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Índice criado pelo MIT destaca 8 aspectos essenciais para a longevidade

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Pensar o cuidado na velhice é um dos destaques da lista: embora 70% dos adultos venham a precisar de suporte de longo prazo, apenas 16% se planejam para isso - Envato
Pensar o cuidado na velhice é um dos destaques da lista: embora 70% dos adultos venham a precisar de suporte de longo prazo, apenas 16% se planejam para isso
Por Bianca Bibiano

24/04/2026 | 13h28

São Paulo - Viver mais é uma conquista da humanidade, mas a sociedade está preparada, na prática, para sustentar uma vida mais longa? O relatório Longevity Preparedness Index ("Índice de Preparação para a Longevidade", em tradução livre) propõe uma reflexão direta sobre esse desafio ao mapear como adultos americanos estão se organizando para um futuro de maior expectativa de vida.

Lançado no fim de 2025 a partir de uma colaboração entre o pesquisador John Hancock e o MIT AgeLab, do Massachusetts Institute of Technology, o estudo aponta um cenário de alerta.

Embora a população global com mais de 60 anos deva dobrar e atingir 2,1 bilhões nas próximas décadas, uma parcela significativa desses anos tende a ser vivida com limitações de saúde. Nos Estados Unidos, cerca de 20% da vida ocorre em condições consideradas precárias.

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O ponto central do índice é justamente reduzir essa lacuna, garantindo que longevidade venha acompanhada de qualidade de vida e autonomia. Para isso, o relatório organiza o preparo individual em oito domínios considerados essenciais pelos pesquisadores para um envelhecimento com mais qualidade. Veja a seguir:

8 aspectos essenciais para a longevidade, segundo o MIT

1. Planejamento de cuidados (Care): envolve antecipar necessidades de assistência física e apoio no dia a dia, incluindo quem cuidará de você na velhice, quais recursos estarão disponíveis e a formalização de decisões legais, como procurações e diretivas antecipadas de vontade.

2. Ambiente e comunidade (Community): avalia se o entorno favorece o envelhecimento, considerando acesso a serviços de saúde, comércio, mobilidade, segurança e inclusão digital. 

3. Rotina e propósito (Daily activities): diz respeito à organização do tempo para manter autonomia, propósito e estímulo contínuo, equilibrando autocuidado com atividades físicas, sociais e cognitivas.

4. Segurança financeira (Finance): aborda a capacidade de sustentar uma vida longa, com planejamento para despesas futuras, especialmente saúde e moradia, além de educação financeira e acesso a orientação especializada.

5. Saúde integral (Health): contempla hábitos e acesso a cuidados que impactam o bem-estar físico, mental e cognitivo, incluindo prevenção, acompanhamento médico e estilo de vida saudável.

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6. Moradia adaptada (Home): foca na adequação da casa às mudanças da idade, priorizando segurança, acessibilidade e conforto, além do uso de tecnologias que favoreçam a independência.

7. Transições da vida (Life transitions): prepara para mudanças estruturais, como aposentadoria, perda de entes queridos ou novos papéis familiares, além da construção de legado pessoal e financeiro.

8. Conexões sociais (Social connection): mede a qualidade das relações e redes de apoio, fundamentais para evitar isolamento e sustentar a saúde emocional ao longo do tempo.

Como foi criado o índice?

Para mensurar esses aspectos, os pesquisadores analisaram dados de 1.300 adultos nos Estados Unidos. A pontuação média foi de 60 em 100, indicando que a maioria ainda está pouco preparada para uma vida mais longa, especialmente em áreas críticas como cuidados, finanças, saúde e moradia.

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Apesar disso, o índice mostra que alguns grupos apresentam melhor desempenho. Mulheres e cuidadores, por exemplo, demonstram maior preparo em dimensões como comunidade e conexões sociais, sugerindo maior engajamento com aspectos relacionais da longevidade.

A análise detalhada dos domínios evidencia a crise dos cuidados como o ponto mais crítico. Embora cerca de 70% dos adultos venham a precisar de suporte de longo prazo, apenas 16% se planejam para isso.

A maioria não possui estrutura financeira, nem definições legais para esse cenário, aponta o relatório.

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Já comunidade e conexões sociais se destacam positivamente. Os entrevistados reconhecem a importância de viver em ambientes estruturados e de manter vínculos ativos, considerados fatores-chave para saúde e longevidade.

Na área financeira, o estudo identifica um descompasso entre planejamento e realidade. Muitos ainda subestimam os custos associados ao envelhecimento, especialmente aqueles ligados à saúde e à adaptação da moradia.

Em saúde e habitação, o desafio está na prática. Embora haja conhecimento sobre hábitos saudáveis, poucos conseguem mantê-los de forma consistente. O mesmo ocorre com a adaptação das casas, ainda negligenciada apesar dos riscos de quedas e perda de mobilidade.

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Analogias com o Brasil

Embora o índice tenha como base o contexto americano, suas conclusões dialogam com a realidade brasileira. Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) mostram que o envelhecimento populacional também avança no País, com predominância feminina nas faixas etárias mais altas e aumento do número de idosos vivendo sozinhos.

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Nesse contexto, o relatório sugere que o preparo para a longevidade deve começar com a conscientização dos riscos de envelhecer sem preparo, observando que entender os fatores que influenciam essa fase da vida e a própria realidade são passos iniciais para identificar vulnerabilidades e agir de forma gradual.

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