Mudar de bairro pode diminuir risco de diabetes em populações vulneráveis
Pesquisa com 2 milhões de pessoas sugere que nível de pobreza do bairro de residência tem implicações para a saúde, interferindo na chance de doenças
Por Bianca Bibiano
07/10/2026 | 08h00Rovena Rosa/Agência Brasil
Um estudo apresentado no congresso da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes revela que mudar-se de um bairro de alta pobreza para um de melhor renda pode reduzir em até 57% o risco de desenvolver diabetes tipo 2 a longo prazo.
A pesquisa, que analisou dados de quase dois milhões de adultos em Ontário, Canadá, destaca que fatores como acesso a serviços de saúde, alimentos saudáveis e oportunidades de atividade física são cruciais para a saúde dos moradores.
As descobertas sugerem a necessidade de revitalização urbana em comunidades desfavorecidas, com foco em melhorias habitacionais e ambientes que promovam a saúde, enquanto a pesquisadora já planeja um novo projeto sobre intervenções urbanas em Toronto.
São Paulo - O bairro em que uma pessoa vive pode influenciar fortemente o risco de desenvolver diabetes tipo 2, sugere um estudo em fase de análise apresentado na última semana no congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026), em Milão, na Itália.
Em entrevista ao VIVA, a pesquisadora Sharmin Majumder, do Instituto de Política, Gestão e Avaliação de Saúde da Universidade de Toronto, no Canadá, disse que estudos anteriores já apontaram que o nível de pobreza no bairro de um indivíduo afeta o seu risco de diabetes tipo 2. Contudo, nenhum havia abordado em escala se o fato de a pessoa se mudar para um bairro de melhor nível socioeconômico poderia oferecer benefícios.
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Os dados apontam que sair de um bairro de alta pobreza e mudar-se para outro de melhor renda média proporciona até 57% menos chance de desenvolver diabetes tipo 2 no longo prazo, em comparação com aqueles que seguiram morando na mesma área. Mesmo entre pessoas que se mudaram para regiões economicamente parecidas, o risco diminuído para a doença foi de 24%.
A pesquisa analisou mais de 20 anos de dados de quase dois milhões de adultos de Ontário, no Canadá, com idade média de 42 anos e 51% do sexo feminino. As pessoas não tinham diabetes no início e viviam em áreas de alta pobreza. Como parâmetro, Sharmin considerou bairros nos quais 30% ou mais dos domicílios eram registrados na linha de baixa renda considerada naquele país.
Para ela, os principais fatores que influenciam o resultado são:
- Acesso a serviços de saúde;
- Acesso ao transporte público;
- Presença de estabelecimentos de alimentos saudáveis;
- Espaços para atividade física;
- Ser um bairro onde se possa caminhar;
- Áreas verdes;
- Recursos comunitários.
"Os bairros também podem diferir no que diz respeito às condições ambientais que podem afetar o estresse e a saúde, como poluição do ar relacionada ao tráfego e ruído, e as oportunidades que os residentes têm para criar conexões sociais”, destaca.
Ela ressalta que as descobertas sugerem que o local onde as pessoas vivem tem implicações importantes para a sua saúde a longo prazo:
Compreender quais condições do bairro estão ligadas a uma melhor saúde poderia ajudar a fundamentar esforços de revitalização urbana e iniciativas para melhorar comunidades desfavorecidas."
Sharmin Majumder, pesquisadora
Segundo Sharmin, a pesquisa não é apenas sobre mudar de bairro, mas sim melhorar as condições em comunidades desfavorecidas onde as pessoas já querem se cuidar melhor, para que possamos ajudar a prevenir a diabetes ou outras doenças crônicas.
O artigo científico completo com todos os dados da pesquisa populacional está em fase final de elaboração e será publicado em revista científica em breve, mas a pesquisadora já conduz seu próximo projeto, focado nos efeitos para a saúde a partir de intervenções urbanas em áreas de habitação social de Toronto.
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