Gripe faz crescer hospitalizações em todas as idades no Acre e Amazonas
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23/01/2026 | 11h44
São Paulo, 23/01/2026 - O mais recente boletim InfoGripe, divulgado na quinta-feira, 22, pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), traz um alerta específico para a região Norte do País. Enquanto o cenário nacional aponta para uma tendência de queda ou estabilidade nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), os Estados do Acre e do Amazonas registram um aumento acelerado de internações, impulsionado principalmente pelo vírus Influenza A (gripe).
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A segunda análise do ano, referente à semana epidemiológica de 11 a 17 de janeiro, indica que nesses dois Estados a incidência de SRAG permanece em nível de risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo. Diferente de ondas anteriores restritas a grupos específicos, o atual avanço da gripe no Norte tem elevado as hospitalizações em todas as faixas etárias: crianças pequenas, jovens, adultos e idosos.
Recomendações e vacina
Diante deste cenário regional, a pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz e coordenadora do InfoGripe, Tatiana Portella, reforça a necessidade de medidas preventivas. Para a população do Amazonas e do Acre, é recomendado o uso de máscaras em locais fechados, com aglomeração e em postos de saúde.
Portella destaca ainda a urgência da imunização: “É fundamental que as pessoas do grupo prioritário, a exemplo das crianças, idosos, indígenas e pessoas que apresentam comorbidade tomem a vacina o quanto antes, que já começou na Região Norte”.
Cenário nacional e capitais
No restante do Brasil, a tendência geral é de queda tanto no curto quanto no longo prazo. Estados do Nordeste como Ceará, Pernambuco e Sergipe, que preocupavam em semanas anteriores, agora mostram sinal de interrupção do crescimento ou início de queda nas internações por Influenza A.
Contudo, três capitais ainda apresentam sinais de alerta com crescimento de SRAG na tendência de longo prazo: Manaus (AM), Cuiabá (MT) e São Luís (MA).
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Ao observar a mortalidade nas últimas quatro semanas em todo o País, o impacto continua severo entre os mais velhos. Embora o rinovírus, vírus que causa a maioria dos resfriados comuns, lidere em casos positivos (33,2%), os óbitos foram causados majoritariamente pela Covid-19 (32,5%) e pela Influenza A (29,4%), demonstrando que esses vírus mantêm alta letalidade entre a população idosa,.
Balanço de 2025: gripe superou a Covid-19
O atual aumento da gripe no Norte reflete uma mudança de padrão consolidada ao longo do último ano. O encerramento do ano epidemiológico de 2025 revelou que a Influenza A ultrapassou a Covid-19 como a principal causa de mortes por SRAG entre os casos com vírus identificado.
Segundo o balanço da Fiocruz, em 2025 a Influenza A foi responsável por 47,8% dos óbitos notificados com identificação viral, quase o dobro da participação da Covid-19, que respondeu por 24,7%. Esse dado representa uma inversão drástica em relação a 2024, quando a Covid-19 dominava o cenário com mais de 80% das mortes virais, enquanto a gripe representava apenas 7,3%.
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