Facebook Viva Youtube Viva Instagram Viva Linkedin Viva

Especialistas explicam quais chocolates podem fazer bem para a pele

Freepik

Não há evidências de que o chocolate, isoladamente, provoque espinhas - Freepik
Não há evidências de que o chocolate, isoladamente, provoque espinhas
Por Emanuele Almeida

04/04/2026 | 13h31 ● Atualizado | 13h32

São Paulo - Com a chegada da Páscoa, uma dúvida clássica volta a atormentar pessoas que lidam com oleosidade e espinhas: afinal, o chocolate é o grande vilão da acne? Para esclarecer essa relação, diversos especialistas apontam que o impacto na pele depende muito mais da composição do produto e da quantidade ingerida do que do alimento em si.

Leia também: Como cuidar da pele em todas as idades; confira dicas de dermatologistas

O chocolate faz realmente mal para a pele?

A dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Maria Paula Del Nero desmistifica a ideia de que o cacau seja o causador de problemas. Segundo ela, não há evidências de que o chocolate, isoladamente, provoque espinhas. Na verdade, o grande perigo está nos aditivos presentes nas versões mais comerciais. 

O problema está no alto índice glicêmico de muitos produtos, que pode levar a um aumento da insulina e estimular hormônios relacionados à acne, como os andrógenos e o IGF-1.”

Essa resposta inflamatória do organismo é também detalhada pela dermatologista Natasha Crepaldi. Ela esclarece que o leite presente nos chocolates estimula o hormônio IGF-1, elevando a produção de óleo na pele e favorecendo a inflamação.

A especialista também alerta que o excesso de açúcar causa a glicação, um processo que danifica as fibras de colágeno e elastina, o que acelera o envelhecimento facial.

Leia também: Dermatologista alerta sobre cosméticos que dizem parar o envelhecimento

O dermatologista Antonio Lui compartilha dessa observação prática em consultório: "Nesse período, é comum um aumento de pacientes relatando piora da oleosidade da pele e surgimento de acne. Isso acontece porque dietas ricas em açúcar estimulam processos inflamatórios e alteram o equilíbrio hormonal".

Além disso, substâncias presentes no doce, como a teobromina, podem agravar condições sistêmicas, piorando a vermelhidão, a sensibilidade e doenças como a rosácea.

Diferentes chocolates, diferentes impactos

O tipo de chocolate escolhido faz toda a diferença no reflexo que terá no espelho. Acreditar que o chocolate branco é "mais leve" para a pele é um grande mito, pois ele concentra as maiores taxas de gordura, açúcar e leite em sua composição, sendo o mais propenso a causar lesões.

Por outro lado, os chocolates amargos, aqueles com 70% ou mais de cacau, são os grandes aliados. A dermaticista e cosmetóloga Patrícia Elias explica que esses produtos são ricos em antioxidantes que combatem os radicais livres.

O cacau tem flavonoides que auxiliam na proteção celular, melhoram a circulação e contribuem para uma pele mais viçosa.”

Além disso, Del Nero aponta que concentrações mais altas de cacau oferecem maior potencial de benefícios, incluindo ação anti-inflamatória e melhora do humor.

Como prevenir e recuperar a pele

Mesmo diante do consumo elevado em datas festivas como a Páscoa, a boa notícia é que os efeitos negativos na pele são totalmente reversíveis, desde que os cuidados adequados sejam tomados a tempo de evitar cicatrizes.

Para recuperar o equilíbrio da barreira cutânea, Natasha Crepaldi recomenda intensificar a limpeza diária e introduzir produtos com ácidos suaves, como o ácido salicílico ou glicólico, auxiliando no controle da oleosidade e na renovação celular.

Patrícia Elias também prescreve o básico que funciona: limpeza adequada, hidratação e o uso de produtos específicos para o tipo de pele. Ingerir muita água e alimentos ricos em antioxidantes, como frutas e vegetais, ajuda a contrabalançar o estado inflamatório.

Leia também: Manchas na pele? Veja as principais causas e como cuidar corretamente

A privação não é o caminho indicado por nenhum dos especialistas. A recomendação geral é optar por chocolates de alta qualidade e com menor teor de açúcar, além de fracionar o doce em pequenas porções ao longo dos dias.

Como resume perfeitamente Del Nero: “A pele reflete muito do nosso estilo de vida. O chocolate pode fazer parte, desde que não venha acompanhado de excessos”. Caso o paciente perceba que seu organismo reage sempre com inflamações insistentes, o ideal é reduzir o consumo e buscar uma avaliação dermatológica individualizada.

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.

Gostou? Compartilhe

Últimas Notícias