Mieloma múltiplo: após os 60 anos, sinais discretos exigem atenção redobrada
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São Paulo – Um tipo de câncer que afeta mais as pessoas idosas e que costuma ser confundido com outras doenças. Este é o mieloma múltiplo, um câncer hematológico que se origina na medula óssea. A doença afeta os plasmócitos, células de defesa do organismo, e ocorre com mais frequência em pessoas acima de 60 anos, segundo o Observatório de Oncologia.
Por ter sinais iniciais inespecíficos e parecidos com os de outras condições, a conscientização e o diagnóstico precoce são fundamentais.
Dados do Painel de Oncologia do DATASUS mostram que, entre 2023 e o primeiro semestre de 2026, foram registrados mais de 700 mil casos de mieloma múltiplo (MM) e neoplasias malignas de plasmócitos no Brasil.
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Muitos pacientes passam por uma verdadeira peregrinação médica antes de receber a confirmação da doença, conta a médica Elyara Soares, especialista em diagnóstico laboratorial e doutora em Imunologia pela Universidade de Michigan.
O mieloma múltiplo é uma doença complexa, cujos sinais e sintomas iniciais costumam ser muito inespecíficos e se desenvolvem de forma gradual. Muitos pacientes apresentam manifestações comuns a diversas condições clínicas".
Diagnóstico de mieloma múltiplo
Antes de chegar ao hematologista, é comum que os pacientes passem por diversos especialistas, que nem sempre conseguem identificar a doença. Os sintomas mais comuns são:
- fadiga
- dores ósseas
- pequenas alterações em exames laboratoriais
- infecções de repetição
Além disso, a doença pode permanecer assintomática por um longo período e só se manifestar quando já está em estágio mais avançado.
Quando o mieloma múltiplo evolui sem o tratamento adequado, os sintomas costumam incluir:
- dores persistentes, especialmente na coluna
- fadiga intensa
- anemia sem causa aparente
- alterações na função renal
"A dor óssea é um dos principais sinais de atenção", alerta a hematologista Camila Gonzaga, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS). Ela aponta que a dor óssea esteve presente em 58% dos pacientes de um estudo clínico, e aponta que entre as manifestações mais frequentes estão anemia (73%), lesões ósseas líticas (79%), elevação da creatinina sérica (19%), hipercalcemia (13%), leucopenia (20%) e trombocitopenia (5%).
O mieloma múltiplo é o segundo tipo de câncer hematológico mais comum no mundo. No Brasil, estima-se que cerca de 7 mil novos casos sejam diagnosticados por ano, de acordo com a Oncoclínicas.
O diagnóstico pode ser feito a partir de exame de sangue (hemograma), radiografia, tomografia e/ou ressonância magnética. Dependendo do quadro clínico de cada paciente, pode ser necessária uma biópsia da medula óssea.
Formas de tratamento para mieloma múltiplo
O tratamento de mieloma múltiplo deve ser iniciado tão logo os pacientes manifestem sintomas. A quimioterapia é o tratamento mais comum, mas há alternativas com o uso de medicamentos inibidores que atacam as células doentes diretamente, e imunoterapia - ou seja, usar as próprias células de defesa do paciente, modificadas em laboratório, para combater esses alvos específicos, como explica Mariana Oliveira, onco-hematologista da Oncoclínicas.
"Já quanto ao transplante autogênico de células-tronco periféricas, o tratamento pode ser indicado para os pacientes com menos de 65 anos e os resistentes à quimioterapia", diz.
Como prevenir esse tipo de câncer
Como não há uma causa específica conhecida para o mieloma múltiplo, a prevenção está relacionada à adoção de hábitos saudáveis, como manter uma alimentação equilibrada, realizar exames de rotina e estar atento aos sinais que o organismo pode apresentar.
Os idosos são o grupo mais afetado pela doença, é importante que recebam atenção especial aos tratamentos de suporte, voltados para o controle dos sintomas e para a preservação da qualidade de vida. Esses cuidados ajudam a fortalecer os ossos, reduzir a dor óssea, prevenir a hipercalcemia e diminuir o risco de fraturas, segundo especialistas.
“É fundamental manter uma dieta saudável e o controle de peso, evitando assim a obesidade e possíveis consequências inflamatórias no organismo. Esse é um fato que pode afastar o risco de mieloma múltiplo”, explica Oliveira.
(Por Bruno Felix, especial para o VIVA)
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