Fiocruz avalia prevenção ao HIV a cada 6 meses com PrEP novo injetável
Freepik
19/01/2026 | 14h24
São Paulo, 19/01/2026 - A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciará um estudo para subsidiar a avaliação da incorporação da injeção semestral de prevenção ao HIV ao Sistema Único de Saúde (SUS). A análise será realizada com o medicamento lenacapavir, da fabricante Gilead Sciences.
O medicamento foi aprovado na última segunda-feira, 12, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como profilaxia pré-exposição (PrEP) — método de prevenção utilizado antes do contato com o vírus para pessoas em risco contínuo de contaminação.
Leia também: Anvisa libera o lenacapavir, medicamento para prevenção ao HIV de uso semestral
Quem pode participar do teste
Denominada "ImPreEP LEN Brasil", a avaliação conduzida pela Fiocruz é voltada para homens gays e bissexuais, pessoas transgênero e pessoas não binárias, identificadas como do sexo masculino ao nascer, com idade entre 16 e 30 anos.
O lenacapavir será disponibilizado inicialmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ). O início das atividades depende da chegada de agulhas específicas ao Brasil.
O que é lenacapavir?
Disponível em injeção ou comprimidos, o lenacapavir apresentou alta eficácia contra o vírus em diferentes grupos, incluindo adolescentes, mulheres e homens cisgênero, além de pessoas trans. O formato injetável, administrado semestralmente, é considerado o principal diferencial do fármaco, visto que tende a favorecer a adesão ao tratamento em comparação ao uso diário.
Leia também: Aids em idosos dispara 441% e mostra invisibilidade da vida sexual dos 60+
A indicação de aplicação é para adultos e adolescentes a partir de 12 anos (com peso mínimo de 35 kg) que apresentem teste negativo para o HIV-1. Em 2025, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia adicionado o medicamento como opção de PrEP, defendendo a expansão global de seu acesso.
Acesso e riscos
O alto custo do medicamento surge como um dos principais desafio para o acesso. Um estudo da revista The Lancet indica que o tratamento anual pode ultrapassar US$ 28 mil por paciente (cerca de R$ 150.640 na cotação atual). No entanto, de acordo com a Anvisa, o preço máximo no Brasil ainda será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Quanto à segurança, o perfil é considerado favorável, com eventos adversos majoritariamente leves a moderados. Contudo, a aplicação injetável pode provocar reações como inchaço, dor, vermelhidão, nódulos ou coceira no ponto da aplicação.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
