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Imunidade baixa? Saiba como agir com infecções recorrentes

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Entenda o que é mito e verdade em relação à chamada baixa imunidade - Freepik/IA
Entenda o que é mito e verdade em relação à chamada baixa imunidade
Por Bianca Bibiano

22/04/2026 | 08h12 ● Atualizado | 08h13

São Paulo - No outono e as mudanças das temperaturas, aumentam os relatos de espirros, tosse e nariz entupido. Em meio a esse cenário, também se torna comum ouvir a expressão "minha imunidade está baixa", especialmente entre pessoas que enfrentam episódios frequentes de gripe, herpes ou outras infecções. Mas o que isso significa?

Apesar da associação direta com o clima, especialistas alertam que o conceito de "imunidade baixa" é frequentemente usado de forma simplificada. A infectologista Paula Pinhão, diretora do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV), explica que o sistema imunológico não funciona como um interruptor.

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Na maioria dos casos, não estamos falando de uma imunodeficiência grave, mas de um sistema imunológico sobrecarregado ou desregulado, muitas vezes como consequência direta dos hábitos de vida."

Segundo a médica, fatores como alimentação inadequada, privação de sono, sedentarismo, estresse crônico, consumo excessivo de álcool e tabagismo impactam diretamente a resposta do organismo.

"O estilo de vida moderno, marcado por alta carga de estresse, noites mal dormidas e alimentação ultraprocessada, cria um ambiente propício para a inflamação crônica no organismo. Isso enfraquece as defesas naturais do corpo e, consequentemente, o corpo adoece mais", diz.

Ar frio e seco

As condições típicas do outono também desempenham um papel importante. A otorrinolaringologista Pauline Michelin, do Hospital São Marcelino Champagnat, explica que o ar frio e seco compromete o funcionamento do nariz, responsável por filtrar, aquecer e umidificar o ar.

A mucosa nasal tende a ficar ressecada, o muco se torna espesso e o transporte mucociliar, que é o sistema natural de limpeza dos seios da face, passa a operar de forma mais lenta, explica. "Essa soma de fatores cria um ambiente propício ao surgimento de crises alérgicas e abre as portas para a entrada de vírus respiratórios".

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Ao contrário do senso comum, o frio em si não causa infecções, mas cria condições que facilitam sua disseminação.

"Quando o clima está mais frio, a tendência é passar mais tempo em ambientes fechados, com pouca ventilação e mais próximos de outras pessoas, o que favorece a proliferação de microrganismos", explica a médica.

É alergia ou resfriado?

Diante de sintomas semelhantes, distinguir entre alergias e infecções é essencial. Quadros alérgicos, como a rinite, costumam causar espirros, coceira e coriza clara, sem febre nem mal-estar.

Já o resfriado comum dura de cinco a dez dias, trazendo sintomas nasais acompanhados de dor de garganta e mal-estar leve.

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O quadro gripal, por sua vez, tem início abrupto e sintomas mais intensos, como febre, dor no corpo, dor de cabeça e tosse. A sinusite pode provocar secreção espessa, sensação de pressão no rosto e diminuição do olfato.

"Se os sintomas de sinusite persistirem por mais de dez dias sem melhora, ou houver piora, especialmente acompanhada de febre alta e pus, isso sugere evolução para um quadro bacteriano, podendo haver indicação do uso de antibióticos", aponta Pauline Michelin.

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Ter episódios ocasionais de infecção é esperado, mas a repetição frequente pode indicar desequilíbrios. "Ter episódios ocasionais de doenças infecciosas é esperado. O que chama atenção é a frequência e a intensidade desses quadros, que podem indicar que algo no estilo de vida precisa ser revisto", afirma Paula Pinhão.

Casos recorrentes de herpes, por exemplo, costumam surgir em momentos de estresse ou cansaço extremo. Já gripes repetidas estão mais ligadas à forma como o organismo responde à exposição viral do que à exposição em si.

A seguir a especialista detalha mais aspectos ligados à imunidade.

Mitos e verdades sobre imunidade:

Tomar vitamina C previne gripes?

Mito (em partes). "A vitamina C é importante para o sistema imunológico, mas seu consumo isolado não impede infecções. O benefício está dentro de um contexto de alimentação equilibrada", diz a médica Paula Pinhão.

Estresse pode afetar a imunidade?

Verdade. "O estresse crônico libera hormônios que, em excesso, comprometem a resposta imunológica e aumentam a vulnerabilidade a infecções", explica.

Dormir mal prejudica as defesas do organismo?

Verdade. O sono é fundamental para a regulação do sistema imune. A privação de sono reduz a capacidade do corpo de combater agentes infecciosos, apontam os especialistas.

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Exercício físico em excesso pode baixar a imunidade?

Verdade. "Embora a atividade física regular fortaleça o sistema imunológico, o excesso, especialmente sem recuperação adequada, pode ter o efeito oposto", alerta Pinhão.

Quem fica doente com frequência tem um problema grave de saúde?

Mito. Na maioria dos casos, não há doenças graves associadas, mas sim um conjunto de hábitos que impactam negativamente o sistema imunológico", completa.

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