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Ministério da Saúde lança estudo para incorporar semaglutida ao SUS; entenda

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Pesquisa analisará um protocolo de uso da semaglutida, a partir do Ozempic, da Novo Nordisk - Adobe Stock
Pesquisa analisará um protocolo de uso da semaglutida, a partir do Ozempic, da Novo Nordisk
Por Emanuele Almeida

26/06/2026 | 13h20

São Paulo - O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira, 26, um estudo clínico com o objetivo de avaliar a possibilidade de incorporar semaglutida ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A pesquisa será conduzida pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS), e analisará um protocolo de uso da semaglutida, a partir do Ozempic, da Novo Nordisk, com 250 pacientes. O estudo focará especificamente em pacientes considerados superobesos, que já apresentam comprometimento cardíaco e que aguardam a realização de cirurgia bariátrica.

"Entre os nossos pacientes de bariátrica, 91% têm obesidade mórbida. Eles precisam de uma condição melhor para fazer a cirurgia e possuem outras comorbidades como cardiopatias e depressão", destacou o coordenador do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS) do CHG, Fernando Anschau em coletiva de imprensa para o anúncio do estudo. 

O presidente do GHC, Gilberto Barichello, destacou a relevância do estudo no Estado do Rio Grande do Sul devido ao grande número de obesos presente na região. Dados do Ministério da Saúde apontam que 42% dos adultos gaúchos convivem com a obesidade, um índice bem acima da média nacional, que é de 36,3%

Os medicamentos sob avaliação pertencem à classe dos agonistas de GLP-1, grupo que inclui substâncias como a semaglutida, liraglutida, dulaglutida e tirzepatida. É importante ressaltar que alguns desses medicamentos já possuem autorização da Anvisa para indicações como tratamento de diabetes e controle de peso em casos de obesidade ou sobrepeso associado a fatores de risco

aplicação de semaglutida em primeiro paciente do estudo do GHC
Durante coletiva de imprensa um dos pacientes participantes do programa aplicou a primeira dose do medicamento. (Alexandre Padilha e Kátia Souto do GHC ao lado do paciente Guilherme Henrique) Reprodução/YouTube Ministério da Saúde

Como vai funcionar

O programa vai acompanhar durante dois anos os 250 pacientes que usarão a semaglutida de até 2,5 mg por semana. "A gente pretende ter publicações científicas a partir do estudo, além de capacitações e educação de profissionais", declarou Anschau.  

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, estava presente no evento e reforçou que a pesquisa é um dos primeiros estudos que vai analisar o uso de análogos de GLP-1 dentro do sistema público de saúde no mundo.

Padilha explicou também que os pacientes terão o acompanhamento multiprofissional durante todo o protocolo do estudo com nutricionista, endócrinologistas e psicólogos, entre outros profissionais. Além disso, também haverá respostas de questionários técnicos para entender os efeitos adversos e resultados após a aplicação e realização da cirurgia.  

"Nós estamos falando de um medicamento que será manuseado pelo paciente. Então, é necessário que ele tenha o entendimento da apresentação de sintomas decorrentes da aplicação e como aplicá-lo", alertou o ministro. 

Acesso a medicamentos

Sobre os riscos em relação ao incentivo ao uso indiscriminado desses medicamentos. Padilha reforçou que, com a aprovação da Anvisa de empresas capazes de produzir canetas nacionais, o acesso pelos pacientes deverá ser mais categórico e com melhores indicações, além de um acesso a produtos aprovados pela pasta - lacuna ainda presente frente ao contrabando desses medicamentos.

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