Especialistas explicam quais chocolates podem fazer bem para a pele
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São Paulo - Com a chegada da Páscoa, uma dúvida clássica volta a atormentar pessoas que lidam com oleosidade e espinhas: afinal, o chocolate é o grande vilão da acne? Para esclarecer essa relação, diversos especialistas apontam que o impacto na pele depende muito mais da composição do produto e da quantidade ingerida do que do alimento em si.
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O chocolate faz realmente mal para a pele?
A dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Maria Paula Del Nero desmistifica a ideia de que o cacau seja o causador de problemas. Segundo ela, não há evidências de que o chocolate, isoladamente, provoque espinhas. Na verdade, o grande perigo está nos aditivos presentes nas versões mais comerciais.
O problema está no alto índice glicêmico de muitos produtos, que pode levar a um aumento da insulina e estimular hormônios relacionados à acne, como os andrógenos e o IGF-1.”
Essa resposta inflamatória do organismo é também detalhada pela dermatologista Natasha Crepaldi. Ela esclarece que o leite presente nos chocolates estimula o hormônio IGF-1, elevando a produção de óleo na pele e favorecendo a inflamação.
A especialista também alerta que o excesso de açúcar causa a glicação, um processo que danifica as fibras de colágeno e elastina, o que acelera o envelhecimento facial.
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O dermatologista Antonio Lui compartilha dessa observação prática em consultório: "Nesse período, é comum um aumento de pacientes relatando piora da oleosidade da pele e surgimento de acne. Isso acontece porque dietas ricas em açúcar estimulam processos inflamatórios e alteram o equilíbrio hormonal".
Além disso, substâncias presentes no doce, como a teobromina, podem agravar condições sistêmicas, piorando a vermelhidão, a sensibilidade e doenças como a rosácea.
Diferentes chocolates, diferentes impactos
O tipo de chocolate escolhido faz toda a diferença no reflexo que terá no espelho. Acreditar que o chocolate branco é "mais leve" para a pele é um grande mito, pois ele concentra as maiores taxas de gordura, açúcar e leite em sua composição, sendo o mais propenso a causar lesões.
Por outro lado, os chocolates amargos, aqueles com 70% ou mais de cacau, são os grandes aliados. A dermaticista e cosmetóloga Patrícia Elias explica que esses produtos são ricos em antioxidantes que combatem os radicais livres.
O cacau tem flavonoides que auxiliam na proteção celular, melhoram a circulação e contribuem para uma pele mais viçosa.”
Além disso, Del Nero aponta que concentrações mais altas de cacau oferecem maior potencial de benefícios, incluindo ação anti-inflamatória e melhora do humor.
Como prevenir e recuperar a pele
Mesmo diante do consumo elevado em datas festivas como a Páscoa, a boa notícia é que os efeitos negativos na pele são totalmente reversíveis, desde que os cuidados adequados sejam tomados a tempo de evitar cicatrizes.
Para recuperar o equilíbrio da barreira cutânea, Natasha Crepaldi recomenda intensificar a limpeza diária e introduzir produtos com ácidos suaves, como o ácido salicílico ou glicólico, auxiliando no controle da oleosidade e na renovação celular.
Patrícia Elias também prescreve o básico que funciona: limpeza adequada, hidratação e o uso de produtos específicos para o tipo de pele. Ingerir muita água e alimentos ricos em antioxidantes, como frutas e vegetais, ajuda a contrabalançar o estado inflamatório.
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A privação não é o caminho indicado por nenhum dos especialistas. A recomendação geral é optar por chocolates de alta qualidade e com menor teor de açúcar, além de fracionar o doce em pequenas porções ao longo dos dias.
Como resume perfeitamente Del Nero: “A pele reflete muito do nosso estilo de vida. O chocolate pode fazer parte, desde que não venha acompanhado de excessos”. Caso o paciente perceba que seu organismo reage sempre com inflamações insistentes, o ideal é reduzir o consumo e buscar uma avaliação dermatológica individualizada.
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