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Hipertensos devem redobrar os cuidados com a saúde durante o El Niño

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Previsão é de fenômeno se intensifique no segundo semestre - Tânia Rêgo/Agência Brasil
Previsão é de fenômeno se intensifique no segundo semestre
Por Redação Viva

03/09/2026 | 08h22

São Paulo - A intensificação do El Niño prevista para o segundo semestre de 2026 exige atenção redobrada de pessoas com hipertensão, que podem ficar mais vulneráveis às altas temperaturas.

Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), o fenômeno pode estar entre os episódios mais intensos registrados desde 1950. A previsão é de ondas de calor, secas, chuvas extremas e alterações nos padrões de tempestades.

As condições climáticas extremas podem prejudicar o sistema cardiovascular e dificultar o controle da pressão arterial, explica o cardiologista Rogério Okawa, diretor científico do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC).

Enchentes, secas e outros eventos climáticos extremos podem gerar estresse e ansiedade. Quando essa tensão se torna frequente, pode contribuir para oscilações da pressão arterial, o que exige atenção especial de quem já tem hipertensão”, diz.

Pessoas idosas, crianças e pessoas com comorbidades devem ficar ainda mais atentas à saúde diante de condições climáticas extremas.

Apesar de o corpo humano ter mecanismos para regular a temperatura, ao longo do tempo essa capacidade vai se perdendo. Por isso, as pessoas idosas, que muitas vezes têm comorbidades como a hipertensão, podem ficar mais vulneráveis aos extremos climáticos.

Hipertensos devem redobrar os cuidados

Em dias muito quentes, o corpo perde mais líquido e apresenta oscilações da pressão arterial, além de sintomas como tontura, mal-estar, palpitações e até desmaios. Okawa explica que, para quem é hipertenso, o cuidado com a saúde deve ser redobrado.

“Durante as temperaturas mais altas, o ideal é não esperar a sede aparecer para beber água. Também vale evitar exposição prolongada ao sol, procurar ambientes frescos e ficar atento a sinais como tontura e fraqueza. Para quem já tem hipertensão, manter o tratamento e o acompanhamento médico é fundamental”, afirma Okawa.

Evitar o estresse é importante

Durante eventos climáticos extremos, é comum que o estresse aumente, seja por causa das temperaturas mais altas, de chuvas intensas ou de outros eventos.

O cardiologista orienta que manter a tranquilidade no dia a dia, evitando situações de estresse intenso, também é uma forma de preservar a saúde.

“Para driblar o estresse no dia a dia, podemos criar pequenas pausas para o corpo sair desse estado de alerta. Respirar profundamente, fazer uma caminhada, praticar uma atividade prazerosa e cuidar do sono são estratégias que ajudam a reduzir a tensão do dia a dia”, diz Okawa.

Picos de estresse podem fazer o organismo liberar adrenalina, hormônio que acelera os batimentos, e cortisol, que potencializa a contração dos vasos sanguíneos, o que pode provocar um aumento temporário da pressão.

O que é o El Niño?

O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, que acontece em intervalos irregulares de dois a sete anos, com duração de nove a doze meses.

Esse fenômeno altera as temperaturas e as chuvas, elevando os termômetros em diferentes regiões do mundo.

No Brasil, o El Niño é associado a secas prolongadas nas regiões Norte e Nordeste e a chuvas intensas e volumosas no Sul. O evento climático já chegou ao País e foi confirmado em junho de 2026 pelo INMET (Instituto Nacional de Meteorologia).

A previsão é que continue a influenciar o clima do Brasil até o início de 2027, mas deve passar por intensificação ao longo do segundo semestre.

Apesar de ser natural e recorrente, o evento pode ter efeitos mais fortes, considerando o aquecimento global, que já elevou a temperatura média do planeta e alterou os padrões climáticos.

(Mariana Pacheco, especial para o VIVA)

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