagnóstico tardio pode resultar em complicações cardiovasculares e, em muitos casos, na necessidade de diálise ou transplante renal.
Fatores de risco e proteção
Segundo a médica Maristela Carvalho da Costa, responsável pelo setor de Nefrologia do Hospital Santa Catarina - Paulista, a inclusão dos exames de urina e creatinina nos check-ups de rotina, especialmente em pessoas com fatores de risco, pode mudar esse cenário.
Além do diagnóstico precoce, hábitos saudáveis são importantes fatores de proteção para a saúde dos rins, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, hidratação adequada e controle do peso. Por outro lado, o tabagismo é um fator de risco relevante e está associado ao aumento da incidência e da progressão das doenças renais.
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Embora o diabetes e a hipertensão arterial respondam pela maior parte dos casos de doença renal crônica, a especialista ressalta que outras doenças renais também merecem atenção, como as doenças glomerulares, que afetam principalmente adultos jovens e podem evoluir de forma rápida se não forem diagnosticadas e tratadas precocemente.
Por isso, pessoas com diabetes, hipertensão, histórico familiar de doença renal, obesidade, fumantes ou pertencentes a faixas etárias mais jovens com alterações urinárias devem ter atenção redobrada à saúde dos rins, com acompanhamento médico regular e exames periódicos."
O médico Filipe Miranda Bernardes complementa: "Quando identificamos a doença nas fases iniciais, conseguimos controlar melhor fatores como pressão alta e diabetes, ajustar medicações e introduzir tratamentos modernos que reduzem a progressão da doença. Diagnóstico precoce significa mais tempo com os rins funcionando e mais qualidade de vida."
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Sinais de atenção
De acordo com a médica Maristela Carvalho da Costa, alguns sinais podem indicar que algo não vai bem com os rins. Nesse sentido, ela pontua:
- Inchaço nas pernas, tornozelos, pés ou ao redor dos olhos, causado pela retenção de líquidos.
- Alterações na urina, como espuma excessiva, mudança de cor, presença de sangue ou diminuição do volume urinário.
- Cansaço excessivo e fraqueza, mesmo sem esforço físico intenso.
- Pressão arterial difícil de controlar, mesmo com uso de medicação.
- Falta de apetite, náuseas ou vômitos frequentes.
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A médica destaca, no entanto, que a ausência desses sintomas não significa rins saudáveis. A investigação apurada é essencial para a detecção precoce da doença, que contribui não apenas para preservar a função renal e a qualidade de vida, mas também para reduzir a necessidade de tratamentos de alta complexidade, como a hemodiálise, finaliza.
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