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Por Beatriz Duranzi
redacao@viva.com.brSão Paulo, 28/08/2025 - O Brasil é considerado um dos maiores sistemas de transplante do mundo, referência internacional pela forma como organiza e conduz a fila de espera para doação de órgãos.
Segundo dados do Ministério da Saúde, divulgados em junho de 2025, atualmente cerca de 78 mil pessoas aguardam por algum tipo de transplante no país.
Grande parte desses procedimentos é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por financiar mais de 85% dos transplantes. Só em 2024, foram mais de 30 mil cirurgias.
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A lista nacional de espera é administrada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), órgão ligado ao Ministério da Saúde que acompanha todas as etapas, garantindo que os critérios sejam justos e transparentes.
Na prática, a fila é unificada em todo o território brasileiro, mas a gestão é feita por cada estado ou região por meio das Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDOs).
O cadastro do paciente só pode ser feito por médicos especialistas, após avaliação clínica que comprove a necessidade do transplante.
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A prioridade na fila não depende apenas da ordem de inscrição. A avaliação leva em conta fatores médicos que asseguram a melhor chance de sucesso no transplante, como:
Quando dois pacientes apresentam condições semelhantes, vale a ordem de chegada ao cadastro.
O processo para que um órgão chegue até o receptor é complexo. Ele só se inicia após a confirmação da morte encefálica de um potencial doador e a autorização da família.
Nesse momento, equipes médicas mantêm as funções vitais do corpo até a retirada do órgão.
O hospital responsável notifica a Central de Transplantes, que aciona equipes para avaliar a compatibilidade com receptores da lista.
A partir daí, começam os preparativos logísticos: transporte, cirurgiões e suporte técnico. O órgão é então retirado e direcionado para o transplante.
Em casos de morte por parada cardiorrespiratória, o paciente pode ser doador de tecidos, como córneas e pele.
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No Brasil, não é necessário registrar em documento a intenção de doar órgãos. O mais importante é conversar com os familiares e deixar claro esse desejo. Isso porque a autorização final cabe sempre à família do paciente.
Campanhas do Ministério da Saúde reforçam a importância desse diálogo, já que um único doador de órgãos pode salvar ou melhorar a vida de várias pessoas.
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