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Verão eleva em 30% os casos de pedras nos rins; entenda os riscos em idosos

Fernando Frazão/Agência Brasil

Desidratação, aumento da transpiração e hábitos inadequados favorecem a formação de cálculos renais e exigem cuidados extras com hidratação - Fernando Frazão/Agência Brasil
Desidratação, aumento da transpiração e hábitos inadequados favorecem a formação de cálculos renais e exigem cuidados extras com hidratação
Por Bianca Bibiano

20/01/2026 | 15h59 ● Atualizado | 16h19

São Paulo, 20/01/2026 - O verão, estação marcada por altas temperaturas e maior perda de líquidos pelo suor, traz um alerta importante para a saúde: a incidência de pedras nos rins pode aumentar em até 30% nessa época do ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

De acordo com o urologista Luís César Zaccaro, a prevenção começa com cuidados simples e contínuos. “Os rins não são apenas um filtro do nosso corpo. Eles regulam funções vitais que impactam desde a energia diária até o equilíbrio hormonal. No verão, quando perdemos mais líquidos, é fundamental redobrar a atenção para manter esse sistema funcionando em harmonia”, explica.

Leia também: Ureia alta: fadiga e falta de apetite podem indicar problema renal silencioso

A hidratação adequada é apontada como a principal estratégia preventiva. Beber água em quantidade suficiente ajuda a diluir a urina, reduzindo a concentração de sais e substâncias que podem formar cristais e, posteriormente, as pedras. “A água facilita a filtragem dos resíduos pelo organismo e diminui o risco tanto de cálculos renais quanto de infecções urinárias”, destaca o médico.

Quanta água beber no verão?

A recomendação geral é de 2 a 3 litros de água por dia, podendo variar conforme clima, atividade física e características individuais. Um indicador recomendado por Zaccaro para avaliar se a ingestão está adequada é observar a cor da urina: quanto mais clara e próxima do transparente, melhor o nível de hidratação. O médico também faz um alerta importante para quem já está em crise de cólica renal.
É comum achar que beber muita água durante a dor vai ajudar a eliminar a pedra, mas isso não é verdade. A hiperidratação nesse momento pode aumentar a pressão dentro do sistema urinário e piorar a dor. Durante a crise, o ideal é manter a ingestão habitual de líquidos, sem exageros, e buscar orientação médica.”

Cuidado com os excessos

Além da água, o médico chama atenção para outros hábitos que influenciam diretamente a saúde renal. “Uma alimentação equilibrada, sem excesso de sal, a prática regular de exercícios físicos, o controle do consumo de álcool, não fumar e o uso responsável de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios e antibióticos, são atitudes fundamentais para proteger os rins ao longo da vida”, orienta o urologista.
retrato do médico Luis Cesar Zaccaro
Em pacientes 60+, o cálculo renal pode causar infecções, obstruções silenciosas e tardias, explica o médico Luís César Zaccaro - Divulgação
Outro cuidado importante está relacionado à alimentação. O consumo excessivo de sal (sódio) aumenta o risco de formação de pedras, pois faz com que o rim elimine mais cálcio pela urina. O sódio está presente principalmente em alimentos ultraprocessados, como embutidos (presunto, salsicha, salame), comidas prontas, enlatados, salgadinhos, fast-food, temperos prontos e macarrão instantâneo.
Além disso, dietas hiperproteicas — muito comuns hoje, com alto consumo de carnes, ovos, suplementos proteicos e Whey Protein —, quando feitas sem orientação médica ou nutricional, podem aumentar o risco de cálculo renal, especialmente em pessoas predispostas. O excesso de proteína sobrecarrega os rins e altera a composição da urina.
Por outro lado, uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes ajuda a proteger os rins. Em especial, frutas cítricas, como limão e laranja têm efeito protetor, pois dificultam a formação de pedras.

Pedras nos rins em pessoas idosas

Embora os casos de pedras nos rins tenham maior incidência entre adultos jovens, especialmente homens entre 20 e 35 anos e com o pico clássico de apresentação seja entre 30 e 50 anos, os cálculos renais podem acontecer em pessoas idosas. 
Nesses casos, a dor pode ser menos intensa ou atípica, afirmou Zaccaro ao VIVA.
"O paciente 60+ tem menos aquela cólica clássica e apresenta mais frequentemente uma vaga dor lombar, desconforto abdominal ou até confusão mental. O quadro, por vezes, simula uma dor muscular e, com isso, há um maior risco de complicações por diagnóstico mais tardio dos quadros, podendo ocasionar aparecimento de infecções, obstruções silenciosas e tardias, infecções urinárias associadas e insuficiência renal".

Principais motivos de cálculo renal em pessoas idosas

  • Menor ingestão de líquidos, causado por menos sede, que acomete pessoas nessa fase da vida.
  • Doenças associadas que podem afetar o metabolismo.
  • Uso crônico de alguns medicamentos que podem favorecer o aparecimento de cálculos .
  • Alterações metabólicas do envelhecimento.

Cuidados após identificar cálculos renais

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Os casos de pedras nos rins têm maior incidência entre adultos jovens, especialmente homens entre 20 e 35 anos, mas afeta também os idosos - Divulgação/Zacarro
Zaccaro sugere que a investigação metabólica é essencial após o primeiro caso de cálculo renal nessa faixa etária, com avaliação de exames de sangue e urina específicos, inclusive coletas de urina de 24 horas podem ser fundamentais para descobrir a causa da formação dos cálculos e ajustes que diminuam sua recorrência nessa população.
"Ajustes de medicações podem ser necessárias, tais como rever diuréticos, avaliar suplementação de cálcio e vitamina D, cuidados com dietas hiperproteicas. A hidratação também deve ser feita com cautela. A meta é uma urina clara. Ajustes devem ser feitos em pacientes com problemas cardíacos ou alterações da função renal, pois pequenas ingestões mais frequentes podem ser mais adequadas."
O médico indica também uma orientação alimentar individualizada, que promova a redução de sódio e proteína animal com moderação, e indica manter cálcio dietético, além de seguimento clínico com urologista mais próximo para avaliação periódica de exames de função renal, com exames de imagem como ultrassonografia do aparelho urinário ou tomografia computadorizada do abdome.

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