Saúde da mulher 60+ vai além do controle de doenças, defendem especialistas
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São Paulo - O aumento da longevidade feminina no Brasil traz desafios que vão além do controle de doenças. Neste Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, data criada após denúncias realizadas ao Tribunal Internacional de Denúncia e Violação dos Direitos Reprodutivos, especialistas alertam que viver mais não significa necessariamente envelhecer com autonomia, bem-estar e qualidade de vida.
As mulheres representam a maioria da população idosa brasileira e têm expectativa de vida superior à dos homens. Mesmo assim, questões ligadas à funcionalidade, saúde mental, sexualidade e isolamento social ainda costumam receber pouca atenção no cuidado à mulher idosa.
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“As mulheres vivem mais, porém nem sempre vivem melhor. Na prática geriátrica, vemos muitas pacientes que sobrevivem mais aos grandes eventos cardiovasculares e às doenças agudas, mas acumulam multimorbidades, fragilidade, osteoporose, sarcopenia e limitações funcionais ao longo do envelhecimento”, diz a geriatra Ana Cristina Canedo, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).
Entre os problemas mais recorrentes, a médica cita perda de massa muscular, alterações no sono, depressão, incontinência urinária e isolamento social. “Muitas dessas condições acabam comprometendo independência, mobilidade e participação social da mulher ao longo do envelhecimento”, afirma.
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A menopausa também deve ser vista de forma mais ampla, segundo a especialista. “Hoje, entendemos a menopausa como uma janela de oportunidade para prevenção e promoção de envelhecimento saudável. A queda hormonal interfere diretamente na saúde óssea, muscular, cardiovascular, cognitiva e emocional da mulher”, destaca a médica.
Canedo afirma que envelhecer com independência depende de fatores que envolvem saúde física, emocional e relações sociais.
Atividade física regular, alimentação adequada, estímulo cognitivo, sono de qualidade, vínculos sociais e acompanhamento médico ao longo da vida fazem diferença direta na funcionalidade e na independência da mulher.”
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Sexualidade e autoestima
As mudanças vividas pelas mulheres na maturidade também passam pela relação com o próprio corpo, pela autoestima e pela sexualidade.
Para a psicóloga e especialista em gerontologia Valmari Cristina Aranha, integrante da Comissão de Formação Gerontológica da SBGG, o envelhecimento pode abrir espaço para redescobertas e maior autonomia.
“Muitas mulheres chegam à maturidade mais seguras sobre quem são, com mais autonomia sobre o próprio corpo e menos presas às cobranças sociais que acompanharam outras fases da vida. O envelhecimento também pode ser uma oportunidade de reposicionamento e redescoberta”, afirma.
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Segundo a especialista, ainda existe resistência social em discutir desejo e sexualidade entre mulheres idosas. “A sexualidade da mulher idosa ainda é pouco discutida porque durante muito tempo o desejo feminino foi reprimido e invisibilizado socialmente. Mas hoje, vemos mulheres redescobrindo o prazer, o afeto, a autoestima e o próprio corpo na maturidade”, explica a psicóloga.
Envelhecer bem não significa buscar um padrão estético ou tentar permanecer jovem. Significa reconhecer o próprio corpo, cuidar da saúde física e emocional, manter propósito, autonomia e qualidade de vida dentro da própria realidade”.
Para as especialistas, o envelhecimento feminino precisa ganhar espaço nas políticas públicas e no debate sobre saúde da população idosa no Brasil.
“Estamos vivendo uma feminização do envelhecimento. As mulheres já representam a maioria da população idosa, principalmente nas faixas etárias mais avançadas, e isso exige um olhar mais atento para funcionalidade, prevenção, saúde mental e suporte social ao longo da vida”, conclui Ana Cristina Canedo.
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