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Mais de 171 milhões tiveram educação interrompida por riscos climáticos

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Tempestades foram a causa mais comum das interrupções escolares no mundo em 2025, diz Unicef - Envato
Tempestades foram a causa mais comum das interrupções escolares no mundo em 2025, diz Unicef
Por Bianca Bibiano

11/09/2026 | 12h41

São Paulo - Mais de 171 milhões de estudantes da educação infantil ao ensino médio tiveram sua educação interrompida por riscos climáticos em 2025 no mundo, segundo uma nova análise divulgada ontem pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). No Brasil, foram ao menos 745 mil casos, aponta o levantamento. 

O relatório analisou dados de 106 países ou territórios e concluiu que riscos climáticos, como tempestades, enchentes, ondas de calor, secas e incêndios florestais, que levaram à suspensão de aulas, danos a escolas, migração para o ensino remoto, redução do tempo letivo, queda na frequência escolar e aumento do risco de evasão para milhões de estudantes em todo o mundo. 

Para milhões de crianças, os riscos climáticos fazem mais do que interromper as aulas. Eles destroem escolas, deslocam famílias e empurram as crianças mais vulneráveis, especialmente as meninas, para fora da sala de aula de forma permanente”, afirmou a diretora executiva do Unicef, Catherine Russell. 

Segundo a análise "Aprendizagem Interrompida: Panorama Global das Interrupções Educacionais Relacionadas ao Clima em 2025", as tempestades foram a causa mais comum das interrupções escolares no mundo no ano passado, afetando 109 milhões de estudantes. As enchentes afetaram pelo menos 70 milhões de estudantes, enquanto as ondas de calor interromperam a educação de aproximadamente 50 milhões de crianças.

Eventos climáticos afetam educação no Brasil 

Segundo o Unicef, no Brasil ao menos 745 mil crianças e adolescentes tiveram seu acesso à educação impossibilitado em algum momento de 2025 por conta de questões climáticas.

O relatório cita como exemplo estudantes do Rio Grande do Sul que ficaram sem aulas no início de 2025 por conta de uma onda de calor, e estudantes do Paraná que não conseguiram frequentar a escola por causa de um tornado, em novembro do mesmo ano.

Estima-se que esses dados sejam ainda maiores, visto que eventos climáticos extremos atingiram outras regiões do País em 2025, mas não foram capturados pela metodologia da pesquisa. 

Impactos variam de acordo com renda e localidade

Segundo o relatório, embora estudantes de todos os níveis de renda tenham sido afetados, três quartos dos impactados vivem em países de baixa e média-baixa renda, onde os sistemas educacionais frequentemente não dispõem dos recursos necessários para proteger a aprendizagem durante emergências relacionadas ao clima. 

No Paquistão, por exemplo, um dos países mais afetados pela análise, enchentes severas causadas pelas monções em agosto atrasaram o retorno às aulas de mais de 28 milhões de estudantes, tornando esse um dos maiores episódios de interrupção educacional relacionados ao clima registrados em 2025.

Já no Egito, uma forte tempestade de vento e poeira levou à suspensão das aulas em todo o país por um dia em abril, afetando também mais de 28 milhões de estudantes. De acordo com os dados, 40 países enfrentaram múltiplas rodadas de interrupções escolares relacionadas ao clima ao longo do ano.

Em Madagascar, por exemplo, secas, ciclones tropicais e enchentes afetaram 280 mil estudantes durante o período. Na Espanha, mais de 500 mil estudantes da Comunidade Valenciana foram afetados por tempestades em março, seguidas por um ciclone pós-tropical em setembro. Em outras regiões do país, o calor extremo interrompeu as aulas em maio e junho, enquanto uma tempestade impactou a educação em outubro. 

As perdas de aprendizagem e o aumento das taxas de evasão escolar podem reduzir a produtividade da força de trabalho, desacelerar o crescimento econômico e dificultar a redução da pobreza. O relatório estima que a falta de ação poderá resultar em perdas potenciais de rendimentos ao longo da vida dos estudantes que sofreram interrupções educacionais relacionadas ao clima em 2025. 

O Unicef alerta ainda que as meninas enfrentam um risco ainda maior de abandonar a escola quando eventos climáticos interrompem ou fecham unidades de ensino. Danos às escolas e às instalações sanitárias, deslocamentos e perda de renda familiar podem aumentar a carga de cuidados domésticos e de coleta de água sobre elas. 

“Para proteger a educação das crianças de hoje e das futuras gerações, precisamos investir em escolas e sistemas educacionais capazes de resistir aos choques climáticos", complementou Catherine Russell em nota. 

Recomendações do Unicef aos governos

Com base nos números levantados e ações analisadas, o Unicef pede aos governos ampliação de esforços para proteger a educação dos piores impactos dos riscos climáticos, e sugere as seguintes ações: 

  • Fortalecer a resiliência climática dos sistemas educacionais para garantir a continuidade da aprendizagem durante emergências.
  • Aumentar o financiamento nacional e internacional destinado à resiliência educacional.
  • Investir em infraestrutura educacional resiliente ao clima para proteger estudantes e educadores.
  • Capacitar crianças e jovens com conhecimentos e habilidades para desenvolver resiliência e impulsionar a ação climática.
  • Fortalecer os sistemas de dados sobre clima e educação para antecipar, responder e recuperar-se melhor das interrupções.

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