Dores nas articulações? Saiba quando buscar um ortopedista
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27/12/2025 | 14h00
São Paulo, 27/12/2025 - Muitas pessoas acreditam que a visita ao ortopedista só é necessária quando a dor se torna insuportável ou após uma lesão evidente. No entanto, esperar o problema evoluir pode ser um erro, ainda mais com o uso constante que fazemos das articulações, que facilmente pode causar problemas nessas regiões.
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Quais são sinais de atenção?
O médico ortopedista, especialista em joelho, medicina regenerativa e esportiva, Adílio Bernardes afirma que não é preciso sentir dores intensas nas articulações para procurar ajuda médica. Existem sinais discretos que indicam que algo não vai bem. O ortopedista enfatiza que o paciente deve ficar atento a:
- Inchaços persistentes;
- Rigidez ao acordar;
- Estalos frequentes;
- Formigamentos;
- Perda de força.
Além destes, outros sintomas exigem atenção imediata:
- Dor articular persistente: aquela dor que dura semanas e piora com atividades simples do dia a dia;
- Barulhos articulares com dor: estalos, crepitações ou sensação de travamento, especialmente se acompanhados de limitação de movimento;
- Instabilidade: alterações na marcha ou no equilíbrio, gerando insegurança ou medo de cair;
- Dor noturna ou em repouso: um sinal que não deve ser ignorado.
Problemas nas articulações costumam evoluir silenciosamente. Por isso, reconhecer os sinais que o corpo dá e adotar os cuidados corretos — evitando a automedicação — são passos cruciais para manter a mobilidade, a qualidade de vida e evitar desenvolver doenças reumáticas, que atingem mais de 15 milhões de brasileiros, segundo estimativas da Sociedade Brasileira de Reumatologia.
Atenção redobrada com idosos
Com o envelhecimento, o cuidado deve ser intensificado. Bernardes explica, que a partir dos 50 anos, aumentam significativamente os riscos de artrose, osteoporose e perda muscular (sarcopenia). Para este público, os sinais de alerta podem se manifestar de formas específicas que comprometem a autonomia.
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O ortopedista destaca a sensação de "enferrujamento" nas articulações, principalmente pela manhã, que pode indicar processos degenerativos como a artrose. Outro ponto crítico é a dificuldade para realizar tarefas simples, como subir escadas, levantar de uma cadeira ou carregar objetos. Isso pode ser um indicativo de sarcopenia (perda de força e massa muscular) ou alterações articulares graves.
“A instabilidade articular e alterações no equilíbrio aumentam drasticamente o risco de quedas, que são uma das principais causas de morbidade nessa faixa etária. Históricos de quedas da própria altura ou fraturas sem trauma significativo também podem sinalizar fragilidade óssea”, destaca.
Quais são os principais erros?
Um dos maiores erros cometidos por pacientes que sentem desconfortos ortopédicos é o uso de medicamentos sem prescrição. O alívio momentâneo pode gerar uma falsa sensação de segurança, levando o paciente a manter atividades que pioram a lesão e aceleram o desgaste articular.
Além de mascarar doenças como artrose ou fraturas por fragilidade, atrasando o diagnóstico correto, a automedicação traz riscos à saúde geral, o ortopedista elenca:
- Problemas gastrointestinais: gastrites, úlceras e sangramentos;
- Comprometimento renal: risco de insuficiência renal, especialmente em hipertensos, diabéticos e idosos;
- Risco cardiovascular: aumento do risco de infarto e AVC com o uso indiscriminado de anti-inflamatórios;
- Interações medicamentosas: perigoso para quem já usa remédios contínuos para pressão ou coração.
Exames preventivos
O especialista explica que os exames solicitados variam conforme a necessidade, podendo incluir raio-x para deformidades, ressonância magnética para tecidos moles (cartilagem e ligamentos) e ultrassonografia para tendinites.
Segundo o ortopedista especialista em joelho, medicina esportiva e regenerativa, Adílio Bernardes, o check-up ortopédico deve ser encarado como uma ferramenta de prevenção, capaz de identificar alterações em cartilagens, tendões e ossos muito antes dos sintomas graves aparecerem.
“Exames laboratoriais também são essenciais para investigar níveis de vitamina D, inflamação e metabolismo ósseo”, conclui.
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