Guia de vacinação para idosos: confira doses gratuitas disponíveis no SUS
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São Paulo - A vacinação em idosos no Brasil enfrenta um cenário de recuperação e desafios estruturais. Dados de 2025 mostram que apenas imunizantes aplicados ao nascer bateram as metas de cobertura, enquanto o restante do calendário exige um esforço ativo de busca pelos postos.
A população idosa é biologicamente mais vulnerável devido à imunossenescência, o envelhecimento natural do sistema imune que reduz a produção de anticorpos e a resposta a novos antígenos, tornando infecções respiratórias como a pneumonia e a gripe as principais causas de internação e óbito nesta faixa etária.
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Abaixo, veja quais vacinas estão disponíveis no sistema público e na rede privada para os idosos, suas funções e períodos de aplicação.
Vacinas disponíveis no SUS
Estas vacinas fazem parte do Calendário Nacional de Vacinação e podem ser acessadas por pessoas acima de 60 anos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS):
- Influenza (gripe): serve para prevenir a gripe sazonal e reduzir internações por complicações respiratórias. O Ministério da Saúde disponibiliza a versão trivalente (três cepas do vírus) em dose única anual, geralmente entre os meses de março e maio;
- Dupla adulto (dT): protege contra a difteria e o tétano. É aplicada em esquema de três doses para quem nunca se vacinou, com reforços a cada 10 anos;
- Hepatite B: previne a infecção crônica do fígado, que pode evoluir para cirrose ou câncer. Indicada para idosos não vacinados previamente em um esquema de três doses (intervalos de 0, 1 e 6 meses);
- Febre Amarela: previne a forma grave da doença transmitida por mosquitos. No SUS, é oferecida em dose única;
- Covid-19: destinada a reduzir casos graves e óbitos pelo SARS-CoV-2. O idoso deve seguir o cronograma de reforços periódicos (anuais ou semestrais) definidos pelo Programa Nacional de Imunizações.
Casos especiais no SUS
Alguns imunizantes são restritos a populações em situações de maior vulnerabilidade ou com condições clínicas específicas:
- Pneumocócica 23-valente (VPP23): protege contra doenças causadas pela bactéria pneumococo (pneumonia, meningite e sepse). No SUS, é oferecida como rotina apenas para idosos que vivem em Instituições de Longa Permanência (ILPIs), idosos acamados ou populações indígenas;
- Pneumocócica 13-valente (VPC13): oferece proteção contra 13 sorotipos da bactéria. Está disponível gratuitamente apenas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) para idosos com doenças crônicas graves ou imunossupressão;
- Pneumo 20 (VPC20): foi implantada no SUS em junho de 2026 para grupos específicos: idosos acamados/institucionalizados, pacientes dos CRIEs;
- Tríplice Bacteriana Acelular (dTpa): além de difteria e tétano, protege contra a coqueluche. No sistema público, é garantida apenas para idosos que são profissionais da saúde.
Vacinas na rede privada
Muitas das vacinas recomendadas para enfrentar o declínio imunológico da velhice ainda não estão na rotina universal do SUS. As disponibilizadas na rede privada são:
- Influenza alta dose (HD4V): possui quatro vezes mais antígenos que a dose padrão, sendo 24% mais eficaz na prevenção da gripe em idosos. É a opção preferencial para maiores de 60 anos, aplicada anualmente;
- Pneumocócica 20-valente (VPC20): vacina mais moderna que a VPP23, aplicada em dose única para rotina de todos os idosos, sem necessidade de esquemas sequenciais. No SUS, seu acesso ainda é muito restrito a pacientes especiais;
- Herpes Zóster (VZR): previne o "cobreiro" e a dor crônica nervosa (neuralgia pós-herpética). É uma vacina inativada recomendada para todos a partir dos 50 anos em esquema de duas doses (intervalo de 2 meses);
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR): previne infecções respiratórias graves causadas por este vírus, que acomete mais idosos no inverno. Aplicada em dose única para todos acima de 70 anos (ou 60 anos com comorbidades);
- Meningocócica ACWY: protege contra quatro tipos de meningite bacteriana. Indicada em situações de surtos ou viagens para áreas de risco em dose única.
Calendário de vacinação para idosos
As especialistas ouvidas pelo VIVA, a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, e a chefe do Departamento de Assuntos Médicos, Estudos Clínicos e Vigilância Pós-Registro da Bio-Manguinhos/Fiocruz, Lurdinha Maia, indicam o seguinte calendário de vacinação para idosos:
- Influenza (gripe): a recomendação ideal é o uso da vacina de alta dose (HD4V) de alta concentração, que possui quatro vezes mais antígenos e é 24% mais eficaz em idosos do que a dose padrão do SUS;
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR): indicada como rotina em dose única a partir dos 70 anos (ou 60 anos para quem tem comorbidades);
- Pneumo 20 (VPC20): considerada a "opção preferencial" por ser aplicada em dose única, gerando proteção mais duradoura e simplificando o esquema que antes exigia múltiplas vacinas sequenciais;
- Herpes Zóster (VZR): a especialista sugere a vacina inativada em duas doses para todos acima de 50 anos, inclusive para quem já teve o "cobreiro", para evitar a dor crônica da neuralgia pós-herpética;
- Tríplice Bacteriana Acelular (dTpa): deve substituir o reforço da vacina dupla (dT) a cada 10 anos, para garantir proteção não apenas contra tétano e difteria, mas também contra a coqueluche;
- Hepatite B: esquema de três doses para idosos que nunca foram vacinados;
- Febre Amarela: a SBIm recomenda duas doses (com intervalo de 10 anos), mas ambas as especialistas alertam que, para maiores de 60 anos, a aplicação exige avaliação médica criteriosa;
- Covid-19: seguir as doses de reforço conforme a orientação do PNI, atualmente recomendada a cada seis meses para o grupo de idosos.
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