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Genérico de semaglutida não garante redução de preço imediata; entenda

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Especialistas dizem que ainda não é possível saber quando preços irão cair - Adobe Stock
Especialistas dizem que ainda não é possível saber quando preços irão cair
Por Emanuele Almeida

19/08/2026 | 14h39

São Paulo - A aprovação de novas canetas emagrecedoras, principalmente genéricas, à base de semaglutida, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não significa uma redução imediata nos preços, de acordo com especialistas ouvidos pelo VIVA. 

Nesta semana, a agência aprovou a primeira versão genérica de caneta emagrecedora baseada em semaglutida, da EMS. O aval abrange quatro apresentações do produto e foi concedido por meio de um processo de desenvolvimento abreviado para medicamentos novos.

Em nota, a EMS aponta que essa versão tem como medicamento referência o Ozivy, da própria farmacêutica, que chegou ao mercado em junho de 2026. "O lançamento dos novos produtos no mercado ainda depende de definições envolvendo o preço", reforça. 

Apesar do potencial de transformação, a entrada de novos produtos não deve ser vista como sinônimo de uma redução automática e imediata dos preços. Isso porque a aprovação regulatória é apenas uma das etapas necessárias para que os medicamentos cheguem efetivamente às farmácias, conforme explicou o presidente da Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar) e da Farmarcas, Edison Tamascia.

Os fabricantes ainda precisam definir suas estratégias comerciais, preços e distribuição. Por isso, o impacto sobre o consumidor deverá ser observado ao longo dos próximos meses, conforme os novos produtos efetivamente passem a disputar mercado.

Redução de preços 

Atualmente, as melhores condições de preços ocorrem dentro de programas de fidelidade das empresas. Desde a primeira aprovação da Anvisa, a própria EMS e concorrentes, como a Eurofarma, que comercializa duas apresentações de agonistas de GLP-1 (Poviztra, idêntico ao WeGovy e Extensior), vêm reduzindo os valores dos combos de canetas para clientes que aderirem a esse tipo de programa. Por exemplo:

EMS (Medicamento Ozivy, indicado para diabetes tipo 2):

  • Desconto de adesão inicial (primeiros 3 meses): O preço unitário padrão de R$ 452 por caneta cai para R$ 287 mensais dentro do programa Vida + Leve. Isso representa uma redução calculada de aproximadamente 36,5% (uma economia de R$ 165 por caneta). No quarto mês, o valor do tratamento passa a ser de R$ 498 por caneta.

Eurofarma (Medicamentos Poviztra e Extensior via Programa EuroCuida):

  • Poviztra (indicado para obesidade e sobrepeso): o preço unitário padrão para as doses iniciais de 0,25 mg e 0,5 mg é de R$ 445. No combo de início de tratamento (de aquisição única), o valor cai para R$ 295 por caixa, gerando uma redução calculada de aproximadamente 33,7% (economia de R$ 150). A dose de manutenção de 1 mg custa R$ 490 por caneta.

Para o CEO da Associação Brasileira de Redes Farmácias Drogaria (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, com a aprovação do genérico, existe a perspectiva de redução de preços e talvez um maior acesso pelos pacientes futuramente.

"Segundo alguns estudos, 5,5% da população brasileira usa algum tipo de caneta de GLP-1. Porém, quanto mais baixa a renda, menor é a penetração [do medicamento]. Então, se o preço se torna mais acessível, pode abranger camadas da população que hoje não têm acesso", explica. 

Para ele, a redução do preço é algo que deve impactar esse mercado constantemente pelos próximos 10, 15 e 20 anos. "Porque você precisa ampliar a base de consumo dessas pessoas", pontua Barreto. 

Tamascia, da Febrafar, acrescenta que a concorrência começa a assumir um papel muito mais relevante no mercado de GLP-1. A chegada de novos fabricantes aumenta a oferta e cria condições para que a indústria e o varejo trabalhem com diferentes estratégias comerciais.

Ainda não é possível afirmar qual será a dimensão da redução de preços, mas é razoável esperar que um mercado com mais opções e mais empresas disputando espaço seja muito diferente daquele que tínhamos quando poucos produtos concentravam a demanda", afirma.

Preço ainda é barreira

Mulher aplicando caneta emagrecedora na barriga
Em um mercado no qual o preço é apontado como uma das principais barreiras à continuidade do tratamento, a capacidade do varejo de oferecer alternativas e facilitar o acesso pode se tornar um diferencial competitivo. Foto: Freepik

Até o momento, a Anvisa já aprovou mais de 20 medicamentos registrados em formato de caneta injetável para o tratamento de diabetes tipo 2 e controle de peso no Brasil, incluindo opções de referência, similares e o primeiro genérico do País, como Seemasun (Sun Farmacêutica do Brasil), Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed ) e Orsema (Ranbaxy Farmacêutica).

Porém, apesar das aprovações, o preço ainda representa uma das principais barreiras ao acesso. Pesquisa nacional realizada pela Febrafar identificou que apenas 28% dos pacientes aptos conseguem manter financeiramente a terapia com medicamentos GLP-1, enquanto 65% interrompem o tratamento ou deixam de seguir corretamente a posologia por limitações financeiras.

Impacto 

Apesar do novo medicamento genérico da EMS ainda não estar disponível nas prateleiras, os resultados da EMS desde o lançamento do Ozivy são expressivos. Segundo dados da auditoria CloseUp International, a empresa alcançou a liderança do mercado de semaglutida no mês de julho com a demanda de 200 mil unidades de OZIVY®.

Outros dados da Dunnhumby revelam que cerca de 65% dos pacientes de Ozivy são novos usuários na categoria GLP-1, mostrando uma ampliação do mercado e do acesso de pacientes que conseguem arcar com o tratamento. 

De acordo com o levantamento da CloseUP, o maior faturamento do período total analisado - maio de 2025 e maio de 2026 - foi registrado pelo Mounjaro, da Lilly, que alcançou R$ 8.526.438.130 em vendas até maio de 2026. Na sequência aparecem o Wegovy, da Novo Nordisk, com R$ 3.746.430.341, e o Ozempic, também da Novo Nordisk, com R$ 1.102.886.227.

Considerando apenas o mês de julho, período em que Ozivy já estava no mercado, o medicamento nacional da EMS obteve a 5ª colocação no ranking geral de medicamentos da indústria farmacêutica em faturamento, movimentando R$ 91.458.702. O valor representa um salto expressivo de 268,16%. O remédio ficou atrás do Mounjaro (Eli Lilly), Wegovy (Novo Nordisk), Forxiga (AstraZeneca) e Poviztra (Eurofarma).

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