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Inchaço no calor: como diferenciar lipedema de retenção de líquido

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O lipedema é uma inflamação que afeta principalmente mulheres - Shutterstock
O lipedema é uma inflamação que afeta principalmente mulheres
Por Bárbara Ferreira

02/03/2026 | 08h41

São Paulo, 02/03/2026 - Relatos de pernas inchadas e sensação de peso no fim do dia são comuns durante a temporada de calor intenso. No entanto, esse inchaço, que pode ser apenas efeito da temperatura, também pode indicar doenças como o lipedema. 

Leia também: Calor extremo e menopausa: médicos alertam para riscos silenciosos

Segundo o endocrinologista Ricardo Oliveira, coordenador do departamento de Lipedema da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o calor provoca vasodilatação

Isso significa que os vasos sanguíneos se dilatam para ajudar o corpo a perder temperatura. O efeito colateral é um maior acúmulo de sangue nas veias das pernas, o que causa um extravasamento de líquido para os tecidos e a sensação de peso e dor. Portanto, no calor, é comum que o inchaço piore ao longo do dia, mas melhore ao elevar as pernas, por exemplo.

O alerta surge quando o aumento de volume deixa de ser variável e passa a ser um padrão persistente. Oliveira destaca que é importante investigar quando há um aumento desproporcional das pernas ou braços, como uma perna maior do que a outra, dor e sensibilidade ao toque, vermelhidão local e hematomas frequentes.

O que é lipedema?

O lipedema é uma doença inflamatória crônica do tecido adiposo, que afeta principalmente mulheres. De acordo com a cirurgiã vascular Nayara Cioffi Batagini, professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e médica do Hospital das Clínicas da instituição, o lipedema provoca:

  • Aumento bilateral e simétrico das pernas (poupa os pés)
  • Dor desproporcional
  • Hematomas espontâneos
  • Não melhora significativamente ao elevar as pernas
  • Diferente do inchaço por calor, o lipedema é crônico e progressivo

Ricardo Oliveira explica que há influência genética, mas não existe um único gene identificado como causador do lipedema. Mudanças hormonais, como puberdade, gravidez e menopausa, podem desencadear ou agravar o quadro.

Segundo o endocrinologista, o lipedema não é apenas gordura comum. Há alterações microvasculares e inflamatórias locais, o que faz com que dieta e exercício não reduzam proporcionalmente o volume dos membros.

Leia também: Entenda o que é lipedema e qual a relação com a menopausa

Tratamento: o que funciona?

Segundo os especialistas, não é possível evitar a doença, mas um diagnóstico precoce ajuda a reduzir impacto e progressão. O tratamento inicial é conservador:

  • Compressão adequada
  • Exercícios regulares
  • Controle de peso
  • Drenagem linfática específica
  • Autocuidado

A lipoaspiração, quando indicada, é funcional e não estética, segundo o endrocrinologista. Esta deve ser feita com técnica específica para preservar vasos linfáticos.

O calor piora o lipedema?

Segundo Batagini, o calor aumenta a vasodilatação e o extravasamento de líquidos. Como no lipedema já existe inflamação crônica e fragilidade capilar, a sensação de peso e dor se intensifica no verão. Veja como alivar o inchaço no calor:

  • Hidratar-se bem
  • Evitar longos períodos parada
  • Fazer pausas com as pernas elevadas
  • Caminhar pequenas distâncias ao longo do dia
  • Alternar banho morno e frio nas pernas
  • Usar meias ou bermudas de compressão adequadas
  • Praticar exercícios de baixo impacto, especialmente na água

Lipedema, varizes ou linfedema: qual a diferença?

Lipedema, varizes e linfedema são condições diferentes, embora todas possam causar aumento de volume nas pernas e gerar confusão no diagnóstico.

No caso da insuficiência venosa crônica, geralmente associada às varizes, o problema está na dificuldade de o sangue retornar das pernas para o coração. Como consequência, ocorre acúmulo de líquido principalmente nos pés e tornozelos.

O inchaço costuma piorar ao longo do dia e melhora quando a pessoa eleva as pernas. Em estágios mais avançados, podem surgir alterações na pele, como escurecimento (dermatite ocre) e endurecimento local.

O linfedema, por sua vez, é causado por falha na drenagem do sistema linfático. O líquido linfático se acumula progressivamente, levando a um inchaço que pode atingir pés e dedos, característica que ajuda a diferenciá-lo do lipedema. Com o tempo, a pele pode ficar mais espessa e endurecida. O inchaço tende a ser persistente e pode evoluir se não houver tratamento adequado.

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