CONFIRA

Estudo clínico da polilaminina começa este mês; veja como vai ocorrer

O primeiro estudo clínico da polilaminina visa garantir segurança em humanos, com início programado para a próxima semana

Emanuele Almeida

Por Emanuele Almeida

17/09/2026 | 10h13

Foto: Envato Elements

Fase inicial do estudo busca provar que o medicamento é seguro para uso em humanos - Foto: Envato Elements
Fase inicial do estudo busca provar que o medicamento é seguro para uso em humanos
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A farmacêutica Cristália iniciará na próxima semana o primeiro estudo clínico da polilaminina, focando na segurança do uso da substância em humanos, com potencial para auxiliar na recuperação de movimentos em pacientes com lesão na medula.

O estudo, realizado em parceria com a UFRJ, recrutará cinco pacientes com lesão medular recente e indicados para cirurgia, que serão acompanhados por seis meses após o procedimento. Se a Fase 1 for bem-sucedida, a Cristália poderá solicitar autorização à Anvisa para avançar com os testes.

São Paulo - A farmacêutica Cristália anunciou que o primeiro estudo clínico com a polilaminina terá início na próxima semana. Neste começo, chamado de Fase 1, a meta é garantir a segurança do uso da substância em humanos

O estudo é feito pela farmacêutica, que desenvolve o medicamento junto a  pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Contudo, a realização da Fase 1 será no Hospital das Clínicas em São Paulo e na Santa Casa de São Paulo. 

A polilaminina tem potencial de ajudar na recuperação de movimentos em pessoas com lesão na medula. Mas ainda é válido lembrar que essa fase inicial do estudo não busca provar que o medicamento funciona, mas sim, sua segurança ao ser usada em humanos. 

Caso a substância for bem sucedida na Fase 1, a farmacêtutica poderá pedir autorização à Anvisa para dar seguimento aos testes. 

Quem poderá participar do estudo

Os pesquisadores responsáveis pelo estudo vão recrutar apenas cinco pacientes com idade entre 18 e 72 anos, com lesão medular espinhal torácica completa, que tenham ocorrido há menos de 72 horas e que possuam indicação cirúrgica para descompressão medular.

As equipes cirúrgicas são treinadas para a aplicação da substância diretamente na medula durante o procedimento. Após a cirurgia, os pacientes passarão por uma reabilitação na AACD, além de serem acompanhados durante seis meses pelos pesquisadores. 

O que é a polilaminina?

A polilaminina é uma substância estruturada em laboratório derivada da laminina, que é uma proteína já existente no organismo humano responsável por ajudar na organização e sustentação dos tecido. 

Na prática, ela busca reproduzir um ambiente propício para dar suporte aos neurônios lesionados na medula, estimulando-os a crescer novamente e restabelecerem as conexões perdidas durante o trauma. 

As pesquisas com a substância começaram há três décadas por pesquisadores da UFRJ e resultou na criação da polilaminina dentro de laboratório a partir da placenta humana. Esse processo demonstrou resultados iniciais animadores em estudos pré-clínicos. 

As pesquisas de laboratório e ensaios preliminares sugerem que a polilaminina pode estimular o crescimento neuronal. O interesse sobre a terapia cresceu com relatos de pacientes que descreveram ganhos clínicos — como o retorno da sensibilidade e de movimentos voluntários — poucas semanas após a aplicação.

Contudo, apesar do otimismo com a pesquisa liderada por Tatiana Sampaio, especialistas ressaltaram que dados iniciais e casos isolados não bastam para comprovar a eficácia clínica da molécula.

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