Mieloma múltiplo: após os 60 anos, sinais discretos exigem atenção redobrada
Muitos pacientes de mieloma múltiplo enfrentam peregrinação antes de chegar ao diagnóstico, que, se for precoce pode preservar qualidade de vida
Por Redação Viva
03/07/2026 | 08h20Adobe Stock
São Paulo – Um tipo de câncer que afeta mais as pessoas idosas e que costuma ser confundido com outras doenças. Este é o mieloma múltiplo, um câncer hematológico que se origina na medula óssea. A doença afeta os plasmócitos, células de defesa do organismo, e ocorre com mais frequência em pessoas acima de 60 anos, segundo o Observatório de Oncologia.
Por ter sinais iniciais inespecíficos e parecidos com os de outras condições, a conscientização e o diagnóstico precoce são fundamentais.
Dados do Painel de Oncologia do DATASUS mostram que, entre 2023 e o primeiro semestre de 2026, foram registrados mais de 700 mil casos de mieloma múltiplo (MM) e neoplasias malignas de plasmócitos no Brasil.
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Muitos pacientes passam por uma verdadeira peregrinação médica antes de receber a confirmação da doença, conta a médica Elyara Soares, especialista em diagnóstico laboratorial e doutora em Imunologia pela Universidade de Michigan.
O mieloma múltiplo é uma doença complexa, cujos sinais e sintomas iniciais costumam ser muito inespecíficos e se desenvolvem de forma gradual. Muitos pacientes apresentam manifestações comuns a diversas condições clínicas".
Diagnóstico de mieloma múltiplo
Antes de chegar ao hematologista, é comum que os pacientes passem por diversos especialistas, que nem sempre conseguem identificar a doença. Os sintomas mais comuns são:
- fadiga
- dores ósseas
- pequenas alterações em exames laboratoriais
- infecções de repetição
Além disso, a doença pode permanecer assintomática por um longo período e só se manifestar quando já está em estágio mais avançado.
Quando o mieloma múltiplo evolui sem o tratamento adequado, os sintomas costumam incluir:
- dores persistentes, especialmente na coluna
- fadiga intensa
- anemia sem causa aparente
- alterações na função renal
"A dor óssea é um dos principais sinais de atenção", alerta a hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS). Ela aponta que a dor óssea esteve presente em 58% dos pacientes de um estudo clínico, e aponta que entre as manifestações mais frequentes estão anemia (73%), lesões ósseas líticas (79%), elevação da creatinina sérica (19%), hipercalcemia (13%), leucopenia (20%) e trombocitopenia (5%).
O mieloma múltiplo é o segundo tipo de câncer hematológico mais comum no mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 7 mil novos casos sejam diagnosticados por ano, de acordo com a Oncoclínicas.
O diagnóstico pode ser feito a partir de exame de sangue (hemograma), radiografia, tomografia e/ou ressonância magnética. Dependendo do quadro clínico de cada paciente, pode ser necessária uma biópsia da medula óssea.
Formas de tratamento para mieloma múltiplo
O tratamento de mieloma múltiplo deve ser iniciado tão logo os pacientes manifestem sintomas. A quimioterapia é o tratamento mais comum, mas há alternativas com o uso de medicamentos inibidores que atacam as células doentes diretamente, e imunoterapia - ou seja, usar as próprias células de defesa do paciente, modificadas em laboratório, para combater esses alvos específicos, como explica Mariana Oliveira, onco-hematologista da Oncoclínicas.
"Já quanto ao transplante autogênico de células-tronco periféricas, o tratamento pode ser indicado para os pacientes com menos de 65 anos e os resistentes à quimioterapia", diz.
Como prevenir esse tipo de câncer
Como não há uma causa específica conhecida para o mieloma múltiplo, a prevenção está relacionada à adoção de hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, realizar exames de rotina e estar atento aos sinais que o organismo pode apresentar.
Os idosos são o grupo mais afetado pela doença, é importante que recebam atenção especial aos tratamentos de suporte, voltados para o controle dos sintomas e para a preservação da qualidade de vida. Esses cuidados ajudam a fortalecer os ossos, reduzir a dor óssea, prevenir a hipercalcemia e diminuir o risco de fraturas, segundo especialistas.
“É fundamental manter uma dieta saudável e o controle de peso, evitando assim a obesidade e possíveis consequências inflamatórias no organismo. Esse é um fato que pode afastar o risco de mieloma múltiplo”, explica Oliveira.
(Por Bruno Felix, especial para o VIVA)
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